Mulheres do Distrito Federal denunciam um suposto golpe envolvendo a oferta de cirurgias de redução das mamas e colocação de próteses de silicone. A iniciativa era apresentada como um projeto social vinculado à Secretaria de Saúde e prometia vagas em um falso mutirão do Outubro Rosa.
Segundo relatos de três vítimas à imprensa, as mulheres eram informadas de que poderiam realizar os procedimentos pela rede pública, mas precisariam pagar pelos materiais cirúrgicos. As cobranças chegavam a R$ 3 mil por paciente. A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) investiga o caso como estelionato.
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Mulheres relatam cobranças e cancelamentos de cirurgias
A oferta chegava às interessadas por indicação de conhecidas. A promessa era de vagas remanescentes em um mutirão do Outubro Rosa, mas, segundo as vítimas, o evento não existia oficialmente.
Mais de 30 mulheres chegaram a integrar um grupo de WhatsApp para organizar os procedimentos. Inicialmente, as cirurgias seriam realizadas no Hospital Regional da Asa Norte (Hran). Depois, os locais e os médicos foram alterados, com indicações de hospitais particulares no Jardim Botânico e em Águas Claras.
As vítimas afirmam que os procedimentos foram adiados ou cancelados repetidamente. Em algumas situações, as pacientes já estavam em jejum ou a caminho do hospital quando recebiam a informação de que a cirurgia não seria realizada.
Uma das mulheres relatou que deveria passar pelo procedimento à tarde, mas foi avisada pela manhã de que a cirurgia havia sido cancelada.
“Minha cirurgia seria à tarde, comecei o jejum no dia anterior. Na manhã do dia seguinte, ela informou que a cirurgia não aconteceria, que o SUS não tinha pago o médico”, conta.
Suspeita é apontada como responsável pela organização
Outras mulheres relataram uma dinâmica semelhante. Depois do primeiro contato, elas eram encaminhadas a Tayna Regina Oliveira Castro, apontada pelas vítimas como responsável por organizar os procedimentos e receber os pagamentos.
Segundo os relatos, Tayna cobrava R$ 1 mil pela cirurgia de redução das mamas e até R$ 3 mil quando havia colocação de próteses. Os valores eram transferidos antecipadamente. Algumas mulheres também teriam recebido prazos de apenas 24 horas para fazer o pagamento, sob a justificativa de que havia poucas vagas disponíveis.
A iniciativa era apresentada como um projeto social chamado “Renova Mama, Um Recomeço”. As pacientes eram orientadas a dizer que recebiam assistência de uma organização não governamental (ONG), sem mencionar o suposto vínculo com o SUS.
De acordo com as vítimas, também havia orientação para não comentar sobre o projeto, sob o argumento de que a iniciativa não deveria ser envolvida em possíveis polêmicas relacionadas ao sistema público de saúde.
Apesar das promessas, apenas uma participante do grupo teria realizado a cirurgia: a irmã de uma das mulheres que ajudaram a divulgar o projeto. As demais passaram a cobrar a realização dos procedimentos ou a devolução do dinheiro.
Médico nega participação no suposto esquema
Uma das vítimas chegou a passar por consulta com um médico particular após receber orientações de Tayna. O profissional, no entanto, negou ter vínculo com o projeto ou ter recebido dinheiro da mulher.
Ele confirmou que foi procurado por Tayna, que apresentou algumas pacientes a médicos, mas afirmou que não participou de nenhuma iniciativa de cirurgias pelo SUS. O profissional também disse que disponibilizou o próprio telefone para alertar pacientes sobre ofertas de procedimentos feitas em seu nome e que pretende tomar medidas judiciais.
A responsável apontada pelas vítimas também se manifestou à impresa. Em nota, Tayná Regina Oliveira Castro negou ser golpista e afirmou que também foi induzida a erro pelas informações recebidas sobre a proposta de cirurgias a preços reduzidos. Ela disse que acreditou na iniciativa, chegou a realizar o próprio pagamento e buscava esclarecimentos e providências para a restituição dos valores.
Secretaria de Saúde alerta que procedimentos do SUS são gratuitos
Em nota, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) reforçou que nenhum atendimento ou procedimento realizado pelo Sistema Único de Saúde é cobrado. A gratuidade inclui consultas, exames, cirurgias, medicamentos, materiais e insumos.
A pasta orientou a população a não fazer pagamentos, transferências ou depósitos a pessoas que prometam atendimento ou acesso mais rápido aos serviços públicos de saúde.
A secretaria informou ainda que encaminharia a denúncia à Ouvidoria-Geral do GDF e que está à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.
O caso é investigado pela Polícia Civil como suspeita de estelionato na 29ª Delegacia de Polícia. Suspeitas de golpes e cobranças irregulares podem ser denunciadas à PCDF ou à Ouvidoria do GDF, pelo telefone 162 ou pelo portal Participa DF.