O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aproveitou a 68ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, realizada nesta terça-feira (30) em Assunção, no Paraguai, para fazer um anúncio de forte impacto no cenário político nacional: ele será candidato à reeleição em outubro de 2026. A declaração ocorreu de improviso, logo após a leitura de um discurso institucional focado na integração do bloco sul-americano.
Segundo o presidente, a decisão de buscar um quarto mandato visa “garantir que o país se mantenha como um país democrático”. Sem citar nomes de forma direta, o petista alertou que a democracia tem sofrido sérias ameaças globais, relembrando as recentes tentativas de ruptura institucional no Brasil. Nas urnas, o principal adversário de Lula deve ser o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência endossado pelo bolsonarismo.
“Ninguém é dono da América do Sul”
Em um momento de forte polarização e de ascensão de governos de direita na região, Lula adotou um tom de conciliação comercial, mas com recados políticos inegáveis. O presidente brasileiro destacou que “ninguém é dono” do continente e defendeu que a sobrevivência do Mercosul — criado há 35 anos como resposta a governos autoritários — deve estar acima de diferenças ideológicas passageiras entre os presidentes de turno.
A cúpula contou com a presença de líderes do Paraguai, Uruguai, Chile e Equador. A principal ausência foi a do presidente argentino, Javier Milei, adversário político de Lula, que alegou compromissos internos e enviou seu chanceler, Pablo Quirino, como representante oficial. Curiosamente, Milei esteve no Brasil um dia antes da cúpula para um encontro amigável com Flávio Bolsonaro.
Expansão econômica e a criação do PIX no Mercosul
A fim de modernizar as relações econômicas do bloco, Lula apresentou dados que mostram a força da região: o comércio interno entre os membros saltou de US$ 4,5 bilhões, em 1991, para expressivos US$ 50 bilhões em 2025. Para manter o ritmo de crescimento, o governo brasileiro propôs inovações estruturais:
- PIX Regional: A proposta sugere usar a tecnologia e a arquitetura do PIX brasileiro como base para criar um sistema unificado de pagamentos instantâneos no Mercosul. O objetivo é reduzir custos transacionais e facilitar o uso massivo das moedas locais.
Inteligência Artificial: O presidente propôs um intercâmbio direto de experiências e tecnologias de IA entre as nações parceiras. - Novas Fronteiras Comerciais: O bloco oficializou nesta cúpula o início das negociações para uma parceria econômica com o Japão e confirmou que planeja buscar uma aproximação semelhante com a China no curto prazo.
Homenagem à Venezuela e união contra desastres
A devastação recente na Venezuela também marcou o encontro. A pedido de Lula, os chefes de Estado realizaram um minuto de silêncio em respeito às vítimas dos dois fortes terremotos que atingiram o país vizinho na última semana. O desastre natural já contabiliza oficialmente 1.719 mortos, além de milhares de desaparecidos e desabrigados.
Diante desse cenário de perdas extremas, o presidente brasileiro defendeu a criação imediata de um fundo sul-americano para desastres naturais. A iniciativa funcionaria como um mecanismo estratégico interligado para dar respostas rápidas a catástrofes e serviria como fonte de financiamento contínuo para projetos de adaptação climática na América do Sul, mitigando crises que já afetam diretamente os preços e a produção de energia e alimentos em toda a região.