A Polícia Civil de Minas Gerais concluiu o inquérito sobre um dos casos de violência contra a mulher que mais chocaram o estado neste ano. O homem acusado de jogar a ex-companheira de um penhasco na Serra do Rola-Moça foi indiciado por seis crimes e, se condenado com a aplicação das penas máximas previstas na legislação, poderá cumprir até 86 anos de prisão.
O investigado é Silvanildo Amâncio de Araújo, de 52 anos. Segundo a Polícia Civil, ele é apontado como responsável pela tentativa de feminicídio contra a ex-companheira, de 41 anos, que foi encontrada com vida em um penhasco no dia 26 de maio de 2026, após horas de buscas na região da Serra do Rola-Moça, entre Belo Horizonte e municípios vizinhos.
Após o crime, Silvanildo fugiu da Região Metropolitana de Belo Horizonte, mas acabou localizado e preso no mesmo dia em Várzea da Palma, no Norte de Minas.
Quais crimes foram atribuídos ao investigado?
De acordo com a delegada regional de Ibirité, Ana Paula Gontijo, o homem foi indiciado pelos seguintes crimes:
- Tentativa de feminicídio;
- Descumprimento de medidas protetivas;
- Sequestro e cárcere privado;
- Roubo;
- Estupro;
- Tortura.
Segundo a investigação, o conjunto das acusações demonstra que a vítima teria sido submetida a uma sequência de violências físicas, psicológicas e sexuais antes de ser lançada do penhasco.
O que acontece agora?
Com a conclusão do inquérito, a investigação foi encaminhada ao Ministério Público, que irá analisar as provas reunidas pela Polícia Civil para decidir sobre o oferecimento da denúncia à Justiça.
Caso a denúncia seja aceita, Silvanildo responderá a uma ação penal pelos crimes apontados no inquérito. A eventual condenação e o tempo de prisão dependerão da decisão do Judiciário ao longo do processo.
É importante destacar que o indiciamento representa a conclusão da investigação policial e não significa condenação. O acusado terá direito à ampla defesa e ao contraditório durante a tramitação do processo.
Relembre o caso
O crime aconteceu em maio deste ano e provocou grande comoção em Minas Gerais. Segundo as investigações, Ana Cláudia Rodrigues da Silva Souza, de 41 anos, foi sequestrada pelo ex-companheiro, Silvanildo Amâncio de Araújo, de 52 anos, que a levou até a Serra do Rola-Moça, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
De acordo com a Polícia Civil, a vítima já possuía medidas protetivas contra o suspeito. Durante o trajeto, ela teria sido mantida em cárcere privado, agredida, torturada e vítima de violência sexual. Em seguida, foi empurrada de um penhasco de aproximadamente 50 metros de altura.
Mesmo gravemente ferida, Ana Cláudia conseguiu sobreviver. Ela passou cerca de 24 horas em uma área de mata, agarrada à vegetação, enfrentando frio, dores e desidratação, até ser localizada em uma operação que mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar. Após o resgate aéreo, foi levada ao Hospital João XXIII, onde passou por exames. Apesar das fortes dores na cabeça, pescoço e coluna, os primeiros exames não apontaram fraturas. Posteriormente, ela foi encaminhada ao Hospital Metropolitano Odilon Behrens para exames complementares após relatar ter sido vítima de abuso sexual.
No mesmo dia do resgate, Silvanildo foi localizado e preso em Várzea da Palma, no Norte de Minas. Durante as investigações, ele confessou ter empurrado a ex-companheira do penhasco. Desde então, permaneceu preso enquanto a Polícia Civil reunia provas para concluir o inquérito