Brasileiro investigado por integrar grupo criminoso inspirado no neonazismo é preso na Itália

Suspeito era alvo de mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça Federal de Santa Catarina e estava na lista de procurados da Interpol; extradição já foi iniciada
Redação NC News
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Um brasileiro investigado por integrar uma organização criminosa inspirada na ideologia neonazista foi preso neste sábado (27) na cidade de Pavia, no norte da Itália. A captura foi realizada por autoridades italianas após um alerta internacional emitido pela Interpol, atendendo a um pedido da Polícia Federal brasileira.

O suspeito tinha um mandado de prisão preventiva expedido pela 7ª Vara Federal de Florianópolis (SC). A identidade dele não foi divulgada pelas autoridades brasileiras, que confirmaram que o processo para sua extradição ao Brasil já está em andamento.

Segundo a Polícia Federal, o investigado é suspeito de integrar uma organização criminosa que promovia e difundia ideologias neonazistas. As investigações apontam possíveis crimes relacionados à discriminação racial e à participação em organização criminosa.

A prisão ocorreu após a inclusão do nome do brasileiro na Difusão Vermelha da Interpol, mecanismo utilizado para localizar e prender pessoas procuradas internacionalmente. Com a localização do suspeito em território italiano, as autoridades daquele país efetuaram a prisão.

Quais crimes são investigados?

As apurações envolvem, entre outros pontos:

prática de discriminação racial;
promoção e difusão de ideologia neonazista;
participação em organização criminosa.
A investigação tem como base a Lei nº 7.716/1989, que trata dos crimes resultantes de preconceito de raça ou cor, e a Lei nº 12.850/2013, que define organização criminosa. Até o momento, a Polícia Federal não divulgou detalhes sobre a estrutura do grupo nem sobre a atuação específica do investigado.

O caso é um dos desdobramentos das investigações conduzidas em Santa Catarina contra uma organização suspeita de atuar de forma estruturada, com hierarquia definida, recrutamento de integrantes e disseminação de discursos de ódio, principalmente em ambientes virtuais.

Em junho, o Ministério Público de Santa Catarina denunciou 14 investigados por suposta participação no grupo. Segundo os investigadores, a organização possuía regras internas, realizava encontros presenciais e utilizava plataformas digitais para divulgar conteúdos de intolerância racial, política, religiosa e sexual. A denúncia ainda será analisada pela Justiça, e os envolvidos permanecem sob investigação ou responderão ao processo caso a denúncia seja aceita.

O que acontece agora?

Com a prisão efetuada na Itália, será iniciado o processo de extradição para que o investigado responda à Justiça brasileira.

A extradição depende da tramitação entre as autoridades italianas e brasileiras, seguindo os acordos internacionais de cooperação judicial. Enquanto o procedimento estiver em andamento, o suspeito permanecerá à disposição da Justiça italiana.

Linha do tempo da investigação:

Operação em Santa Catarina;
denúncia do Ministério Público;
emissão da Difusão Vermelha da Interpol;
prisão na Itália;
início do processo de extradição.

Entenda o contexto

As autoridades brasileiras vêm ampliando o combate a grupos suspeitos de promover ideologias extremistas e discursos de ódio, especialmente aqueles que utilizam redes sociais e plataformas digitais para recrutamento e divulgação de conteúdo.

No caso investigado em Santa Catarina, o Ministério Público afirma que a organização possuía estrutura hierarquizada e planejamento para manter suas atividades. As acusações ainda serão analisadas pela Justiça, e os investigados têm direito à ampla defesa e ao contraditório ao longo do processo.

 

 

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