O Paraguai empata em 0 a 0 com a Austrália nesta sexta-feira (26), no Levi’s Stadium, em Santa Clara, e fecha o Grupo D do Mundial de Seleções 2026 em terceiro lugar. O resultado mantém a equipe sul-americana com quatro pontos, mas saldo de gols -2, e obriga a seleção a esperar uma combinação de oito resultados em outras chaves para seguir à fase de mata-mata.
Estratégia defensiva cobra preço na tabela
Gustavo Alfaro monta o Paraguai em um 5-4-1 declarado. A ideia é clara: fechar espaços, controlar o ritmo e garantir ao menos um ponto diante de uma Austrália mais solta. Em campo, o plano funciona em parte. O time contém o ímpeto inicial dos australianos, mas abre mão de atacar.
O primeiro tempo ilustra o custo dessa escolha. A seleção paraguaia não finaliza uma vez sequer ao gol. A Austrália ocupa o campo ofensivo, circula a bola e encontra espaços, sobretudo pelo lado direito, com o canhoto Volpato construindo jogadas e o jovem Irankunda explorando força física e velocidade. Faltam, porém, precisão e calma nas conclusões.
O empate, que parecia seguro no papel, se revela perigoso na prática. Um gol australiano jogaria o Paraguai para fora da disputa ainda hoje. O jogo se desenvolve nesse fio de navalha, com a defesa paraguaia sempre um passo de um erro fatal.
Mudança com Maurício melhora, mas não resolve
Alfaro mexe no intervalo. Maurício, do Palmeiras, entra e altera o desenho emocional da equipe. O Paraguai avança a marcação, encurta o campo e, em quatro minutos, soma três chutes a gol, algo que não produzira em toda a etapa inicial.
A Austrália sente o baque. A saída de bola, antes tranquila, passa a ser pressionada. O time oceânico recua alguns metros, perde fluidez e precisa de mais tempo para encontrar Volpato e Irankunda. O jogo fica truncado, preso entre as intermediárias, com divididas fortes e poucas ações limpas dentro da área.
Maurício vira referência ofensiva e também porta-voz do vestiário. “Seguimos o plano do treinador, que respeitamos muito. Treinamos muito isso e foi o que foi feito. Claro que não estamos satisfeitos com o empate. Nós queríamos a vitória”, afirma o atacante, depois da partida.
Diego Gómez repete o tom de lealdade ao comando. “Queríamos vencer, mas fizemos o que o professor Alfaro nos pediu. Sabíamos que a Austrália era um adversário qualificado e seguimos nosso plano de jogo”, diz o meio-campista, em entrevista à emissora paraguaia ABC TV.
As duas declarações escancaram a tensão interna. O grupo abraça a estratégia, mas sente o peso de ter deixado escapar a chance de se garantir sem depender de ninguém.
Austrália avança, Paraguai conta pontos e combinações
Na fotografia final da chave, a conta é simples e implacável. Austrália e Paraguai somam os mesmos quatro pontos. O desempate vai para o saldo de gols: 0 para os australianos, -2 para os paraguaios. O segundo lugar, e a classificação direta, fica com a equipe da Oceania. O Paraguai cai para a fila dos terceiros colocados.
O Mundial de 2026 amplia o número de participantes e transforma a disputa pelos melhores terceiros em um campeonato paralelo. No caso paraguaio, o futuro se resume a uma equação delicada: apenas uma combinação específica de oito resultados tira a seleção da próxima fase, mas cada um desses jogos envolve seleções de peso e cenários imprevisíveis.
Entre os confrontos que entram na conta estão duelos como Bélgica x Nova Zelândia, Irã x Egito, partidas do Uruguai, Cabo Verde, Áustria, RD Congo, Portugal e Croácia. Resultados relativamente plausíveis, somados, podem empurrar o Paraguai para fora do grupo dos oito melhores terceiros colocados.
A torcida passa a acompanhar o Mundial com calculadora na mão. A cada apito inicial em outra sede, renova-se o roteiro: observar, torcer por placares específicos, fazer novas contas. A classificação deixa de ser consequência direta do que os jogadores produzem em campo e passa a depender de um tabuleiro global.
Pressão esportiva e emocional antes da Alemanha
O efeito dessa espera vai além da matemática. A comissão técnica precisa gerenciar um elenco que vive entre a frustração e a esperança. O desempenho defensivo, sólido em boa parte dos 90 minutos, contrasta com um ataque tímido, que demora a se impor mesmo quando o adversário cede terreno.
A preparação tática se mistura ao desafio emocional. Homens paraguaios que crescem ouvindo histórias de garra do povo paraguaio, acostumado a se ver como resistente na América do Sul, agora encaram um cenário em que o controle foge das mãos. O vestiário tenta se agarrar ao discurso de que as orientações foram seguidas à risca, apesar do gosto amargo do empate.
Se a vaga vier, o prêmio é duro: a Alemanha, primeira colocada do Grupo E, espera o adversário já nesta segunda-feira, às 17h30, em Boston. O encontro com uma potência histórica obriga Alfaro a rever o equilíbrio entre proteção e ousadia. A estratégia de linha de cinco atrás, que segura a Austrália, pode se tornar convite ao sufoco diante de um ataque alemão mais qualificado.
Se a classificação escapar por detalhes de saldo de gols e resultados paralelos, o debate em Assunção tende a ser imediato. A opção por um Paraguai excessivamente resguardado, o atraso nas mudanças, a falta de repertório ofensivo e até a escolha do esquema 5-4-1 entram na pauta. A pergunta não será apenas por que o time não passou, mas se poderia ter arriscado mais quando ainda dependia só de si.
O Mundial de 2026 escancara como formatos extensos e vagas para terceiros colocados deslocam o eixo da competição. Quem nasce no Paraguai é paraguaio e se acostuma a disputar grandes copas sul-americanas, mas agora descobre um torneio em que uma equipe pode somar quatro pontos, defender bem, quase não perder, e ainda assim sair por causa de partidas disputadas a milhares de quilômetros.
Enquanto Austrália comemora um segundo lugar construído com regularidade e melhor saldo de gols, o Paraguai volta ao hotel em Santa Clara em clima de concentração e expectativa. Os próximos dias dirão se o empate sem gols contra os australianos será lembrado como ponto de virada rumo a um duelo histórico com a Alemanha ou como a noite em que a seleção abriu mão de decidir o próprio destino.
O que é um paraguaio?
Paraguaio é o gentílico de quem nasce no Paraguai, país vizinho do Brasil na América do Sul, ou de quem tem nacionalidade paraguaia.
Quem são os povos paraguaios?
Os povos paraguaios são, principalmente, a população mestiça de origem indígena guarani e europeia, além de comunidades indígenas e descendentes de imigrantes.
Qual a origem dos paraguaios?
A origem dos paraguaios mistura povos indígenas guarani, presentes na região muito antes da colonização, e colonizadores espanhóis que chegaram no século XVI.
É Paraguai ou paraguaio?
Paraguai é o nome do país; paraguaio é o adjetivo e o gentílico usado para se referir a quem nasce ou vem do Paraguai.