O rastro de dor deixado pelos terremotos históricos na Venezuela ganhou mais um capítulo trágico para o público do Triângulo Mineiro. O pastor Romildo Batista de Lima, de 69 anos, morador da cidade de Uberlândia (MG), foi identificado por familiares como o segundo cidadão brasileiro morto em decorrência dos abalos sísmicos que devastaram a região norte do país vizinho na última quarta-feira (24).
A confirmação do falecimento foi feita à família por meio de sua esposa, a venezuelana Carlha Nacarid, e repassada aos canais de imprensa locais por Jhulya Ribeiro de Lima, sobrinha do líder religioso. O casal estava na região metropolitana de Caracas quando o fenômeno — considerado o sismo mais violento a atingir o território venezuelano em mais de um século — pulverizou dezenas de edifícios e gerou um cenário de calamidade pública.
O desabamento e o resgate dramático do casal
De acordo com os relatos de bastidores compartilhados pela família, Romildo e Carlha foram surpreendidos pela violência dos tremores dentro do imóvel onde se encontravam. Ao perceberem a gravidade da oscilação estrutural, os dois tentaram correr em direção a uma área aberta para buscar proteção, mas uma das paredes divisórias colapsou e desabou diretamente sobre o casal.
Equipes de resgate locais e voluntários trabalharam na remoção dos escombros e conseguiram retirar o pastor e a esposa ainda com sinais vitais. Ambos foram transferidos às pressas por ambulâncias de emergência para uma unidade hospitalar em Caracas.
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O óbito do pastor: Romildo não resistiu à gravidade dos traumas causados pelo esmagamento e faleceu pouco tempo após dar entrada no hospital.
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A situação da esposa: Carlha Nacarid sobreviveu ao desabamento, sofreu uma severa fratura na região da bacia e permanece internada sob observação médica e cuidados assistenciais de bastidores na capital venezuelana.
Silêncio tático do Itamaraty ampara-se na Lei de Privacidade
Questionado formalmente se a identidade de Romildo Batista de Lima já constava nos relatórios consulares de monitoramento, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil (Itamaraty) adotou uma postura de silêncio tático por razões burocráticas e legais.
Em nota oficial enviada à imprensa, o órgão federal esclareceu que, devido ao direito constitucional à privacidade e em estrita observância às regras da Lei de Acesso à Informação (LAI) e do Decreto nº 7.724/2012, o governo brasileiro está legalmente impedido de divulgar, confirmar ou detalhar dados pessoais de cidadãos que demandam serviços consulares de urgência, limitando-se a reiterar o suporte integral às famílias.
Anteriormente, o governo federal já havia emitido um comunicado de pesar confirmando que o desastre natural havia ceifado a vida de dois cidadãos brasileiros em solo venezuelano — um homem e uma mulher —, mantendo o resguardo de suas identidades. O caso de Romildo soma-se ao de Vanessa Zacarias da Silva, de 44 anos, ex-moradora do Distrito Federal que também faleceu após o desabamento de seu prédio em Caracas.
O balanço atualizado das perdas humanas na Venezuela
As autoridades de saúde e os comitês de gerenciamento de crise da Venezuela revisaram os indicadores de impacto e emitiram um novo balanço oficial nesta sexta-feira (26), revelando que o tamanho da tragédia humanitária é substancialmente maior do que o estimado nas primeiras horas de buscas:
Os próximos desdobramentos em Uberlândia envolvem a mobilização de fiéis e amigos da comunidade evangélica local, que organizam correntes de oração e buscam apoio junto a representantes políticos mineiros para acelerar os trâmites burocráticos internacionais de liberação aduaneira. O objetivo de bastidores é garantir que o corpo do pastor Romildo seja repatriado com celeridade ao Brasil, permitindo que a família realize os ritos de despedida, velório e sepultamento em sua terra natal.
Entenda o Contexto
A recusa do Itamaraty em divulgar as identidades das vítimas brasileiras em tragédias internacionais é uma salvaguarda jurídica padrão destinada a proteger as famílias de exposições midiáticas desnecessárias ou assédio em momentos de vulnerabilidade emocional extrema. No plano humanitário, o salto estatístico para 920 mortes na Venezuela evidencia que o terremoto duplo da última quarta-feira encontrou um ecossistema urbano vulnerável, com infraestruturas precárias que potencializaram os desabamentos. Para a população mineira e as comunidades religiosas, a perda de um pastor em missão ou viagem internacional expõe o alcance global das catástrofes naturais, transformando um evento sismológico distante em uma dolorosa realidade local que exige eficiência consular de bastidores para amparar os sobreviventes feridos e garantir o direito de luto dos familiares no Brasil.