Falta de médicos e infraestrutura precária geram revolta em pacientes da rede pública do DF

Moradores relatam peregrinação por atendimento, burocracia extrema e descaso; em caso dramático, paciente oncológico com fratura teve socorro recusado no HRT.
Redação NC News
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A crise na saúde pública do Distrito Federal continua impondo uma rotina de sofrimento e indignação aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). Em diversas regiões administrativas, moradores relatam um cenário caótico marcado pela escassez de profissionais de saúde, longas filas de espera, atrasos crônicos na marcação de consultas e exames, além de uma infraestrutura física completamente deteriorada.

As falhas estruturais e a falta de médicos especialistas têm gerado um impacto devastador na qualidade do atendimento, transformando o direito constitucional à saúde em uma verdadeira corrida de obstáculos para quem depende da rede pública local.

Peregrinação e descaso: o drama de um paciente oncológico

O reflexo mais cruel dessa realidade foi vivenciado pela dona de casa Laurinda Rodrigues Ferreira, moradora do Sol Nascente. Em relato contundente à reportagem no Hospital de Base do DF, ela narrou a negligência sofrida por seu esposo, que enfrenta um câncer em estágio avançado com metástase óssea.

Após sofrer uma fratura no braço em decorrência do enfraquecimento dos ossos pela doença, o paciente teve o atendimento ortopédico recusado no Hospital Regional de Taguatinga (HRT), mesmo portando um encaminhamento de urgência emitido pelo próprio oncologista da unidade.

“No HRT não tinha médico para atender, disseram que estava no centro cirúrgico. Fomos ignorados mesmo com o encaminhamento do oncologista e a radiografia do braço quebrado na mão”, desabafou Laurinda.

O marido de Laurinda Rodrigues Ferreira enfrenta um câncer em estágio avançado com metástase óssea. Após sofrer uma fratura no braço em decorrência do enfraquecimento dos ossos pela doença, o paciente teve o atendimento ortopédico recusado no Hospital Regional de Taguatinga (HRT), apesar de ter encaminhamento de urgência. Foto: NC News

A idosa relatou que o socorro só foi viabilizado no dia seguinte, quando o Corpo de Bombeiros transportou o idoso diretamente para o Hospital de Base — que ainda opera no sistema de “portas abertas” para a ortopedia. Na instituição, diante da gravidade do caso, ele realizou novos exames de raio-X e foi encaminhado para internação.

Silêncio oficial
Diante das graves denúncias e das recorrentes reclamações dos usuários da rede de saúde, a reportagem entrou em contato com a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF). Foram solicitados esclarecimentos formais sobre o caso ocorrido no HRT, além de dados sobre o planejamento do governo para reforçar o quadro de médicos, reduzir o tempo de espera por exames e promover melhorias estruturais nas UPAs e hospitais.

Até o fechamento desta edição, a Secretaria de Saúde do DF não enviou nenhuma resposta. O espaço permanece aberto para manifestações e esclarecimentos futuros por parte do órgão público.

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