Após aparecerem tecnicamente empatados no mês passado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a abrir vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) na corrida presidencial. É o que revela a nova pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, divulgada nesta semana. No cenário de primeiro turno, o atual chefe do Executivo manteve a liderança isolada com 46,3% das intenções de voto, enquanto seu principal adversário sofreu uma queda expressiva e recuou para 36,6%.
No levantamento de maio, Flávio aparecia com 40%, registrando uma trajetória de recuperação que foi interrompida pelo recente período de turbulências. Lula, por sua vez, oscilou de forma estável, passando de 47,2% para os atuais 46,3% — variação dentro da margem de erro, que é de um ponto percentual.
Na sequência do primeiro turno, figuram Renan Santos (Missão), com 7,8%; Ronaldo Caiado (União Brasil), com 2,9%; Romeu Zema (Novo), com 2%; e Joaquim Barbosa (DC), que estreia com 1%. Demais candidatos registraram menos de 1%, enquanto brancos e nulos somam 1,1%.
Segundo turno: de empate para liderança petista
A mudança mais drástica captada pelo instituto ocorreu na simulação de segundo turno. Em maio, Lula e Flávio Bolsonaro registravam exatos 48% cada. Agora, o presidente consolidou 48,8% das intenções, enquanto o parlamentar fluminense encolheu para 42,3%. Indecisos, brancos e nulos somam 8,9%.
Analistas apontam que o tombo da oposição está diretamente ligado ao desgaste político sofrido por Flávio nas últimas semanas em duas frentes simultâneas:
- O caso Dark Horse: A revelação de pedidos de recursos financeiros ao banqueiro Daniel Vorcaro (controlador do liquidado Banco Master) para financiar a cinebiografia de Jair Bolsonaro abriu uma crise interna no PL.
- Racha familiar com Michelle: A ex-primeira-dama acusou publicamente o enteado de desrespeito durante as articulações dos palanques estaduais no Ceará — episódio que culminou na renúncia de Michelle ao comando do PL Mulher. O senador pediu desculpas públicas e tenta focar no eleitorado feminino para conter danos.
Lula resiste a ruídos governistas - Enquanto a oposição enfrenta fogo cruzado, a base aliada de Lula conseguiu blindar a imagem do presidente. Praticamente no mesmo período das entrevistas, a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero, que mirou o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), por supostas vantagens ligadas ao próprio Banco Master. Mesmo com a forte repercussão do caso do senador baiano (que nega irregularidades), Lula cruzou o período sem perdas de apoio eleitoral.
A AtlasIntel também testou o presidente em outros cenários de segundo turno, nos quais ele vence todos os oponentes: bate Ronaldo Caiado por 48% a 39%; supera Romeu Zema por 48,2% a 38,5%; vence Michelle Bolsonaro por 48,7% a 38,9%; e Renan Santos por 49,2% a 28,9%. Os dados mostram que Flávio segue como o nome mais forte da direita, mas liga o sinal de alerta no PL a poucos meses do pleito.
A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg ouviu 4.999 eleitores entre 26 e 30 de junho. A margem de erro é de 1 ponto percentual e o nível de confiança é de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o número BR-04582/2026.