O chefe da equipe Haas na Fórmula 1, Ayao Komatsu, surpreendeu ao criticar a comida japonesa servida no bairro da Liberdade, em São Paulo. Em entrevista publicada neste sábado (7), durante o fim de semana do Grande Prêmio de São Paulo, o dirigente japonês afirmou que já frequentou restaurantes da região diversas vezes, mas considera que os pratos não têm a mesma qualidade dos encontrados no Japão.
A declaração foi feita durante uma entrevista que também abordou os desafios da Haas, a chegada do brasileiro Rafael Câmara e as expectativas para 2027. Komatsu, de 50 anos, reconheceu que a equipe está atrasada no desenvolvimento do próximo carro e descartou a possibilidade de disputar vitórias ou títulos no curto prazo.
O dirigente, que assumiu o comando da Haas em 2024, destacou que pretende tornar a equipe mais competitiva nos próximos três a cinco anos. Atualmente, o time disputa posições no pelotão intermediário da Fórmula 1 e enfrenta limitações financeiras e estruturais em comparação com seus concorrentes.
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Chefe da Haas critica sushi servido na Liberdade
Durante a entrevista, Komatsu foi questionado sobre suas experiências no bairro da Liberdade, conhecido pela presença histórica da comunidade japonesa e por concentrar restaurantes e estabelecimentos ligados à cultura asiática.
O dirigente contou que já esteve na região diversas vezes, geralmente acompanhado de um amigo japonês que costuma visitar restaurantes da culinária do país em diferentes partes do mundo.
Apesar das visitas, Komatsu afirmou que não gosta tanto da comida encontrada nos estabelecimentos que frequentou em São Paulo.
Segundo ele, o sabor dos pratos japoneses servidos no Brasil é bastante diferente daquele encontrado em seu país de origem.
A comparação ficou ainda mais direta quando o chefe da Haas relembrou uma conversa com o ex-piloto brasileiro Nelson Piquet Jr., conhecido como Nelsinho Piquet, sobre onde encontrar o melhor sushi do mundo.
Na avaliação de Komatsu, o melhor sushi continua sendo o preparado no Japão.
O dirigente também comentou sobre a presença de descendentes de japoneses no Brasil e destacou as diferenças culturais que percebe entre os dois países.
As declarações representam uma opinião pessoal de Komatsu sobre os restaurantes que conhece, e não uma avaliação geral da qualidade da gastronomia japonesa em São Paulo.
Haas admite atraso para a temporada de 2027
Além das declarações sobre a culinária brasileira, Komatsu falou sobre as dificuldades enfrentadas pela equipe na preparação para o próximo campeonato mundial.
O japonês reconheceu que a Haas perdeu tempo durante a temporada de 2026 ao tentar corrigir problemas no desenvolvimento do carro.
Segundo o dirigente, a equipe inicialmente seguiu uma direção técnica que não apresentou os resultados esperados. Foi necessário investigar as dificuldades, compreender o comportamento do veículo e desenvolver atualizações para melhorar seu desempenho.
As mudanças recentes permitiram identificar um caminho mais claro para o projeto de 2027, mas o trabalho ainda está atrasado em relação ao planejamento considerado ideal.
Komatsu explicou que o carro atual passou a transmitir mais confiança aos pilotos, embora ainda seja necessário melhorar a pressão aerodinâmica para aumentar a competitividade.
O dirigente reconheceu que a Haas terá dificuldades para alcançar seus objetivos imediatamente, mas afirmou que a equipe já sabe quais características técnicas precisa desenvolver.
Chefe japonês não espera disputar títulos tão cedo
Ao avaliar o futuro da Haas, Komatsu deixou claro que o objetivo imediato não é conquistar vitórias ou disputar o Campeonato Mundial.
A prioridade é consolidar a equipe no pelotão intermediário e alcançar resultados mais consistentes ao longo das temporadas.
O dirigente explicou que a Haas conseguiu superar uma fase em que precisava lutar pela própria sobrevivência na Fórmula 1, mas ainda apresenta oscilações importantes de desempenho.
Em algumas corridas, o time consegue competir próximo das melhores equipes do grupo intermediário. Em outras, encontra dificuldades e termina nas últimas posições.
Para mudar essa realidade, Komatsu estabeleceu um planejamento de três a cinco anos, com foco em melhorar a estrutura interna, o desenvolvimento técnico e a estabilidade dos resultados.
Segundo ele, o principal patrimônio da Haas são os profissionais que trabalham na equipe. O japonês acredita que o desempenho depende tanto da engenharia quanto da capacidade de organizar e motivar as pessoas.
Rafael Câmara estreia na Fórmula 1 em Interlagos
As declarações de Komatsu acontecem em um momento de mudanças importantes na Haas, que antecipou a estreia do brasileiro Rafael Câmara na Fórmula 1.
O piloto pernambucano, de 21 anos, havia sido anunciado como titular para a temporada de 2027, mas recebeu a oportunidade de competir no GP de São Paulo, realizado entre os dias 6 e 8 de novembro.
A decisão ocorreu depois que a equipe afastou o francês Esteban Ocon, que não voltará a competir pela Haas em 2026.
Com isso, Câmara passou a dividir a equipe com o britânico Oliver Bearman e realizou suas primeiras atividades oficiais na categoria diante do público brasileiro.
Na sexta-feira (6), durante os treinos livres em Interlagos, o estreante recebeu uma reprimenda dos comissários da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) após um incidente com Charles Leclerc, da Ferrari.
Apesar do episódio, Komatsu já havia destacado a confiança da equipe no potencial do brasileiro, especialmente após o desempenho apresentado em testes realizados em agosto, no circuito de Portimão, em Portugal.
A estreia antecipada também serve como preparação para a primeira temporada completa de Câmara na Fórmula 1, prevista para 2027.
Quem é Ayao Komatsu?
Ayao Komatsu nasceu no Japão e construiu sua carreira no automobilismo a partir da engenharia.
Em 1995, mudou-se para a Inglaterra para estudar e, posteriormente, iniciou sua trajetória profissional na Fórmula 1, em 2003.
O japonês passou por equipes como BAR e Renault antes de ingressar na Haas em 2016, ano de estreia do time norte-americano na categoria.
Inicialmente, trabalhou como diretor de engenharia de pista, função diretamente ligada ao desempenho dos carros e à operação durante os fins de semana de corrida.
Em janeiro de 2024, foi promovido ao cargo de chefe da equipe, substituindo Guenther Steiner.
Desde então, passou a comandar a reorganização da Haas, buscando ampliar a eficiência operacional e tornar o time mais competitivo.
Próximos passos da Haas na Fórmula 1
A Haas continuará trabalhando no desenvolvimento do carro de 2027, temporada que marcará o início da trajetória de Rafael Câmara como piloto titular da equipe.
Komatsu pretende utilizar os avanços técnicos conquistados nas últimas etapas de 2026 para orientar o novo projeto e reduzir os problemas de desempenho enfrentados ao longo do ano.
O dirigente também terá o desafio de integrar o brasileiro à estrutura da equipe e equilibrar o desenvolvimento dos pilotos com as limitações financeiras e operacionais do time.
A meta da Haas é conquistar resultados mais consistentes no pelotão intermediário, sem criar expectativas de vitórias ou títulos antes que a equipe tenha condições de disputar essas posições.