O governo brasileiro confirmou nesta quinta-feira (2) uma nova etapa de negociações com os Estados Unidos para tentar evitar a imposição do pacote de tarifas sobre os produtos exportados pelo Brasil. Após a quarta reunião de alto nível entre o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Márcio Elias Rosa, e o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, os países concordaram em realizar novos encontros técnicos já no início da próxima semana.
O diálogo foi avaliado como “construtivo” pelo Mdic, mas o governo reconhece que ainda é necessário tempo para alinhar propostas e reduzir as divergências. A meta principal é promover um novo encontro ministerial antes do dia 15 de julho — data estabelecida por Washington para definir as retaliações comerciais. O avanço das conversas cumpre a orientação firmada em maio pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, de buscar uma solução diplomática.
O que está na mesa de debates?
As discussões entre as equipes do Brasil e dos EUA estão centradas nos seis eixos da investigação americana, baseada na Seção 301 de sua legislação comercial. Os principais temas debatidos são:
- Comércio digital;
- Tarifas preferenciais;
- Combate à corrupção;
- Proteção à propriedade intelectual;
- Etanol;
- Desmatamento ilegal.
- Durante as reuniões, a delegação brasileira também apresentou contestações técnicas às críticas de Washington a respeito das políticas nacionais de pagamentos eletrônicos, como o PIX, e decisões do Judiciário brasileiro.
Críticas à politização do comércio
Em evento no Rio de Janeiro, o ministro Márcio Elias Rosa voltou a mencionar as dificuldades externas que atrapalham as rodadas de negociação e fez críticas contundentes a opositores brasileiros.
“Toda vez que caminhamos positivamente surge um novo atropelo que precisamos superar. Essas pessoas poluem o debate político, ou colocam num debate econômico comercial um debate político que não deveria estar. Se o Brasil sair da mesa técnica, vai cair no equívoco daqueles que patrocinam o unilateralismo”, declarou o ministro.
A expectativa do Mdic é que os próximos dias sejam decisivos para aproximar as posições e garantir que os argumentos técnicos do Brasil se sobreponham aos ruídos políticos antes do esgotamento do prazo.