Suspeito de atentado contra Ronickson Pimentel morre em SP

Ação policial na Zona Leste resulta na morte do suspeito ligado ao ataque contra o tenente da Rota.
Redação NC News
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Um suspeito de participação no atentado contra o tenente da Rota Ronickson Pimentel dos Santos morre em ação policial na manhã desta quarta-feira, 1º de julho de 2026, na Zona Leste de São Paulo. O oficial, irmão de Eloá Pimentel, baleado na cabeça em 27 de junho, permanece internado em estado grave.

Atentado em plena luz do dia

O ataque contra Ronickson ocorre na manhã de sábado, 27 de junho de 2026, em um cruzamento movimentado da Avenida Goiás, em São Caetano do Sul, no ABC paulista. Parado no semáforo, o tenente é abordado por dois homens em uma moto, que disparam contra ele e fogem em seguida.

Alvejado na cabeça, o policial é levado às pressas para um hospital da região e passa por cirurgia neurológica de emergência. Depois, é transferido para a UTI Neurológica. Em boletim oficial, a Polícia Militar informa que “ele permanece internado na UTI Neurológica, sedado, em ventilação mecânica e sob acompanhamento contínuo da equipe médica. Apesar da evolução positiva, seu estado de saúde ainda é considerado grave”.

O atentado atinge um oficial de uma das tropas mais temidas e mais acionadas da PM paulista, a Rota, e desencadeia uma reação imediata das forças de segurança. O coronel Ivan Gonzaga, chefe do Centro de Comunicação Social da corporação, qualifica o episódio de forma direta: “O atentado é uma agressão ao Estado”.

Caçada aos suspeitos e prisões na Zona Leste

Já no dia seguinte ao ataque, domingo, 28 de junho, a investigação avança para a Zona Leste da capital. No Jardim Guaianazes, equipes da Polícia Militar localizam dois homens, de 40 e 52 anos, apontados como responsáveis por dar apoio logístico à dupla que está na moto no momento dos disparos.

Os suspeitos são detidos e levados ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Um terceiro homem, de 24 anos, acompanha o pai detido ao departamento, mas não é preso. Dois veículos usados para seguir e dar cobertura à moto são apreendidos e enviados para perícia.

Segundo a PM, os presos não aparecem como autores diretos dos disparos, mas como peças centrais no planejamento e na execução do ataque. A Justiça decreta prisão temporária de 30 dias para os dois, enquanto a Polícia Civil tenta reconstruir, passo a passo, a rota do crime. O major Marcos Verardino, da Rota, resume o que os investigadores encontram até agora: “Foram coletados elementos que apontam o planejamento prévio do atentado pelos envolvidos”.

Nesse estágio, a hipótese de participação do Primeiro Comando da Capital (PCC) ganha força dentro das apurações, mas ainda sem confirmação pública. A linha de investigação trabalha com a possibilidade de crime premeditado, organizado com antecedência e com funções bem distribuídas entre os participantes.

Suspeito morto em operação e pressão sobre o crime organizado

Quatro dias depois do ataque, na manhã desta quarta-feira, 1º de julho, as buscas chegam de novo ao Jardim Guaianazes. De acordo com a PM, uma denúncia leva equipes da Rota a um homem apontado como suspeito de envolvimento direto na tentativa de homicídio.

A corporação relata que ele reage à aproximação dos policiais e troca tiros com as equipes. Baleado, é socorrido a uma unidade de saúde da região, mas não resiste. A ocorrência é registrada no 68º Distrito Policial, que apura as circunstâncias do confronto. A eventual ligação do morto com a emboscada da Avenida Goiás fica a cargo da Polícia Civil.

A morte eleva a tensão em torno do caso e aumenta a pressão sobre eventuais mandantes e executores que ainda não foram identificados. O secretário de Segurança Pública de São Paulo, delegado Nico Gonçalves, afirma que a investigação já aponta planejamento de pelo menos três meses para o atentado, o que reforça o caráter organizado da ação.

Uma família marcada pela violência

O nome de Ronickson Pimentel desperta lembranças imediatas de outro crime que choca o país. Ele é irmão de Eloá Cristina Pimentel, morta aos 15 anos pelo ex-namorado Lindemberg Fernandes Alves em outubro de 2008, após cerca de 100 horas de cárcere privado em Santo André.

O sequestro de Eloá, acompanhado ao vivo por emissoras de televisão, transforma a adolescente em símbolo de uma geração exposta à violência doméstica e de gênero. Em 2012, Lindemberg é condenado por 12 crimes. No ano seguinte, o Tribunal de Justiça reduz sua pena para 39 anos e 3 meses de prisão. Ele cumpre pena na Penitenciária Dr. José Augusto Salgado, em Tremembé, no interior de São Paulo.

Dezessete anos depois da tragédia que envolve Eloá, a família Pimentel volta ao centro de um caso de grande repercussão nacional. Um irmão, agente de uma tropa de elite, agora luta pela vida em uma UTI, enquanto a polícia tenta entender quem armou a emboscada e por quê.

Impacto na segurança pública e próximos passos

O atentado expõe a vulnerabilidade de policiais, mesmo os mais treinados, diante da atuação de grupos criminosos em áreas urbanas. Um oficial da Rota, acostumado a entrar em comunidades dominadas por facções, é atacado parado em um semáforo, em uma avenida de alto fluxo.

A resposta das autoridades indica que o caso extrapola a figura individual do tenente. Ao classificarem o ataque como uma agressão ao Estado, comandantes da PM sinalizam risco de escalada entre forças de segurança e o crime organizado, em especial o PCC, apontado como possível articulador da investida.

A Polícia Militar mantém equipes dedicadas ao acompanhamento do quadro clínico de Ronickson e ao apoio à família. A Polícia Civil concentra esforços na identificação de todos os envolvidos, na análise dos veículos apreendidos e na coleta de imagens e registros eletrônicos que possam esclarecer o trajeto dos criminosos.

Os próximos dias serão decisivos para definir se o atentado se resume a um acerto de contas específico ou se faz parte de uma estratégia mais ampla contra agentes da Rota. Novas prisões são consideradas prováveis pelos investigadores. Ao mesmo tempo, o caso tende a alimentar o debate sobre proteção de policiais fora de serviço, protocolos de inteligência e a forma como o Estado reage a ações atribuídas a facções como o PCC em São Paulo.

O que aconteceu com o irmão da Eloá?

O irmão de Eloá, o tenente da Rota Ronickson Pimentel dos Santos, sofre uma emboscada em 27 de junho de 2026, é baleado na cabeça e segue internado em estado grave.

Quem é Ronickson Pimentel?

Ronickson Pimentel dos Santos é tenente da Rota, tropa de elite da PM paulista, e irmão de Eloá Pimentel, adolescente morta após 100 horas de cárcere privado em 2008.

Como está o tenente Pimentel hoje?

Segundo a PM, ele permanece na UTI Neurológica, sedado, em ventilação mecânica. Apresenta melhora do quadro neurológico, mas o estado de saúde ainda é considerado grave.


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