Quem é Kimbal Musk, o bilionário que planta comida nas cidades

Conheça o bilionário que alia tecnologia e sustentabilidade para transformar a alimentação nas cidades.
Redação NC News
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Kimbal Musk, irmão mais novo de Elon Musk, transforma desde 2011 a forma como cidades produzem e consomem alimentos, enquanto consolida um patrimônio estimado em US$ 1,6 bilhão.

Chef profissional, empresário e filantropo, ele investe em agricultura urbana, hortas escolares e tecnologia sustentável, num percurso que o mantém perto dos negócios da família, mas com agenda própria.

Do Vale do Silício à cozinha profissional

Nascido em 1972 em Pretória, na África do Sul, Kimbal cresce em uma casa onde tecnologia e negócios fazem parte da rotina. Ao lado de Elon, entra cedo no universo das startups.

Os dois fundam a Zip2, plataforma de serviços digitais para jornais. A venda da empresa para a Compaq, em 1999, muda a vida dos irmãos. O negócio rende o primeiro grande cheque e abre caminho para novas apostas.

Elon escolhe foguetes e carros elétricos. Kimbal toma outra direção. Vai para Nova York, matricula-se no International Culinary Center e se forma chef profissional. Enxerga a comida não só como produto, mas como linguagem social.

Ele costuma lembrar que, na infância, cozinhar era o momento em que a família se sentava à mesma mesa. Essa memória vira norte da nova fase: usar a alimentação para aproximar pessoas e redesenhar comunidades.

Restaurantes locais e hortas em escolas públicas

De volta ao empreendedorismo, Kimbal cria o Kitchen Restaurant Group, rede de restaurantes em cidades como Denver, Boulder e Austin. O cardápio privilegia produtores locais e agricultura sustentável.

A proposta é simples e ambiciosa ao mesmo tempo: encurtar a distância entre campo e mesa, garantir frescor e fortalecer economias regionais. O restaurante funciona como vitrine de um sistema alimentar que ele considera mais justo.

Em 2011, ele dá um passo além e funda a Big Green, organização sem fins lucrativos dedicada a instalar “jardins de aprendizagem” em escolas públicas, sobretudo em áreas de baixa renda. Sua meta declarada é chegar a um milhão de hortas verticais.

Os canteiros viram sala de aula ao ar livre. Alunos acompanham o ciclo da planta, aprendem a preparar refeições simples e discutem nutrição em um ambiente concreto, não só no livro. Para Kimbal, trata-se de uma política de saúde antecipada.

“É fundamental que todas as crianças, independentemente da condição econômica, tenham acesso a hortas”, afirma. A frase resume sua leitura de que obesidade infantil e má alimentação não se resolvem sem contato direto com a comida de verdade.

Fazendas em contêineres e o salto para a agricultura urbana

Em 2016, Kimbal volta ao universo da tecnologia, desta vez para levar o campo ao coração das metrópoles. Nasce a Square Roots, incubadora de fazendas verticais instaladas dentro de contêineres climatizados.

As unidades usam hidroponia, sistema em que plantas crescem em solução nutritiva, sem solo, e reaproveitam água de forma quase integral. As estruturas cabem em estacionamentos e galpões urbanos, perto de supermercados e restaurantes.

Hoje, a Square Roots cultiva mais de 120 variedades, da alface às ervas aromáticas, e planeja “super fazendas” com 25 contêineres operando lado a lado. A ideia é produzir em escala de bairro, cortando o caminho dos produtos até o consumidor.

Tobias Peggs, CEO da empresa e sócio de Kimbal, sustenta que o preconceito com alimentos cultivados em ambiente controlado perde força à medida que as pessoas experimentam o produto. “A qualidade dos alimentos de cultivo vertical é, no mínimo, equivalente à dos melhores orgânicos de campo”, diz.

A proximidade física com o consumidor reduz perdas na logística, diminui emissões no transporte e aumenta a previsibilidade das safras, já que as plantas crescem em ambientes fechados, imunes a secas e tempestades.

Da sala do conselho à pesquisa para Marte

Apesar do foco em comida, a maior parte da fortuna de Kimbal continua ligada ao ecossistema empresarial do irmão. Ele integra o conselho da Tesla desde 2004 e, entre 2002 e 2022, ocupa uma cadeira também na SpaceX.

Sua atuação é menos técnica e mais estratégica. Não projeta motores nem linhas de montagem, mas participa das decisões de governança e supervisão de empresas que se tornam símbolos da nova economia.

As estimativas mais recentes indicam que Kimbal detém cerca de 0,04% da SpaceX, fatia avaliada em aproximadamente US$ 760 milhões. A isso se somam ações da Tesla avaliadas em mais de US$ 500 milhões e ganhos superiores a US$ 300 milhões com opções e vendas de papéis da montadora.

O resultado é um patrimônio estimado em US$ 1,6 bilhão, que o coloca no clube dos bilionários, embora distante da fortuna de Elon. A diferença de escala entre os dois é uma das maiores entre irmãos no mundo corporativo.

A ligação com o espaço, porém, não é apenas financeira. A Square Roots pesquisa como suas fazendas compactas podem funcionar em ambientes extremos, de bases científicas isoladas a futuras missões fora da Terra. A mesma tecnologia que abastece bairros hoje pode cultivar vegetais em naves e módulos habitacionais amanhã.

Impacto social, desafios e os próximos passos

O conjunto de iniciativas de Kimbal pressiona a cadeia tradicional de alimentos. Hortas escolares e fazendas urbanas questionam um modelo baseado em longas distâncias, grande uso de insumos químicos e renda concentrada.

Comunidades de baixa renda e alunos de escolas públicas aparecem entre os maiores beneficiados. Ao colocar verduras e legumes frescos ao alcance físico e financeiro dessas famílias, os projetos ajudam a diversificar o prato e a criar repertório alimentar desde cedo.

Empresas de tecnologia agrícola e educação veem um campo fértil. Soluções para monitorar nutrientes, automatizar iluminação e desenvolver currículos de educação alimentar ganham relevância. O varejo de alimentos, por sua vez, precisa decidir se incorpora a produção urbana ou se tenta resistir a ela.

Produtores rurais tradicionais encaram um duplo desafio. De um lado, as hortas em contêineres não concorrem com grãos em larga escala. De outro, passam a disputar o segmento de hortaliças frescas com vantagens logísticas evidentes, o que exige adaptação e diferenciação.

A trajetória recente indica que Kimbal não pretende recuar. A expansão das super fazendas da Square Roots, a meta ambiciosa da Big Green e a Nova Sky Stories, empresa de shows de drones que substituem fogos de artifício com uma alternativa menos poluente, apontam para um portfólio cada vez mais alinhado à agenda climática.

Se Elon mira o futuro da mobilidade e das viagens interplanetárias, Kimbal parece concentrado em responder a uma pergunta mais prosaica, porém urgente: como alimentar bem bilhões de pessoas em cidades cada vez maiores, sem esgotar o planeta.

O desfecho dessa aposta ainda está em aberto. O que já se vê é um experimento em escala real de como tecnologia, agronegócio e política pública podem convergir para redesenhar o que vai ao prato de crianças e adultos nas próximas décadas.

Qual é a fortuna de Kimbal Musk?

O patrimônio de Kimbal Musk é estimado em US$ 1,6 bilhão, principalmente graças às participações em SpaceX e Tesla e aos ganhos com ações da montadora.

Quem é Kimbal Musk?

Kimbal Musk é empresário, chef profissional e filantropo, irmão de Elon Musk, conhecido por investir em alimentação sustentável, agricultura urbana e hortas escolares.


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