A mostra “Democracia Corinthiana” está em exibição no Espaço Heróis de 32, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, entre os dias 12 e 19 de junho. A exposição revisita um dos movimentos mais simbólicos da história do futebol brasileiro e sua relação com a luta pelos direitos humanos nos anos finais da ditadura militar no Brasil (1964–1985).
Promovida pelo deputado Maurici (PT), a iniciativa busca resgatar a dimensão social e política da experiência vivida pelo Sport Club Corinthians Paulista no início da década de 1980. A proposta destaca como o movimento ultrapassou o ambiente esportivo e dialogou com o cenário de redemocratização do país.
O assessor parlamentar da Assembleia Legislativa, Júlio Parisotto, ressaltou a importância histórica da iniciativa e o esforço de resgatar a memória de uma das figuras mais emblemáticas do movimento. Segundo ele, a exposição busca valorizar não apenas a trajetória esportiva, mas também o impacto social e político deixado por personagens que marcaram época e contribuíram para o debate democrático no país. Parisotto destacou ainda o caráter simbólico da homenagem.
“A gente pensou nessa homenagem para o Sócrates durante muito tempo. Foi uma figura histórica não apenas ao time, mas também para a democracia do Brasil durante a ditadura militar. Então, nada mais justo do que fazer uma homenagem para ele”, afirmou em entrevista concedida ao NC News.
A exposição
Desencadeada em 1982 por jogadores como Sócrates, Wladimir e Walter Casagrande Jr., a Democracia Corinthiana contou com o apoio da diretoria do clube, da torcida e de setores da imprensa e da cultura. O movimento tornou-se um dos principais símbolos da participação coletiva dentro do esporte e ganhou força em meio às pressões sociais por abertura política no período.
Com registros fotográficos, quadros, faixas, troféus e arquivos de jornais da época, a mostra reúne peças que ajudam a reconstruir a trajetória do movimento. O acervo foi cedido pelo Museu do Povo e pelo Memorial Corinthians e evidencia a atuação do clube em sintonia com outras mobilizações sociais, como as de trabalhadores, estudantes e movimentos do campo.