Lula chega ao G7 na França e monta ‘operação Trump’ para tentar barrar tarifaço

Sem agenda oficial, governo brasileiro foca em encontro de oportunidade para negociar sobretaxa de até 37,5% e defender interesses nacionais frente às Big Techs.
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembarcou nesta segunda-feira (15) em Évian-les-Bains, na França, para participar como convidado da cúpula do G7. Embora o evento reúna as maiores potências globais, a prioridade máxima da diplomacia brasileira nos bastidores tem um alvo claro: o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O Palácio do Planalto antecipou a chegada de Lula ao primeiro dia do evento como uma estratégia tática. Prevendo que Trump possa participar apenas da abertura (como fez no Canadá no ano passado), o governo busca garantir um “encontro de oportunidade” nos corredores, já que não há reunião bilateral formalmente solicitada por nenhuma das partes.

A sombra do ‘tarifaço’ americano

A urgência para o diálogo direto esbarra em uma pesada ameaça econômica. A Casa Branca prepara uma ofensiva que pode sobretaxar produtos brasileiros em até 37,5%. O governo brasileiro divide a crise em duas frentes:

  • Tarifa de 25%: Justificada por Washington como retaliação a supostas práticas comerciais desleais. A equipe de Lula avalia que esta taxa ainda pode ser revertida ou amenizada na mesa de negociação.
  • Tarifa de 12,5%: Baseada em alegações de ações insuficientes do Brasil contra o trabalho forçado. Esta medida já é vista pelo Planalto como praticamente irreversível.

Sem intenção de confronto direto, Lula passará seu recado. A estratégia é criticar duramente o protecionismo e o unilateralismo adotados por potências globais, mas sem “apontar o dedo” diretamente para Trump, preservando a via diplomática.

Embate com as Big Techs
As sanções americanas estão intrinsecamente ligadas à tecnologia. O governo dos EUA tem justificado retaliações comerciais alegando que o Judiciário brasileiro toma medidas arbitrárias contra plataformas digitais norte-americanas.

Durante o almoço do G7 voltado à Inteligência Artificial, Lula fará uma defesa contundente da soberania jurídica do país. O presidente reforçará que o Brasil não tem viés persecutório contra nenhuma Big Tech e que o mercado nacional está aberto para operações globais de tecnologia — desde que atuem em estrita conformidade com as leis brasileiras.

Agenda diplomática paralela

Além da “operação Trump”, o presidente brasileiro aproveita a vitrine europeia para fortalecer alianças. Estão previstos encontros bilaterais com o anfitrião e presidente da França, Emmanuel Macron, com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, e com o presidente do Egito, Abdel Fattah El-Sisi, além do secretário-geral da Interpol, Valdecy Urquiza.

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