As últimas agendas públicas de Romeu Zema revelam uma estratégia clara de aproximação com um segmento específico da sociedade: empresários, investidores, lideranças do mercado financeiro e representantes do setor produtivo.
Nas últimas semanas, o presidenciável, que aparece como um dos nomes cotados para a disputa presidencial de 2026, participou de uma sequência de encontros com representantes do ambiente de negócios, incluindo reuniões em Brasília e São Paulo, jantares com grupos empresariais e conversas com lideranças ligadas ao empreendedorismo.
O movimento ocorre em paralelo ao discurso político adotado por Zema, que tem defendido uma agenda de redução de gastos públicos e feito críticas a programas de transferência de renda, como o Bolsa Família e também não inclui em seu roteiro de agendas conversas com comunidades e órgãos ligados à população baixa renda em cidades por onde tem passado. Aliado a isso, o governador afirma que o país precisa rever despesas e ampliar a eficiência do Estado, enquanto críticos apontam preocupação com possíveis impactos sobre políticas sociais.
Uma agenda voltada ao mercado
No último mês, Zema esteve no Centro Empresarial CNC, em Brasília, em uma agenda com representantes do setor empresarial. Também participou de um almoço com integrantes da frente ligada ao ambiente de negócios, em uma conversa voltada a temas como desenvolvimento econômico, empreendedorismo e o papel do setor privado na economia brasileira.
Em São Paulo, o governador também se reuniu com lideranças femininas ligadas ao mercado financeiro e corporativo durante um encontro promovido pelo Instituto Women Invest, no Morumbi.
A sequência incluiu ainda um jantar com integrantes da Frente Parlamentar do Empreendedorismo e outro encontro, em Pinheiros, com representantes da comunidade empresarial japonesa.
Aproximação com investidores e empresários
A série de compromissos reforça uma tentativa de Zema de construir uma imagem associada ao setor produtivo, apresentando sua trajetória como empresário e sua gestão em Minas Gerais como referência de uma política voltada ao equilíbrio fiscal e à redução da máquina pública.
O governador busca se apresentar ao eleitorado como um nome capaz de combinar crescimento econômico, atração de investimentos e controle das contas públicas. Esse discurso encontra receptividade entre setores empresariais, que costumam defender reformas estruturais, redução de burocracia e maior previsibilidade econômica.
O debate sobre programas sociais
Ao mesmo tempo em que amplia a conversa com empresários, Zema tem adotado um discurso crítico sobre o crescimento das despesas públicas. O governador defende um chamado “choque de gastos” caso avance para a Presidência da República, com a promessa de revisar despesas e buscar maior controle do orçamento.
A proposta, porém, abre um debate sobre quais áreas poderiam ser afetadas por uma política mais rígida de corte de gastos. Programas sociais, incluindo o Bolsa Família, Gás do Povo, e o Novo Desenrola Brasil, estes ultimo criados durante o governo Lula 3, estão no centro dessa discussão, já que representam uma parcela importante das políticas públicas voltadas para famílias de baixa renda.
A estratégia para 2026
A movimentação de Zema mostra uma construção política baseada em dois pilares: apresentar uma agenda econômica liberal para o mercado e tentar transformar sua experiência administrativa em Minas Gerais em uma credencial nacional.
A aproximação com empresários e investidores ajuda a consolidar apoio entre setores que buscam um candidato com discurso de responsabilidade fiscal.
O desafio será ampliar essa conexão para além do público corporativo e responder como suas propostas podem afetar milhões de brasileiros que dependem de políticas sociais.
Entenda o contexto
Romeu Zema ganhou projeção nacional após duas gestões como governador de Minas Gerais, defendendo uma agenda de redução de despesas, atração de investimentos e menor intervenção estatal na economia.
Com a aproximação da eleição presidencial de 2026, o governador passou a intensificar articulações políticas e encontros com diferentes setores da sociedade.
A estratégia atual indica uma tentativa de fortalecer apoio entre empresários e investidores, mas não conversa com um recorte também estratégico para as eleições.