PL aciona TSE para suspender propagandas do governo Lula por “estouro” de gastos em ano eleitoral

Partido alega que a gestão federal ultrapassou o teto legal de despesas com publicidade institucional no primeiro semestre e pede o bloqueio imediato de novas campanhas.
Redação NC News
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​O Partido Liberal (PL) protocolou nesta quarta-feira (24) uma representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) exigindo a suspensão imediata de todas as campanhas publicitárias do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A legenda acusa o Executivo e a Secretaria de Comunicação Social (Secom) de conduta vedada por terem, supostamente, ultrapassado o teto legal de gastos com publicidade em ano eleitoral.

​A legenda solicitou ao TSE uma medida liminar (decisão provisória e urgente) que determine a suspensão de novos empenhos e autorizações de despesas, além da apresentação detalhada de todos os gastos realizados em 2026 com a comunicação institucional do governo.

​A base legal da denúncia é o artigo 73 da Lei nº 9.504/97, a Lei das Eleições. O dispositivo proíbe expressamente o uso da máquina administrativa e de recursos estatais para garantir vantagens ou benefícios eleitorais durante o ano do pleito. Como Lula é pré-candidato à reeleição, o PL argumenta que a intensificação da propaganda oficial tem o objetivo claro de beneficiá-lo politicamente.

​Os números apresentados na denúncia

​Para fundamentar a acusação, os advogados do PL extraíram dados de sistemas oficiais da Administração Federal, como o Portal da Transparência e o Siga Brasil. Segundo o levantamento, houve uma “intensificação extraordinária” da comunicação governamental.

​Os dados apresentados na representação apontam dois níveis de excesso de gastos:

​Gastos gerais com publicidade e patrocínios (Siga Brasil): Até o dia 18 de junho, as despesas chegaram a R$ 785 milhões. Segundo o PL, o limite permitido para o período era de R$ 618 milhões. Isso representa um estouro de R$ 167,6 milhões (cerca de 30% acima do teto).

​Gastos diretos da Secom: Avaliando apenas os arquivos de publicidade institucional da Secretaria de Comunicação, o valor alcançou R$ 178 milhões até 15 de junho. O limite legal seria de R$ 135,7 milhões, configurando um excesso de R$ 42,3 milhões.

​Campanhas na mira do PL

​O documento protocolado no TSE também lista exemplos de propagandas governamentais que, segundo o partido, estariam sendo “turbinadas” de forma incompatível com as restrições impostas pela lei eleitoral.

​Entre as campanhas citadas pelo PL estão as divulgações do Novo PAC, do Plano Brasil Soberano, da COP30 e a comunicação em torno da ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda.

​A ação destaca ainda a forte publicidade envolvendo a proposta de mudança da escala de trabalho 6×1. O PL aponta que o governo está investindo pesado na promoção de um projeto que sequer foi aprovado, utilizando recursos públicos para pautar o eleitorado com um tema que ainda está em tramitação no Congresso Nacional.

​O TSE agora deve notificar o governo federal e a Secom para apresentarem suas defesas antes de decidir sobre o pedido de liminar.

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