A defesa de Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola e apontado como uma das principais lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC), tenta contestar o andamento da ação penal que investiga um suposto esquema milionário de lavagem de dinheiro envolvendo a facção criminosa e a influenciadora Deolane Bezerra. Os advogados alegam que houve irregularidades durante a investigação e que as provas apresentadas pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) são insuficientes para comprovar as acusações.
O advogado Bruno Ferullo apresentou uma resposta à acusação nesta semana, questionando a validade de procedimentos realizados durante a Operação Vérnix, deflagrada em maio de 2026. A manifestação também representa três familiares de Marcola investigados no caso: Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho.
Além de contestar as provas, a defesa solicitou acesso a documentos e outros elementos da investigação que afirma ainda não terem sido disponibilizados. O processo também teve uma manifestação do advogado de Everton de Souza, conhecido como Player, apontado pelos investigadores como operador financeiro do grupo. Ele pediu a substituição da prisão preventiva por domiciliar devido a problemas de saúde.
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Defesa de Marcola questiona provas da Operação Vérnix
Segundo informações, Bruno Ferullo apresentou à Justiça uma resposta formal às acusações feitas pelo Ministério Público.
O documento questiona a regularidade de procedimentos adotados desde a fase inicial da investigação e sustenta que parte dos elementos utilizados pela acusação não seria suficiente para demonstrar a responsabilidade criminal dos investigados.
Os advogados também afirmam que precisam ter acesso a outros documentos e provas para exercer plenamente o direito de defesa.
“A defesa também requereu acesso aos elementos da investigação que ainda não lhe foram disponibilizados, além de outras diligências que considera necessárias ao esclarecimento dos fatos e ao exercício do contraditório e da ampla defesa.”
A manifestação não representa uma decisão judicial favorável aos acusados. Caberá à Justiça avaliar os argumentos apresentados e determinar se os pedidos serão acolhidos.
A defesa informou que aguarda uma manifestação do Ministério Público e a posterior análise do juiz responsável pelo processo.
Deolane Bezerra também é ré no processo
A influenciadora e advogada Deolane Bezerra está entre os acusados de participação no suposto esquema de lavagem de dinheiro investigado na Operação Vérnix.
Ela foi presa em 21 de maio de 2026, em Alphaville, na Grande São Paulo, durante uma ação coordenada pelo Ministério Público e pela Polícia Civil.
A investigação aponta que uma transportadora sediada na região de Presidente Venceslau, no interior paulista, teria sido utilizada para movimentar recursos atribuídos ao PCC.
Segundo os investigadores, parte desses valores teria sido transferida para contas relacionadas à influenciadora.
O Ministério Público sustenta que Deolane recebeu R$ 1.067.505 em depósitos fracionados entre 2018 e 2021, movimentações consideradas suspeitas por dificultarem o rastreamento da origem do dinheiro.
A defesa da influenciadora nega envolvimento com a organização criminosa e afirma que seus rendimentos possuem origem lícita.
Em junho, a Justiça de São Paulo aceitou a denúncia do Ministério Público e transformou Deolane, Marcola e outros investigados em réus por organização criminosa e lavagem de dinheiro.
O recebimento da denúncia permitiu o prosseguimento da ação penal, mas não representa condenação.
Como funcionaria o esquema de lavagem de dinheiro?
De acordo com o Ministério Público, a organização investigada utilizava uma transportadora de cargas como estrutura para movimentar recursos e dar aparência de legalidade a valores supostamente provenientes de atividades criminosas.
A empresa estaria localizada em Presidente Venceslau, município que abriga unidades prisionais onde integrantes da cúpula do PCC já cumpriram pena.
Os investigadores identificaram movimentações financeiras, transferências bancárias e relações entre pessoas ligadas à administração da transportadora e familiares de Marcola.
A suspeita é que empresas, contas de terceiros e depósitos fracionados tenham sido utilizados para dificultar a identificação dos verdadeiros beneficiários dos recursos.
Essa prática, quando destinada à ocultação de dinheiro ilícito, pode configurar lavagem de capitais.
A acusação também aponta que os integrantes do grupo teriam funções específicas na administração das movimentações e na distribuição dos valores.
Sobrinha de Marcola é apontada como elo com influenciadora
Entre os familiares investigados está Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha de Marcola.
