Os passageiros que dependem diariamente dos trens e do metrô na Grande São Paulo enfrentaram um primeiro semestre mais turbulento em 2026. Um levantamento mostra que as falhas no sistema ferroviário cresceram 27% em comparação com o mesmo período do ano passado, elevando a média para mais de uma ocorrência por dia e aumentando a preocupação de quem utiliza o transporte público.
Entre janeiro e junho foram registradas 205 falhas operacionais, contra 161 nos seis primeiros meses de 2025. O total já representa cerca de dois terços de todas as ocorrências contabilizadas durante o ano passado inteiro. Entram na conta problemas como defeitos em trilhos, falhas de sinalização, pane na rede aérea, avarias em equipamentos e descarrilamentos. Casos como atropelamentos, suicídios e alagamentos não fazem parte do levantamento.
Quais linhas registraram mais problemas?
Apesar da redução no número de ocorrências em relação ao ano anterior, a Linha 3-Vermelha do metrô permaneceu como a que mais apresentou falhas no primeiro semestre, somando 28 registros.
Na sequência aparecem a Linha 7-Rubi, administrada pela TIC Trens, com 21 ocorrências, e a Linha 8-Diamante, operada pela ViaMobilidade, com 20 registros.
O levantamento também mostra que o crescimento mais expressivo ocorreu entre as linhas concedidas à iniciativa privada. Juntas, elas passaram de 57 falhas no primeiro semestre de 2025 para 89 neste ano, uma alta de 56%.
O destaque ficou para a Linha 7-Rubi, que teve aumento de 600% no número de ocorrências em comparação com o mesmo período do ano anterior. Já a Linha 4-Amarela também apresentou crescimento significativo nas falhas registradas.
Linhas da CPTM também tiveram piora
As linhas que continuam sob operação da CPTM também registraram aumento nos problemas.
Segundo o levantamento, foram 36 falhas no primeiro semestre de 2026, contra 18 no mesmo período do ano passado, o que representa um crescimento de 100%.
A Linha 11-Coral chamou atenção por concentrar boa parte desse aumento, especialmente após registrar uma sequência de ocorrências durante o mês de junho.
O que dizem o Metrô e o governo?
Em nota, o Metrô informou que iniciou um novo programa de manutenção para reduzir falhas. Entre as medidas anunciadas estão a compra de novos equipamentos, tecnologias de inspeção automatizada dos trilhos e a fase final de implantação do sistema CBTC na Linha 3-Vermelha, dentro de um pacote de modernização estimado em R$ 700 milhões. A companhia também afirmou ter reforçado o monitoramento da infraestrutura para reduzir furtos de cabos, um dos fatores que impactaram a operação neste ano.
Já a Artesp informou que realiza fiscalização permanente das concessionárias, acompanha os indicadores de desempenho dos contratos e pode aplicar sanções quando identifica descumprimento das obrigações previstas. Segundo a agência, sempre que há ocorrências de maior gravidade são instaurados procedimentos para apurar as causas e verificar eventuais responsabilidades.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, afirmou que o aumento das falhas preocupa o governo e reconheceu que parte dos problemas é estrutural, envolvendo sistemas antigos de alimentação elétrica, via permanente e outras áreas que exigem investimentos elevados para serem solucionadas. Segundo ele, as concessionárias e as empresas estatais vêm realizando intervenções para reduzir os impactos aos passageiros.
Falhas também são alvo de investigações
Os problemas recorrentes em parte da malha ferroviária paulista também vêm sendo acompanhados pelo Ministério Público de São Paulo.
Neste ano, foram instaurados inquéritos para apurar a qualidade dos serviços prestados pela ViaMobilidade nas Linhas 8-Diamante, 9-Esmeralda e 5-Lilás. As investigações citam relatos de atrasos frequentes, falhas de sinalização, panes elétricas, superlotação e episódios de descarrilamento. A concessionária afirma que cumpre os acordos firmados e adota medidas para melhorar a operação.
Entenda o contexto
A malha de trens e metrô da Grande São Paulo transporta milhões de passageiros diariamente e depende de uma combinação entre linhas operadas pelo poder público e concessionárias privadas.
Nos últimos anos, parte da rede passou por processos de concessão, enquanto outras linhas continuam sob responsabilidade do Metrô e da CPTM. Ao mesmo tempo, o sistema enfrenta desafios relacionados à modernização da infraestrutura, ampliação da demanda e necessidade de investimentos em manutenção.
O aumento das falhas registrado no primeiro semestre de 2026 reacende o debate sobre a qualidade do serviço, a fiscalização das concessionárias e a velocidade das obras de modernização. Enquanto o governo promete investimentos e melhorias operacionais, passageiros seguem convivendo com atrasos, interrupções e superlotação em diferentes pontos da rede.