A governadora Raquel Lyra (PSD) e o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) aparecem em empate técnico na disputa pelo governo de Pernambuco, segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada hoje. A chefe do Executivo estadual lidera numericamente no primeiro turno, mas a diferença está dentro da margem de erro.
Raquel encosta e inverte cenário contra Campos
A nova rodada do levantamento indica que Raquel Lyra tem 43% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto João Campos soma 37%. Segundo o instituto, “no primeiro turno, Raquel Lyra aparece numericamente à frente com 43% das intenções de voto, seguida por João Campos, que tem 37% do eleitorado”. Dentro da margem de erro de 3 pontos percentuais, o quadro é de empate técnico entre os dois principais nomes da disputa.

O movimento representa uma inversão em relação ao cenário medido em abril. Na ocasião, o ex-prefeito do Recife liderava a corrida. Agora, o instituto registra que “na pesquisa Genial/Quaest anterior em Pernambuco, realizada em abril, João Campos liderava contra Raquel Lyra por 42% a 34% do eleitorado — desde então, o ex-prefeito recuou cinco pontos e a governadora cresceu nove pontos, consolidando o empate na primeira rodada de votação”.

Os demais pré-candidatos somam apenas 3% das intenções de voto. Nessa faixa estão nomes como Camila Falcão (UP), Ivan Moraes (PSOL) e Renan Hallais (Missão), que seguem com pouco espaço num eleitorado fortemente polarizado entre governo e oposição. A pesquisa aponta ainda 17% de eleitores sem candidato definido, na soma de indecisos e votos brancos e nulos.
Segundo turno também está travado
No cenário de segundo turno, o equilíbrio se mantém. A simulação de confronto direto entre Raquel Lyra e João Campos também registra empate técnico, com leve vantagem numérica para a governadora. “Em confronto direto, Raquel tem 45% de apoio entre o eleitorado pernambucano e Campos pontua 39%, também resultando em impasse dentro da margem de erro”, informa o levantamento.

O instituto destaca que “o mesmo movimento — Campos recua, Raquel avança — ocorreu na simulação de segundo turno, que era liderada pelo ex-prefeito em abril e agora configura empate técnico”. O dado reforça a tendência de perda de fôlego do ex-prefeito e de recuperação da governadora, que usa a máquina estadual para tentar consolidar sua presença em regiões onde antes tinha desempenho mais frágil.
A margem de erro de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos, impõe cautela na leitura de qualquer vantagem. A Genial/Quaest estima índice de confiança de 95%. Na prática, isso significa que, se pesquisas idênticas forem repetidas, em 95 de cada 100 vezes os resultados ficarão dentro desse intervalo de variação.

Como a pesquisa foi feita e o que está em jogo
A pesquisa Genial/Quaest entrevistou 900 eleitores em 52 municípios de Pernambuco, entre os dias 22 e 26 de julho. O levantamento está registrado junto à Justiça Eleitoral sob o código PE-09649/2026. O desenho da amostra busca refletir o perfil do eleitorado em diferentes regiões do estado, levando em conta variáveis como idade, renda e grau de instrução.
O clima de disputa acirrada pressiona as campanhas a acelerar movimentos. A base da governadora tende a explorar o ganho de nove pontos em relação à pesquisa de abril como sinal de aprovação à gestão, sobretudo em áreas sensíveis como segurança pública, saúde e programas sociais bancados em parceria com o governo federal. Em Pernambuco, a relação com Brasília e com o governo federal influencia repasses, obras de infraestrutura e políticas nacionais que passam por canais digitais como o gov.br, usado para acesso a serviços e benefícios.
No campo adversário, a queda de cinco pontos de João Campos acende alerta. A estratégia do ex-prefeito deve incluir uma revisão do discurso, com mais ênfase em críticas à condução do governo estadual e em propostas para retomada de investimentos, emprego e políticas urbanas. Aliados defendem que ele use sua experiência na Prefeitura do Recife para mostrar capacidade de gestão e diálogo com o governo federal, que controla ferramentas como o portal Gov.br e o aplicativo gov.br, centrais para programas sociais e para o relacionamento entre cidadãos e administração pública.
Indecisos viram alvo principal da disputa
Os 17% de eleitores que hoje não têm candidato definido se tornam o núcleo mais disputado da corrida. Esse grupo pode decidir a eleição tanto no primeiro quanto no segundo turno. Campanhas tendem a intensificar corpo a corpo, eventos regionais, debates televisivos e presença em redes sociais.
O avanço dos serviços digitais do governo federal, acessados por meio de contas cadastradas no Gov.br, também entra na pauta como vitrine e problema. Benefícios pagos, consultas a programas sociais e acesso a serviços públicos são lembrados em discursos, num esforço para se associar à ideia de modernização do Estado. A narrativa da digitalização, do governo digital e do uso do aplicativo gov.br serve como argumento para mostrar capacidade de gestão, enquanto a oposição tenta apontar falhas na execução e na chegada desses serviços às regiões mais pobres do estado.
Os demais pré-candidatos, juntos com 3%, enfrentam pressão adicional. A tendência é que parte deles negocie alianças, tempo de TV e espaço em palanques regionais. Com uma disputa tão apertada, cada apoio local pode ser decisivo em cidades médias e pequenas, onde redes pessoais e estruturas municipais ainda carregam peso relevante.
Cenário volátil e impacto além das urnas
O resultado da eleição em Pernambuco tem potencial de mexer no xadrez político regional e na relação com o Palácio do Planalto. Um governo alinhado ou em conflito com Brasília afeta a velocidade de execução de obras estruturantes, acordos para recomposição fiscal e a coordenação de políticas que passam por sistemas digitais do governo federal, como o portal GOV BR Entrar e o próprio login unificado do Governo Digital.
O equilíbrio atual indica uma campanha mais dura nas próximas semanas. Programas de televisão, sabatinas e debates devem ganhar peso, assim como a disputa por narrativas nas redes sociais, em que temas como segurança de dados em plataformas públicas, transparência e eficiência de sistemas como o gov.br cadastro e o Governo Federal função aparecem cada vez mais na conversa política.
Com a disputa travada dentro da margem de erro, a Genial/Quaest registra um estado em suspenso. Nenhum dos lados pode se acomodar. A Justiça Eleitoral segue o processo, acompanhando eventuais abusos de poder econômico, uso da máquina e desinformação. O comportamento do eleitorado indeciso, o comparecimento às urnas e a capacidade de mobilização das campanhas vão definir se a curva de Raquel Lyra continua em alta, se João Campos retoma a liderança ou se o tabuleiro muda mais uma vez antes da votação.