Figueira Júnior, voz de Fry e Androide 17, morre aos 60

Morre aos 60 anos o dublador conhecido por dar voz a personagens icônicos em animações famosas.
Redação NC News
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O dublador Figueira Júnior, voz de Fry em Futurama e do Androide 17 em Dragon Ball, morre nesta sexta-feira, 26 de abril de 2024, aos 60 anos. A causa da morte não é divulgada pela família ou por colegas.

Perda sentida por fãs e estúdios

A notícia percorre rapidamente as redes sociais de dubladores e fãs de animação no Brasil. Nos estúdios que ainda contam com sua voz e sua direção, o clima é de choque.

Figueira Júnior se torna conhecido do grande público ao emprestar a voz a personagens centrais de animes e séries animadas. Fry, protagonista de Futurama, e o Androide 17, em diferentes fases da franquia Dragon Ball, fazem dele uma referência para gerações de espectadores.

Entre profissionais, o impacto vai além da comoção. Estúdios como Clone e Studio Gábia perdem um diretor experiente, responsável por orientar elencos inteiros e definir o tom de produções que chegam diariamente às plataformas de streaming, canais pagos e TV aberta.

Trajetória de São Paulo para os protagonistas

Nascido em São Paulo em 1º de janeiro de 1966, Figueira Júnior entra na dublagem ainda jovem. Em 1987, faz estágio na Álamo, um dos estúdios mais importantes do período, e começa como tantos colegas: em pontas rápidas e personagens de poucas falas.

Com o tempo, a voz firme, versátil e bem colocada passa a ocupar espaço de protagonista. Ele assume o Androide 17 nas diferentes encarnações de Dragon Ball Z, Dragon Ball GT e Dragon Ball Super, e incorpora Fry em Futurama, combinando humor, ironia e vulnerabilidade em português.

Nos bastidores, amplia o alcance da carreira ao migrar também para a direção. Dirige dublagens em estúdios como Clone e Studio Gábia e assina trabalhos em produções de peso, entre elas o filme Evangelion: 1.0 You Are (Not) Alone, título de forte culto entre fãs de animação japonesa.

A formação na Álamo, escola de muitos nomes da dublagem brasileira, o coloca em contato com uma geração que profissionaliza o setor e consolida um padrão de qualidade reconhecido mundialmente. Nesse ambiente, ele desenvolve uma combinação rara de técnica, escuta e senso de humor que colegas agora lembram com saudade.

Amizades, bastidores e a visita que virou despedida

A morte de Figueira Júnior é confirmada publicamente por duas colegas de longa data, ambas também associadas ao universo Dragon Ball. Tânia Gaidarji, voz da Bulma, e Fátima Noya, voz de Gohan e Goten crianças, publicam homenagens emocionadas.

Em uma delas, Tânia recupera o último encontro com o amigo, poucos dias antes. “Meu grande amigo Figueira Júnior nos deixou. Ele foi me visitar várias vezes no Instituto do Coração e tiramos essas fotos na quinta-feira da semana passada, um dia antes da minha cirurgia. Ele estava me dando forças e acalmando. E estava feliz e esperançoso porque estava tomando uma nova medicação, também para o coração”, escreve.

O detalhe da roupa transforma o relato em símbolo de uma carreira inteira dedicada à dublagem. “Nesse dia, por coincidência, ele foi com a camiseta do Android 17 e eu estava com a camiseta da Bulma. Por quê não dei as Sementes dos Deuses pra ele?”, completa Tânia, misturando dor e o humor que marca o próprio universo dos personagens.

A ausência de informações oficiais sobre a causa da morte gera especulações entre fãs, mas colegas insistem no foco no legado profissional e humano. O silêncio da família é respeitado, enquanto a comunidade da dublagem se organiza para celebrar sua trajetória.

Legado, família e um mercado em transformação

Entre os que herdam diretamente esse legado está o sobrinho Daniel Figueira, hoje um dos nomes em ascensão no setor. Conhecido por dar voz a Tanjiro Kamado em Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba, Daniel entra no universo da dublagem levado pelo próprio tio à Álamo, ainda criança, quando o estúdio busca vozes infantis.

A história familiar ilustra a dimensão da perda. Figueira Júnior não só cria personagens inesquecíveis, como ajuda a formar a geração seguinte de dubladores. Para jovens profissionais, ele é referência de generosidade em estúdio e rigor na direção, alguém que cobra interpretação precisa, mas abre espaço para experimentação.

Na prática, a morte do dublador pressiona estúdios e distribuidoras a definirem o futuro de personagens que ele marca com sua voz. Fry e o Androide 17, presentes em reprises, novas temporadas, filmes especiais e remasterizações, exigem agora novas escolhas de elenco, testes de voz e uma negociação cuidadosa com fãs.

Especialistas do setor lembram que a dublagem brasileira se apoia fortemente na continuidade de vozes ao longo de décadas. Quando um ator morre, a substituição passa por um processo delicado para evitar rupturas bruscas na experiência do público.

Ao mesmo tempo, a saída de cena de um nome experiente abre espaço para que novas vozes ascendam, tanto em papéis principais quanto na direção de dublagem. No curto prazo, há um vácuo técnico e artístico. No médio, o mercado tende a se reorganizar, e a própria comoção em torno da morte de Figueira Júnior pode impulsionar uma valorização maior do ofício e de seus profissionais.

Homenagens e o desafio de seguir em frente

Nos próximos meses, a expectativa é de que eventos ligados à cultura pop e à dublagem organizem homenagens específicas ao ator. Convenções de anime, festivais de cinema e encontros de fãs já começam a mencionar sessões especiais e painéis dedicados a sua obra.

Em estúdio, colegas discutem tributos discretos, como créditos dedicados, menções em episódios inéditos e registros em bastidores de produções das quais ele participa. A memória do dublador tende a permanecer viva em reprises constantes de Futurama, Dragon Ball e outros títulos em que sua voz está gravada.

A morte de Figueira Júnior encerra uma trajetória de quase quatro décadas dedicadas à dublagem, desde o estágio na Álamo em 1987 até os trabalhos mais recentes em direção. A pergunta que fica para o setor é como transformar a perda em impulso para formar novos talentos e garantir que vozes como a dele continuem a nascer, crescer e marcar gerações no áudio em português.

Quem é o dublador Figueira Júnior?

Figueira Júnior é um dublador paulista, nascido em 1º de janeiro de 1966, conhecido por dar voz a Fry em Futurama e ao Androide 17 em Dragon Ball, além de atuar como diretor de dublagem.

Quem foi o dublador que morreu recentemente?

O dublador que morre recentemente é Figueira Júnior, voz de Fry em Futurama e do Androide 17 em Dragon Ball, que falece em 26 de abril de 2024, aos 60 anos.


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