Segundo o Ministério Público, ela teria exercido uma função de ligação entre pessoas responsáveis pela movimentação financeira e integrantes da estrutura atribuída à facção criminosa.
A investigação também envolve Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho.
Os três são representados pelo advogado Bruno Ferullo, que contesta a existência de provas suficientes para sustentar as acusações.
As responsabilidades individuais de cada investigado deverão ser examinadas durante o processo.
O fato de os acusados possuírem vínculos familiares com Marcola não comprova, isoladamente, participação nas operações financeiras investigadas.
Advogado de Player pede prisão domiciliar por motivo de saúde
Outro desdobramento da ação envolve Everton de Souza, conhecido como Player, apontado pelo Ministério Público como operador financeiro do grupo.
O advogado José Albino Neto também apresentou uma resposta à acusação, questionando procedimentos adotados durante a investigação.
A defesa informou que Everton está em tratamento oncológico e solicitou a substituição da prisão preventiva por prisão domiciliar.
Segundo os advogados, seu estado de saúde teria se agravado após o ingresso no sistema penitenciário.
“Neste momento a maior preocupação da defesa e dos familiares de Everton é o seu grave estado de saúde, que se agravou após seu ingresso no sistema penitenciário.”
O pedido busca permitir a continuidade do tratamento médico fora do estabelecimento prisional.
A concessão da prisão domiciliar dependerá de avaliação judicial, que deverá considerar a documentação médica apresentada, as condições de atendimento no sistema penitenciário e os requisitos legais aplicáveis.
Até a divulgação das informações, não havia confirmação de que o pedido tivesse sido aceito.
Investigação começou com materiais encontrados em presídio
As apurações que deram origem à Operação Vérnix começaram anos antes das prisões realizadas em maio de 2026.
Segundo o Ministério Público, documentos e manuscritos apreendidos na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, em 2019, ajudaram a identificar possíveis movimentações financeiras relacionadas ao PCC.
A partir desse material, os investigadores chegaram a pessoas e empresas suspeitas de atuar na ocultação de recursos.
Outras diligências permitiram analisar aparelhos celulares, registros bancários, comprovantes de transferências e comunicações entre investigados.
Em uma etapa posterior, a Polícia Civil identificou movimentações que teriam ligação com Deolane Bezerra e pessoas próximas à família de Marcola.
Durante a Operação Vérnix, foram cumpridas ordens de prisão e busca e apreensão, além de medidas de bloqueio patrimonial.
As autoridades solicitaram o bloqueio de valores milionários para preservar recursos que poderiam estar relacionados às atividades investigadas.
A defesa dos acusados questiona a interpretação desse conjunto de provas e sustenta que não há comprovação suficiente para uma condenação.
Justiça já havia mantido prisão de Deolane
O processo teve outros desdobramentos desde a realização da operação.
Em outubro, a Justiça rejeitou um novo pedido de habeas corpus apresentado pela defesa de Deolane Bezerra.
A decisão manteve a prisão preventiva da influenciadora enquanto a ação penal continua em andamento.
O Ministério Público havia defendido anteriormente a manutenção das prisões, argumentando que as medidas eram necessárias diante das características da organização investigada e dos riscos apontados pela acusação.
As defesas contestaram esses fundamentos e argumentaram que os fatos examinados remontam a períodos anteriores, sem demonstração suficiente de acontecimentos recentes que justificassem a continuidade das prisões.
A manutenção de uma prisão preventiva não significa que os acusados tenham sido considerados culpados.
A responsabilidade criminal somente poderá ser estabelecida após o devido processo legal, com análise das provas e dos argumentos apresentados pelas partes.
Próximos passos
A Justiça deverá analisar as manifestações apresentadas pelos advogados de Marcola, seus familiares e Everton de Souza.
Entre os pedidos estão o reconhecimento de supostas irregularidades na investigação, o acesso a elementos de prova e a realização de novas diligências.
Também será necessário decidir sobre a solicitação de prisão domiciliar apresentada pela defesa de Player.
O Ministério Público poderá se manifestar sobre os questionamentos antes das decisões judiciais.
A ação penal envolvendo Marcola, Deolane e os demais acusados continua em andamento, sem julgamento definitivo sobre as responsabilidades individuais.
Os novos pedidos poderão influenciar a produção e a análise das provas, mas não significam que o processo tenha sido suspenso ou encerrado.