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Mensagens indicam possível encontro entre Moraes e Vorcaro três dias antes da prisão do banqueiro

Levantamento identificou 316 registros de interação em dois meses, incluindo conversas sobre uma possível reunião em Brasília; ministro nega os diálogos e contesta a autenticidade do material.
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Novas mensagens recuperadas do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, indicam que o banqueiro pode ter se encontrado com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em 14 de novembro de 2025, apenas três dias antes de sua primeira prisão. Um levantamento divulgado pelo UOL nesta sexta-feira (6) identificou 316 registros de interação entre os dois nos dois meses anteriores à detenção, incluindo mensagens, imagens, chamadas e notificações do WhatsApp.

A investigação jornalística recuperou 17 mensagens inéditas armazenadas em bancos de dados secundários do aplicativo. Entre elas estão conversas atribuídas a Moraes e Vorcaro que tratam da chegada do empresário a Brasília e sugerem a organização de um encontro presencial. O conteúdo foi repercutido pela coluna de Mario Sabino, no Metrópoles.

Alexandre de Moraes nega ter mantido as conversas e contesta a autenticidade do material. A defesa de Vorcaro também questiona a integridade dos dados extraídos do aparelho e a cadeia de custódia. Os novos registros ainda não representam comprovação judicial de irregularidades cometidas pelo ministro ou de interferência nas investigações sobre o Banco Master.

Celular de Vorcaro revela 316 interações com Moraes nos dois meses anteriores à prisão

Mensagens indicam possível encontro em Brasília

Um dos trechos recuperados pela reportagem envolve a tarde de 14 de novembro de 2025, quando Daniel Vorcaro viajou de São Paulo para Brasília em uma aeronave particular.

Naquele dia, mensagens atribuídas ao ministro Alexandre de Moraes mostram perguntas sobre o deslocamento do banqueiro e sua chegada à capital federal.

Às 13h24, o contato atribuído a Moraes enviou uma mensagem pedindo que Vorcaro avisasse quando pousasse. O empresário respondeu que estava em voo.

Pouco mais de uma hora depois, o ministro teria perguntado se o banqueiro já havia chegado. Vorcaro informou que acabara de pousar e recebeu outra mensagem atribuída a Moraes.

“A caminho então”

A sequência sugere que os dois poderiam estar organizando um encontro naquela tarde. Entretanto, o conteúdo recuperado não comprova, isoladamente, que a reunião ocorreu, nem esclarece qual teria sido o assunto discutido.

Segundo o levantamento, Vorcaro seguiu para sua residência no Lago Sul, região nobre de Brasília, após desembarcar.

Conversas sobre encontro começaram dias antes

Os registros também mostram que Vorcaro já havia tentado organizar uma reunião com o ministro antes de 14 de novembro.

Na noite de 11 de novembro de 2025, o banqueiro enviou uma mensagem perguntando sobre a disponibilidade de Moraes para um encontro no dia seguinte.

Na manhã de 12 de novembro, Vorcaro voltou a escrever, demonstrando preocupação em não atrapalhar os compromissos familiares do magistrado.

Outras mensagens recuperadas naquele mesmo dia apresentam um tom informal entre os contatos.

Em uma delas, atribuída a Moraes, aparece uma brincadeira sobre a participação dos pais na vida dos filhos.

Vorcaro respondeu elogiando o ministro e pediu que transmitisse cumprimentos à família.

Os trechos foram apresentados pela reportagem como indícios de uma relação pessoal que ultrapassaria contatos estritamente institucionais.

A interpretação, entretanto, é contestada pelo magistrado, que nega a autenticidade das conversas.

Celular registrou 316 interações em dois meses

O levantamento realizado pelos jornalistas Cézar Feitoza, Natália Portinari e Fabio Serapião identificou 316 registros de interação entre 17 de setembro e 17 de novembro de 2025.

Desse total, 187 registros correspondem a mensagens enviadas por Vorcaro. Os outros 129 incluem comunicações atribuídas a Moraes e notificações produzidas pelo próprio aplicativo.

É importante destacar que os 316 registros não equivalem a 316 mensagens de texto integralmente recuperadas.

A contagem inclui diferentes tipos de comunicação, como fotografias, chamadas, ligações não atendidas e informações armazenadas pelo sistema.

Anteriormente, a Polícia Federal havia identificado 52 mensagens enviadas pelo banqueiro ao contato salvo em seu aparelho como Alexandre de Moraes.

A nova análise conseguiu recuperar outros 17 textos, ampliando o conjunto de informações disponíveis sobre os contatos.

