O cenário eleitoral pelo comando do Palácio dos Bandeirantes sofreu um revés significativo neste fim de semana. Com a retirada oficial das pré-candidaturas de Paulo Serra (PSDB) e Kim Kataguiri (Missão), o atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), vê o caminho pavimentado para liquidar as eleições de 2026 logo no primeiro turno. A nova configuração da disputa elevou a tensão na cúpula do PT e na campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Até o momento, o planejamento petista contava com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, encabeçando a chapa estadual para polarizar o debate. No entanto, as saídas de Serra e Kataguiri, que dividiam cerca de 10% das intenções de voto, mudaram a matemática eleitoral. Sem esses nomes na urna, a fatia do eleitorado de centro-direita migra quase naturalmente para Tarcísio, que já ultrapassa a barreira dos 40%, atingindo 45% em alguns cenários — muito próximo da maioria absoluta (50% mais um) necessária para vencer na primeira etapa.
O fantasma de 2014 e a preocupação do Planalto
Para o Partido dos Trabalhadores, o encerramento da disputa estadual em outubro representaria o pior cenário possível. A cúpula governista convive com o chamado “fantasma de 2014”, ano em que Geraldo Alckmin (então no PSDB) foi reeleito no primeiro turno.
Impacto na reta final: Naquela ocasião, sem um palanque forte no estado, a então presidente Dilma Rousseff viu Aécio Neves (PSDB) abrir uma vantagem de quase sete milhões de votos sobre ela no segundo turno apenas em solo paulista.
Cenário nacional apertado: Atualmente, as pesquisas indicam um eventual segundo turno extremamente acirrado na disputa presidencial. Segundo o Datafolha, Lula aparece com 47% contra 43% do senador Flávio Bolsonaro (PL) — que conta com o apoio incondicional de Tarcísio.
Foco total da máquina: Se Tarcísio vencer no 1º turno, a máquina estadual paulista estará totalmente livre para atuar na campanha presidencial da oposição.
Márcio França surge como o “plano B”
Para evitar esse cenário, a centro-esquerda passou a discutir intensamente a entrada de Márcio França (PSB) na disputa pelo governo. O movimento ganhou força nos bastidores como uma estratégia para pulverizar os votos e garantir a realização do segundo turno.
Emissários de França já conversaram com lideranças petistas, argumentando que uma polarização direta apenas entre Tarcísio e Haddad favoreceria uma definição rápida a favor do atual chefe do Executivo.
A reorganização das vagas ao Senado
A possível entrada de França na corrida pelo Palácio dos Bandeirantes resolve também um gargalo no campo progressista em relação à disputa pelo Senado:
- Favoritas: As ministras Simone Tebet (MDB) e Marina Silva (Rede) despontam como as favoritas para ocupar as duas vagas disponíveis na chapa ao Senado.
- Espaço cedido: Inicialmente, França pleiteava uma dessas vagas, mas viu seu nome perder tração internamente. Ao disputar o governo, ele abre caminho para uma acomodação pacífica entre os partidos aliados de Lula.