Figueirense e Guarani empatam em 1 a 1 na manhã deste domingo (28 de junho de 2026), no Orlando Scarpelli, pela 12ª rodada da Série C. O time catarinense sai na frente, joga todo o segundo tempo com um jogador a mais, mas leva o empate do líder aos 37 minutos e desperdiça a chance de encostar no G-8.
Empate que mantém tudo parecido, mas aumenta a pressão
Diante de 5.612 torcedores, o resultado mantém o cenário da competição quase intacto na tabela, mas expõe as urgências de cada lado. O Figueirense chega a 16 pontos, segue em 12º lugar e ainda distante do grupo dos oito que brigam pelo acesso à Série B. O Guarani, agora com 22 pontos, preserva a liderança e volta para Campinas com a sensação de ter somado um ponto em dia ruim.
Em campo, o desenho é claro. O time de Raul Cabral mostra evolução, cria mais, tem um jogador a mais desde o fim do primeiro tempo e abre o placar. Falha na hora de matar o jogo e vê o adversário, mesmo reduzido, encontrar espaço para reagir. A frustração da arquibancada traduz a preocupação de quem vê a recuperação andar, mas não o suficiente para transformar desempenho em vitória.
Primeiro tempo de domínio alvinegro e expulsão decisiva
O Figueirense entra em campo às 11h, horário de Brasília, com postura ofensiva. O técnico Raul Cabral conta com o retorno do capitão Lucas Dias, como já antecipara o ge: “O técnico Raul Cabral conta com o retorno do zagueiro e capitão Lucas Dias, que cumpriu suspensão pelo terceiro cartão amarelo”. Com ele, a defesa ganha liderança, e o time se sente seguro para adiantar as linhas.
O Guarani, de Elio Sizenando, chega a Florianópolis como líder, com 21 pontos, mas desfalcado. Antes da bola rolar, o próprio contexto já indicava dificuldades. Segundo o ge, “o técnico Elio Sizenando ainda não contará com força máxima na partida”. Suspensões de Nathan Melo e Maranhão e dúvidas físicas em Jonathan Costa e Emerson Barbosa forçam ajustes na escalação.
O roteiro inicial, porém, não respeita o favoritismo dos visitantes no mercado de apostas. O Figueirense empurra o Bugre para trás e acumula chances claras. Logo cedo, Lucas Alves aparece duas vezes cara a cara com Caíque França. O goleiro salva as duas, uma com os pés, outra em chute cruzado. A cada intervenção, o murmúrio nas arquibancadas cresce.
O Guarani tenta respostas em transições rápidas, mas encontra dificuldades para passar pela marcação adiantada. Quando parece controlar melhor o ímpeto do rival, sofre o lance que marca a partida. Aos 44 minutos do primeiro tempo, o zagueiro Raphael derruba Emerson Galego em contra-ataque. O árbitro baiano Emerson Ricardo de Almeida Andrade entende que é falta como último homem e aplica o vermelho direto. Como registra o ND Mais, “o árbitro baiano Emerson Ricardo de Almeida Andrade expulsou o jogador do Bugre”.
A expulsão muda o clima no estádio. A torcida do Figueirense sente que a chance de derrubar mais um líder está aberta. O time já havia vencido Botafogo-PB, Amazonas e Paysandu em situações semelhantes. O intervalo chega com a percepção de que, desta vez, a história pode se repetir.
Gol, controle e vacilo com um a mais
O segundo tempo começa com o Figueirense instalado no campo ofensivo. Com um a mais, o time de Raul Cabral gira a bola de um lado a outro, tenta infiltrações pelo meio e cruzamentos nas costas dos laterais. A recompensa vem aos 19 minutos. Igor Bolt recebe pela direita, avança e cruza. Zé Carlos aparece para completar e abrir o placar.
O gol alimenta a expectativa no estádio e muda até a matemática da tabela. Em avaliação do ND Mais, “o time alvinegro seguiu em busca do segundo gol, já que a vitória parcial colocava o time na 9ª posição com 18 pontos”. A pressão cresce, mas o segundo gol não sai. Faltam precisão no último passe e frieza nas finalizações.
O Guarani, mesmo com um a menos, não desiste. Elio Sizenando reorganiza a equipe, fecha espaços pelo centro e aposta em escapadas pela esquerda. A estratégia é simples: sobreviver atrás e esperar uma brecha. Ela aparece aos 37 minutos. Depois de boa troca de passes, a bola chega na ponta, o cruzamento sai da esquerda, e Ynaiã completa para empatar.
O empate é um choque para o Figueirense. O time tenta reagir na base da pressão, com cruzamentos seguidos na área de Caíque França. Lucas Dias ainda tem a chance da vitória em cabeçada que passa perto. A bola sai, e junto com ela a oportunidade de transformar a tarde em virada de chave na temporada.
Mercado acerta tendência, mas vê novo retrato do Figueira
Nos dias anteriores ao jogo, especialistas em apostas olham o duelo com desconfiança em relação ao mandante. O site ogol.com.br resume o cenário: “O mercado aponta o Guarani como favorito, mesmo com o Bugre atuando fora de casa”. A estatística pesa contra o Figueirense, que perde 60% dos jogos em casa na Série C.
Ao mesmo tempo, o comportamento recente da equipe catarinense já sugere outro enredo. O time chega ao confronto invicto há quatro partidas, com duas vitórias e dois empates, e consolida a imagem de time competitivo, ainda que irregular. Nas casas de apostas, a linha recomendada antes da bola rolar é de handicap asiático +0.5 para o Figueirense, além de mercados de menos de 2,5 gols e mais de 10,5 escanteios. O jogo de hoje confirma a leitura: equilíbrio no placar, poucos gols e muita bola levantada na área.
Para o Guarani, o empate reforça a imagem de equipe resiliente. Mesmo em dia de atuação abaixo da média, com desfalques e um jogador a menos desde o fim do primeiro tempo, o líder consegue evitar a derrota fora de casa. Por outro lado, a suspensão de Raphael para o próximo compromisso adiciona um problema à já desgastada defesa.
Semana de ajustes para seguir vivo na briga
A reação nas arquibancadas ao apito final é de irritação. Parte da torcida do Figueirense deixa o Orlando Scarpelli abaixo de 20 minutos após o fim, sem o usual aplauso de reconhecimento pela entrega. O sentimento é de oportunidade jogada fora, mais do que de ponto somado contra o líder.
Raul Cabral ganha agora uma semana cheia para tentar transformar desempenho em resultado. O próximo desafio é contra o Brusque, no dia 6 de julho, na Arena Simon, em confronto direto de quem busca se manter próximo da zona de classificação. A defesa precisa aprender a administrar vantagens, e o ataque tem de ser mais eficiente quando encontra um cenário tão favorável como o de hoje.
O Guarani volta para Campinas ainda na condição de time a ser batido na Série C. A diferença para os perseguidores não aumenta, mas o empate mostra que a margem de erro segue pequena. A comissão técnica vai precisar redesenhar o sistema defensivo sem Raphael e administrar o desgaste de um elenco que, rodada a rodada, é testado ao limite.
Se o equilíbrio visto neste 1 a 1 se repetir nas próximas semanas, a Série C de 2026 tende a oferecer uma briga intensa por vagas no G-8 até as últimas rodadas. Para o Figueirense, a questão passa a ser menos se o time evolui e mais se consegue, enfim, transformar domínio e vantagem numérica em vitórias concretas.
O Figueirense é uma SAF?
Não. Pelo contexto disponível, o clube segue no modelo associativo tradicional, sem anúncio de transformação em Sociedade Anônima do Futebol.