A Holanda vence a Tunísia por 3 a 1 nesta quinta-feira (25), às 20h, no Arrowhead Stadium, em Kansas City, e garante a liderança do Grupo F do Mundial de Seleções. O resultado leva os holandeses às oitavas de final para enfrentar o Marrocos, enquanto a Tunísia se despede da competição sem pontos.
Gol contra relâmpago e grupo definido em minutos
O jogo mal começa e a Holanda transforma a partida em formalidade. Aos 2 minutos, Dumfries cruza rasteiro pela direita, a defesa tunisiana se atrapalha e Skhiri empurra contra o próprio gol. O lance entra para a história estatística: é o 12º gol contra deste Mundial, marca que iguala o recorde registrado em 2018.
A Tunísia tenta respirar, mas a equipe de Ronald Koeman não reduz o ritmo. Aos 6 minutos, Reijnders cobra falta cruzada, Van Dijk desvia de cabeça e a bola sobra limpa para Brobbey completar, na pequena área. Em sete minutos, a seleção europeia confirma a impressão de domínio e torna a missão africana quase impossível.
O placar de 2 a 0 deixa clara a diferença entre uma equipe que disputa a liderança e outra que carrega duas goleadas recentes. A Tunísia chega a ameaçar com Ben Slimane em cabeceio perigoso, que Verbruggen defende, mas não consegue em nenhum momento transformar essa chance em tendência.
Em Kansas City, o jogo se desenha sob o mesmo roteiro que elimina a seleção tunisiana já na segunda rodada. Os 5 a 1 para a Suécia e os 4 a 0 para o Japão expõem uma equipe frágil fisicamente e desorganizada atrás, pressa demais na troca de comando técnico e pouca capacidade de reação quando sofre o primeiro golpe.
Tunísia reage, mas Van Hecke mata qualquer esperança
O intervalo chega com a Holanda em controle total, trocando passes, usando a largura do campo e sem se desgastar além do necessário. Koeman orienta do banco, gesticulando para que o time mantenha a posse e evite divididas inúteis. Do outro lado, Hervé Renard tenta reorganizar um grupo que já entra pressionado por uma campanha desastrosa e por crise aberta na federação tunisiana.
A volta para o segundo tempo oferece, por alguns minutos, um enredo diferente. Aos 8 minutos, Mejbri cobra escanteio pela direita, Mastouri se antecipa à marcação e cabeceia firme, diminuindo para 2 a 1. É o primeiro momento em que a Tunísia parece, de fato, dentro da partida.
Enquanto isso, no outro jogo do grupo, Japão e Suécia se alternam no placar e mantêm a matemática viva. O gol tunisiano coincide com o gol japonês em Dallas, igualando a pontuação com a Holanda em 6 pontos e deixando a liderança decidida no saldo de gols. A combinação acende um alerta imediato no banco holandês.
O susto dura pouco. Aos 16 minutos, em novo lance de bola parada, Van Hecke sobe na área após escanteio, cabeceia para o gol e conta com desvio em Slimane antes de a bola enganar o goleiro Dahmen. O 3 a 1 recoloca a Holanda em vantagem confortável no saldo, zera a tensão e, na prática, resolve o grupo.
A partir daí, a equipe laranja retoma a cadência do início, gira o jogo, evita riscos e administra o relógio. A Tunísia se lança na base da vontade, mas não tem repertório tático para furar a estrutura defensiva montada por Koeman. A diferença de recursos técnicos pesa a cada disputa, a cada inversão de bola, a cada erro de saída tunisiano.
Gestão de elenco e prêmio estratégico: fugir do Brasil
A reta final vira laboratório. Em vantagem, Koeman mexe com critério, já com as oitavas de final no horizonte. Aos 31 minutos do segundo tempo, Brobbey deixa o campo para a entrada de Memphis Depay, maior artilheiro da história da seleção holandesa, poupado do desgaste inicial e preservado para o mata-mata.
O meia Gravenberch também ganha minutos, assim como outras peças que devem ser úteis nas próximas fases. A Holanda termina a primeira etapa do Mundial com 7 pontos, 10 gols marcados e saldo positivo de 6. A campanha confirma o plano traçado antes da rodada: vencer, assegurar a liderança e, sobretudo, evitar o Brasil logo de cara.
O desenho final da chave atende exatamente a esse objetivo. Com o empate entre Japão e Suécia em 1 a 1, os japoneses fecham o grupo em segundo lugar e vão enfrentar a seleção brasileira. A Holanda encara o Marrocos, segundo colocado no grupo do Brasil, adversário duro, mas considerado menos ameaçador que a equipe de Vini Jr. e companhia.
O desempenho reforça a percepção de força do futebol europeu. Analistas internacionais ecoam a leitura de que a seleção laranja volta a figurar no bloco de candidatos ao título. Em transmissões internacionais, a frase se repete: “A Holanda levou a Tunísia às cordas com muita rapidez”, registra a CNN Brasil, ao comentar o início avassalador em Kansas City.
Tunísia em frangalhos e reflexos fora de campo
Do lado tunisiano, o saldo da campanha é devastador. A seleção encerra o Mundial com 0 ponto e saldo de -10 gols, cenário que amplia a crise que já se desenhava com a demissão de Sabri Lamouchi logo após a estreia. Hervé Renard, chamado às pressas, mantém a base do time, mas não consegue estancar a sangria defensiva.
O fracasso compromete a imagem internacional do futebol tunisiano, afasta investidores e reduz o apelo para direitos de transmissão e patrocínios. Sem vitórias, sem atuação de impacto e com placares elásticos, a seleção perde espaço num mercado global em que visibilidade de Mundial pesa em contratos futuros.
Internamente, a federação deve enfrentar pressões por reformulação profunda, da preparação física à abordagem tática. A insistência em uma estrutura defensiva que não protege a área, somada a falhas individuais em série, alimenta o debate sobre renovação de elenco e de comando. O desempenho em Kansas City se soma às goleadas anteriores e monta um retrato incômodo.
Nos bastidores, dirigentes e técnicos de outras seleções observam com atenção outro dado da noite: o gol contra de Skhiri ajuda a igualar o recorde de 12 autogols em uma única edição. O número expõe falhas de posicionamento, nervosismo sob pressão e desajustes na linha defensiva, e deve influenciar treinos específicos de bolas cruzadas e tomadas de decisão sob risco.
Holanda em alta, mata-mata à vista
A vitória em Kansas City fecha a fase de grupos com a Holanda em alta, elenco confiante e plano de jogo assimilado. Koeman atinge o objetivo traçado desde o sorteio: avançar em primeiro lugar, com margem confortável, e encarar um caminho teoricamente menos árduo até as quartas.
Os próximos dias serão de ajustes finos. A comissão técnica analisa o Marrocos, trabalha variações táticas e observa o desgaste físico acumulado, enquanto o país se anima com a possibilidade de voltar às fases finais do Mundial de Seleções. Em outro ponto do mapa, a Tunísia inicia balanço amargo e discute qual caminho percorrer para não repetir, no próximo ciclo, uma eliminação tão precoce e traumática.