Região Nordeste cresce na agricultura orgânica mesmo com queda inédita no setor

Enquanto o Brasil caiu em 5,7% no total de produtores registrados, estados nordestinos apresentam crescimento.
Redação NC News
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O Nordeste brasileiro vem se consolidando como uma das principais regiões de expansão da agricultura orgânica no país. O avanço ocorre mesmo em um momento em que o Brasil apresenta uma queda inédita no número de produtores orgânicos registrados.

Dados do Cadastro Nacional de Produtores Orgânicos, analisados pelo Observatório do Brasil Orgânico, apontam que o país registrou 23.728 unidades de produção, já em 2025 o número total de registros foi de 25.178. A redução de 5,7% representa a saída de 1.450 produtores do cadastro nacional.

Segundo o presidente do Instituto Brasil Orgânico (IBO), Rogério Dias, a queda não indica uma crise no setor. De acordo com ele, a redução foi provocada principalmente pela saída de grandes grupos extrativistas certificados nos estados do Pará e do Maranhão, que juntos registravam mais de 1.800 produtores.

Nordeste apresenta alta

Enquanto a região Norte concentrou as perdas, o Nordeste apresentou um crescimento expressivo. A Paraíba liderou a expansão com 246 novas unidades produtivas, seguida pela Bahia, com aumento de 209 produtores, Rio Grande do Norte, com 169, e Pernambuco, com 137 novos registros.

Na Paraíba e no Rio Grande do Norte, o cultivo do algodão orgânico foi apontado como principal responsável pelo crescimento. Já na Bahia, o avanço ocorreu com a diversificação da produção e o fortalecimento da Rede Povos da Mata, referência nacional em certificação participativa.

Apesar do crescimento significativo no Nordeste do país, a região Sul permanece concentrando o maior número de produtores registrados. O Paraná lidera o ranking nacional com 4.292 registros, seguido pelo Rio Grande do Sul, com 3.158. A Bahia aparece na terceira posição, com 1.895 produtores cadastrados.

Mudança Inédita

O levantamento também identificou uma mudança inédita nos modelos de certificação. Pela primeira vez, os Sistemas Participativos de Garantia (SPGs) superaram a certificação por auditoria privada. Em 2026, os SPGs reuniram 9.788 unidades produtivas, contra 8.855 do modelo tradicional.

Segundo o IBO, os dados indicam uma reorganização territorial da produção orgânica brasileira, com novas regiões ganhando espaço e modelos coletivos de certificação demonstrando maior capacidade de expansão. O instituto também alerta para a redução dos recursos públicos destinados ao setor, que passaram de R$ 7,5 milhões em 2016 para R$ 900 mil neste ano.

Maria Paula Meira

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