A Justiça do Rio Grande do Sul condenou o influenciador digital e ex-participante de reality show Dilson Alves da Silva Neto, conhecido como Nego Di, a 14 anos e 6 meses de prisão em regime fechado. A decisão também atingiu sua esposa, Gabriela Vicente de Sousa, condenada a 8 anos e 4 meses de reclusão por lavagem de dinheiro.
A sentença foi proferida pela 2ª Vara Estadual de Processo e Julgamento dos Crimes de Organização Criminosa e Lavagem de Dinheiro. Segundo a decisão, o casal teria participado de um esquema que envolvia rifas eletrônicas consideradas ilegais, movimentação de recursos de origem ilícita e ocultação de patrimônio.
O que aconteceu?
Nego Di foi condenado pelos crimes de estelionato, lavagem de dinheiro qualificada, uso de documento falso e promoção de loteria ilegal. Somadas, as penas ultrapassam 14 anos de prisão. Sua esposa foi condenada por lavagem de dinheiro e também deverá cumprir pena em regime fechado.
A decisão é resultado de uma investigação que analisou a realização de rifas eletrônicas promovidas pelo influenciador nas redes sociais entre 2022 e 2024.
Como a investigação começou?
De acordo com o processo, o influenciador teria promovido ao menos 34 rifas eletrônicas sem autorização legal. Os sorteios prometiam veículos de luxo e prêmios em dinheiro para pessoas que comprassem números pela internet.
Entre os episódios investigados está uma rifa envolvendo um Porsche Macan, avaliado em cerca de R$ 500 mil. Segundo a acusação, o prêmio teria sido utilizado para atrair participantes, mas as autoridades concluíram que havia indícios de fraude na operação.
Quais foram as condenações?
A sentença detalha as seguintes penas para Nego Di:
9 anos, 4 meses e 8 dias por lavagem de dinheiro;
3 anos e 22 dias por uso de documento falso;
2 anos e 1 mês por estelionato;
1 ano e 15 dias por promoção de loteria ilegal.
Já Gabriela Vicente de Sousa foi condenada a 8 anos e 4 meses de prisão pelo crime de lavagem de dinheiro.
O que diz a acusação?
Segundo o Ministério Público, o esquema teria causado prejuízos a milhares de participantes das rifas. A acusação aponta que mais de 9,6 mil pessoas foram afetadas, com prejuízo estimado em aproximadamente R$ 185 mil.
A investigação também concluiu que mais de R$ 2,4 milhões teriam sido ocultados por meio de contas de terceiros, operações financeiras e aquisição de bens para dar aparência de legalidade aos recursos.
O caso da suposta doação às vítimas das enchentes
Outro ponto destacado na sentença envolve a divulgação de um comprovante de PIX relacionado às enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul.
Segundo a acusação, Nego Di publicou nas redes sociais um comprovante indicando uma transferência de R$ 1 milhão para uma campanha solidária. A investigação concluiu que a operação original teria sido de apenas R$ 100, levando à condenação pelo uso de documento falso.
O que diz a Justiça?
Na decisão, o magistrado afirmou que as provas demonstram que as atividades investigadas não eram episódios isolados, mas parte de uma estrutura organizada que movimentava milhões de reais por meio das redes sociais.
O juiz também rejeitou o argumento de que os envolvidos desconheciam a ilegalidade das rifas promovidas na internet.
O que diz a defesa?
Até a publicação desta reportagem, não havia posicionamento público da defesa sobre a condenação. Como o processo ainda está na esfera judicial, os advogados podem apresentar recursos às instâncias superiores.
O que acontece agora?
Apesar da condenação, o caso ainda não está definitivamente encerrado. A defesa poderá recorrer da sentença.
Enquanto isso, a decisão aumenta a pressão jurídica sobre o influenciador, que já havia sido alvo de outras investigações relacionadas a supostos crimes patrimoniais e operações realizadas pela internet.
CONTEXTO FINAL
Entenda o contexto
Nos últimos anos, autoridades de diversos estados passaram a intensificar a fiscalização sobre rifas eletrônicas divulgadas por influenciadores digitais. Muitas dessas ações utilizam redes sociais para atrair milhares de participantes e movimentam valores milionários.
As investigações buscam identificar possíveis práticas de estelionato, lavagem de dinheiro e sorteios realizados sem autorização legal. O caso de Nego Di se tornou um dos mais emblemáticos do país por envolver uma figura pública com milhões de seguidores e por ter mobilizado órgãos de investigação, Ministério Público e Poder Judiciário.
Agora, a condenação abre uma nova fase do processo, marcada pelos recursos da defesa e pela possibilidade de revisão da sentença em instâncias superiores.