A Prefeitura do Rio afirmou ter identificado um esquema de exploração ilegal de pontos de venda de ambulantes nas praias da Zona Sul da cidade. Segundo o município, o crime organizado cobraria até R$ 300 por dia de trabalhadores para permitir a atuação em áreas da orla entre o Leme e o Leblon.
De acordo com a administração municipal, a exploração dos espaços públicos movimentaria aproximadamente R$ 100 milhões por ano para grupos ligados ao tráfico de drogas.
As informações foram divulgadas durante o lançamento do Programa Tolerância Zero contra a Exploração Ilegal do Espaço Público, que prevê novas ações de fiscalização nas praias da Zona Sul.
Programa começa nas praias do Leme, Copacabana, Ipanema e Leblon
A operação de ordenamento está prevista para começar no dia 16 de julho e terá como foco os principais pontos da orla da Zona Sul.
Segundo a Prefeitura, o objetivo é combater a ocupação irregular de espaços públicos e impedir que áreas destinadas ao comércio legalizado sejam controladas por grupos criminosos.
O município afirma que o crime organizado teria controle sobre 22 depósitos usados para distribuir, vender e alugar equipamentos e estruturas utilizadas por ambulantes.
Prefeitura vai criar depósitos públicos
Como parte da estratégia, o prefeito Eduardo Cavaliere publicou no Diário Oficial a desapropriação de dois imóveis que serão transformados em depósitos públicos municipais.
Um deles fica na Rua Miguel Lemos, em Copacabana, e outro na Rua Teixeira de Melo, em Ipanema.
A proposta é utilizar os espaços para armazenar materiais apreendidos durante operações de fiscalização.
Mais de mil ambulantes estariam trabalhando sem autorização
Segundo a Prefeitura, atualmente existem cerca de 1.050 ambulantes regularizados para atuar na orla do Rio.
No entanto, o município estima que mais de 1.000 pessoas trabalhem de forma irregular, sem autorização oficial.
A Secretaria Municipal de Ordem Pública também informou ter identificado que aproximadamente 20% dos ambulantes irregulares seriam estrangeiros.
O que a Prefeitura pretende mudar
Com o novo programa, a Prefeitura afirma que pretende ampliar a fiscalização, combater a exploração ilegal do espaço público e reorganizar o comércio ambulante nas praias.
O município destaca que a ação busca separar trabalhadores autorizados daqueles que atuam em áreas controladas ilegalmente.
Entenda o contexto
A orla da Zona Sul do Rio é uma das áreas de maior circulação turística da cidade e concentra milhares de trabalhadores que dependem do comércio ambulante.
Nos últimos anos, órgãos públicos passaram a investigar denúncias de ocupação irregular e cobrança ilegal de valores para uso de pontos comerciais.
A Prefeitura afirma que o novo programa pretende combater a presença de grupos criminosos nesse mercado e garantir maior controle sobre quem pode atuar nas praias.