Lula lança ‘Serasa dos celulares’ em São Paulo para frear mercado de aparelhos roubados

Nova etapa do programa Celular Seguro permite checar procedência do aparelho antes da compra; em agenda na capital, presidente também entregou maquinário bilionário de saúde na periferia
Redação NC News
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou, nesta terça-feira (23), uma nova e importante fase do programa Celular Seguro, desenhada para tentar estrangular o mercado ilegal de aparelhos eletroeletrônicos no país. Durante uma cerimônia oficial realizada na Base Aérea de Guarulhos, na Grande São Paulo, o chefe do Executivo federal detalhou o funcionamento da ferramenta, que foi apelidada pelas próprias autoridades de o “Serasa dos celulares roubados”. A plataforma vai funcionar como um banco de dados público e negativo, permitindo que qualquer cidadão consulte a situação legal de um dispositivo portátil antes de fechar negócio.

A estratégia central do Ministério da Justiça e Segurança Pública é atacar diretamente a receptação de mercadorias criminosas. Ao fornecer um mecanismo simples para o comprador verificar se o item tem origem ilícita, o governo federal espera reduzir drasticamente a demanda por aparelhos furtados, desestimulando a atuação das gangues e quadrilhas que praticam assaltos nas grandes cidades brasileiras.

O que muda com o ‘Serasa dos celulares’ e como funciona?
O grande diferencial desta nova etapa do programa governamental é a criação de um canal de proteção ao consumidor de boa-fé. O secretário nacional de Segurança Pública, Francisco Lucas Veloso, explicou que o foco das investigações policiais não é punir o cidadão comum que acabou adquirindo um produto sem saber que ele era fruto de um crime, mas sim mapear e desmantelar a cadeia de receptadores profissionais e contrabandistas.

As autoridades anunciaram um pacto de anistia para quem colaborar: as pessoas que descobrirem, por meio do sistema, que estão portando um celular irregular e decidirem entregá-lo voluntariamente em uma delegacia de polícia não sofrerão nenhum tipo de sanção criminal. A única condição exigida é que prestem depoimento informando o local, a plataforma digital ou o estabelecimento comercial onde o aparelho eletrônico foi comprado.

“A gente tem que ter a consciência que devemos pesquisar a procedência dos objetos. Estamos entregando à população brasileira uma plataforma que garante se aquele celular está ou não registrado. É um cadastro negativo, um Serasa dos celulares roubados, que vocês agora poderão usar”, explicou o secretário nacional.
[INSERIR INFOGRÁFICO: PASSO A PASSO COMO CONSULTAR SE O CELULAR É ROUBADO]

Quais foram as recomendações e os alertas de Lula?
No palanque em Guarulhos, o presidente Lula fez um apelo contundente e bem-humorado à população para que redobre os cuidados básicos de segurança no dia a dia, especialmente ao manusear smartphones em vias públicas e calçadas movimentadas. O presidente chamou a atenção para táticas comuns de criminosos que se aproveitam da distração das vítimas.

“A hora que você tiver que falar no celular, olhe bem do seu lado e veja se tem alguém perto de você. Veja se tem alguém andando de bicicleta perto de você, fazendo pirueta de bicicleta, porque você pode ser assaltado. Se você percebeu agora que comprou um celular sem saber que era roubado, procure uma delegacia para entregar. Não tenha medo, você não será preso, é apenas para devolver”, recomendou o presidente.

O que aconteceu na agenda de saúde na Zona Leste de SP?
Após o compromisso de segurança pública, a comitiva presidencial seguiu para a Zona Leste da capital paulista. No início da tarde, Lula realizou a entrega oficial de novos e modernos equipamentos de radioterapia para o tratamento de câncer no Hospital Santa Marcelina, uma instituição filantrópica de saúde localizada no bairro de Itaquera. Segundo a diretora-presidente da unidade, irmã Rosane Ghedin, o reforço estrutural deve ampliar o atendimento oncológico em 30%, beneficiando mais de 2 mil pacientes carentes por ano.

Mesmo discursando bastante rouco, o presidente quebrou o protocolo durante o evento e brincou, enquanto bebia um copo de água, que precisava poupar a voz para conseguir gritar gol da seleção brasileira masculina nesta quarta-feira, quando o Brasil enfrenta a Escócia pela terceira rodada da fase de grupos do torneio mundial de futebol. Lula defendeu enfaticamente a interiorização de tecnologias médicas de ponta nas periferias urbanas, pontuando que “a morte é implacável sem o remédio e sem o tratamento correto”.

 

Qual foi a polêmica de bastidor e o ataque aos EUA?
O clima político esquentou nos bastidores da saúde devido a declarações ácidas disparadas pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha. O ministro aproveitou a entrega do maquinário de alta tecnologia do Sistema Único de Saúde (SUS) para alfinetar de forma irônica o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A fala ocorre em um contexto de atrito diplomático: Padilha e seus familiares próximos seguem proibidos de entrar em território americano após terem seus vistos de viagem cancelados por ordem direta de Washington.

Sem citar explicitamente o nome de Trump no microfone, o ministro da Saúde fez questão de exaltar a qualidade e o acesso universal da rede pública de saúde do Brasil. “O presidente Lula está entregando para o SUS equipamentos de radioterapia que é o que tem de mais moderno e que, se o presidente dos Estados Unidos precisar fazer uma radioterapia, é nele que ele vai fazer. E com uma diferença: lá ele vai ter que pagar, aqui é pelo SUS, direito do povo brasileiro”, disparou o chefe da pasta, arrancando aplausos da plateia de apoiadores em Itaquera.

 

Entenda o Contexto
O roubo de celulares tornou-se uma das principais modalidades de crime de oportunidade nos grandes centros urbanos do país, alimentando uma rede complexa que envolve a clonagem de chips, o desbloqueio forçado de contas bancárias e a exportação ilegal de peças de reposição. O aplicativo Celular Seguro, lançado originalmente pelo governo federal para permitir o bloqueio rápido de linhas e aparelhos roubados, ganha agora relevância ao tentar cortar o fluxo financeiro do crime organizado na fase da revenda. Os próximos desdobramentos da segurança pública dependem da adesão massiva da população ao novo sistema de consulta para as transações de aparelhos seminovos e usados, transformando a checagem em um hábito de consumo capaz de esvaziar as feiras de produtos de origem duvidosa.

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