Mortes por Terremotos na Venezuela passam de 2.200

Sobreviventes enfrentam colapso na saúde e risco de epidemias enquanto as chances de encontrar pessoas vivas nos escombros diminuem drasticamente.
Redação NC News
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A Venezuela vive dias de luto extremo e caos humanitário após os dois fortes terremotos que atingiram o país no último dia 24 de junho. Nesta quarta-feira (1º), as autoridades venezuelanas atualizaram o balanço oficial da tragédia, confirmando que o número de mortos subiu para 2.295. O rastro de destruição também deixou mais de 11 mil pessoas feridas e um contingente de desabrigados que cresce a cada dia.

De acordo com o mais recente pronunciamento do presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, há mais de 12.800 pessoas diretamente afetadas pela força dos abalos sísmicos. O cenário real, no entanto, pode ser muito pior do que as cifras oficiais revelam. Especialistas apontam uma forte subnotificação, uma vez que corpos continuam sendo retirados das ruínas diariamente e os necrotérios do país já operam acima do limite.

Esperança diminui nos escombros

O tempo é o maior inimigo das equipes de resgate. Historicamente, o período crucial para localizar sobreviventes após um terremoto concentra-se entre as primeiras 48 a 72 horas. Passada quase uma semana do desastre, os números oficiais de pessoas encontradas vivas caíram de forma vertiginosa: de expressivos 5.380 resgates realizados nos dois dias logo após o tremor, para apenas quatro sobreviventes encontrados na última segunda-feira (29) pelas autoridades governamentais.

Em um dos poucos momentos de alento, Jorge Rodríguez relatou que o único sobrevivente retirado dos escombros pelas forças oficiais até o fim da tarde de terça-feira foi uma criança, que permaneceu presa por angustiantes seis dias sob os escombros de um prédio. Frustrados com a lentidão da resposta oficial do governo, grupos de voluntários se uniram em várias partes do país para escavar e salvar vizinhos e parentes antes mesmo da chegada do apoio internacional, mas esses números de resgates civis não constam no balanço do Estado.

O colapso na saúde e o perigo iminente de epidemias

Entre os que conseguiram sobreviver, o desespero por infraestrutura básica e comida dá o tom do dia a dia. Agências da ONU calculam que o terremoto gerou assombrosos 1,2 milhão de toneladas de entulho.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) já ligou o sinal de alerta máximo para a crise sanitária no país. O sistema de saúde venezuelano — já combalido por anos de crise econômica e baixo investimento — entrou em colapso. O governo informou que 38 hospitais foram danificados. Muitos especialistas, incluindo responsáveis pelo cuidado materno na região de La Guaira, a mais atingida, estão desaparecidos entre os escombros.

Christian Lindmeier, porta-voz da OMS, descreveu as instalações médicas venezuelanas como caóticas: “marcadas por sobrelotação, crescentes atrasos cirúrgicos e uma falha nas medidas de biossegurança”.

O risco das ruas e a falta de higiene:

Mais de 15.800 deslocados, segundo a agência da ONU para refugiados, dormem atualmente nas ruas, em parques ou dentro de carros. As consequências dessa exposição são gravíssimas:

  • Falta de saneamento: Sem acesso a banheiros e sabão, a população está altamente exposta a infecções.
  • Surtos de doenças: A OMS teme a explosão rápida de doenças evitáveis, como o sarampo (devido à baixa taxa de vacinação local), além do risco de malária, febre-amarela e dengue, transmitidas em condições de água parada e acúmulo de lixo.
  • Fome e sede: Escassez generalizada de comida e longas filas no sol castigam a população que busca socorro nas tendas da Cruz Vermelha e do Programa Alimentar Mundial.

A dor é agravada pelo silêncio institucional sobre os desaparecidos. Sem listas oficiais, as famílias venezuelanas recorrem a grupos de WhatsApp e bases de dados não governamentais, onde mais de 43.000 pessoas chegaram a ser reportadas como não localizadas. A NASA estima que os tremores danificaram ou destruíram quase 59.000 edificações no país.

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