Parte das mensagens estava armazenada em bancos de dados secundários do WhatsApp, mesmo depois da exclusão das conversas principais.

Em alguns registros, as palavras apareciam fora da ordem original, exigindo uma reconstrução interpretativa do conteúdo.

Essa limitação é relevante para a avaliação da autenticidade e do significado das comunicações.

Mensagem atribuída a Moraes chama Vorcaro de amigo

Entre os registros recuperados está uma mensagem de 24 de outubro de 2025, atribuída a Alexandre de Moraes.

O texto aparece como legenda de uma imagem que não pôde ser recuperada pelos jornalistas.

“Obrigado amigo. Nem dá pra perceber que não sou eu rsrs”

A mensagem foi apresentada como um dos elementos que sugeririam proximidade entre o ministro e o banqueiro.

Entretanto, como a imagem que acompanhava o texto não foi recuperada, não é possível determinar o contexto completo da conversa.

A existência de uma comunicação informal, por si só, também não comprova a prática de crime ou favorecimento indevido.

Vorcaro demonstrava preocupação com ações da Polícia Federal

As novas informações foram divulgadas em meio à investigação sobre as operações do Banco Master e os contatos mantidos por Vorcaro com autoridades.

Mensagens anteriormente identificadas pela Polícia Federal mostram que o empresário demonstrava preocupação com possíveis medidas do Banco Central e com o avanço das investigações criminais.

Em um dos trechos, Vorcaro pediu ajuda para tentar adiar providências que poderiam atingir a instituição financeira.

O banqueiro também mencionou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Segundo a interpretação dos investigadores, as mensagens indicariam tentativas de utilizar contatos com autoridades para buscar informações e evitar consequências para o banco.

Nos dias anteriores à prisão, Vorcaro também perguntou ao contato atribuído a Moraes se deveria deixar o país diante da possibilidade de uma operação policial.

As mensagens mostram os pedidos formulados pelo banqueiro, mas não comprovam que o ministro tenha atendido às solicitações ou interferido em decisões de autoridades.

Escritório da esposa de Moraes teve contrato milionário com o Master

A relação entre Daniel Vorcaro e o entorno familiar de Alexandre de Moraes também passou a ser examinada devido a um contrato firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.

O acordo, divulgado anteriormente pela imprensa, previa pagamentos que poderiam chegar a aproximadamente R$ 130 milhões.

A contratação passou a ser discutida publicamente diante das investigações sobre a situação financeira do banco e dos contatos do empresário com integrantes do Judiciário.

A existência de um contrato de prestação de serviços advocatícios, entretanto, não demonstra automaticamente a prática de irregularidade.

Para estabelecer eventual responsabilidade, seria necessário examinar a natureza dos serviços, sua efetiva prestação e a existência de possíveis atos incompatíveis com a legislação.

O contrato e os registros de comunicação integram o conjunto de informações que motivou questionamentos sobre a relação entre o banqueiro e o ministro.

Moraes contesta autenticidade e origem das mensagens

Alexandre de Moraes nega ter trocado as mensagens atribuídas a ele e questiona a autenticidade do material divulgado.

O ministro também apresentou críticas ao relatório da Polícia Federal e sustentou que as informações não corresponderiam a conversas efetivamente mantidas por ele.

A defesa de Vorcaro, por sua vez, questiona a cadeia de custódia do aparelho, procedimento que documenta a preservação e o manuseio de provas durante uma investigação.

Esses questionamentos são relevantes porque parte do conteúdo foi recuperada de registros secundários do WhatsApp, e não diretamente de conversas completas preservadas no aplicativo.

O material ainda precisa ser analisado pelas instâncias competentes para determinar sua validade e seu alcance probatório.

Até o momento, não existe decisão judicial que estabeleça responsabilidade criminal de Moraes com base nos 316 registros divulgados.

Próximos passos

O Supremo Tribunal Federal deverá avaliar os elementos relacionados às comunicações entre Daniel Vorcaro e o contato atribuído a Alexandre de Moraes.

A análise poderá considerar os relatórios da Polícia Federal, as informações recuperadas do celular e os questionamentos apresentados sobre a autenticidade dos registros.

O tribunal também poderá decidir sobre a necessidade de novos procedimentos para esclarecer a relação entre o banqueiro e o magistrado.

Paralelamente, continuam as investigações sobre as operações financeiras do Banco Master e as suspeitas envolvendo sua antiga administração.

A divulgação das novas mensagens amplia o conjunto de informações disponíveis sobre os contatos anteriores à prisão de Vorcaro, mas a confirmação de eventual irregularidade dependerá da avaliação das provas e das decisões das autoridades competentes.

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