Irã ataca base dos EUA na Jordânia, acusa Pentágono de mirar usina nuclear e ameaça fechar o Estreito de Ormuz

O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) disparou dez mísseis balísticos contra uma base aérea norte-americana e alertou que a intervenção de Washington impedirá a reabertura da rota por onde passa um quinto do petróleo mundial.
Redação NC News
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A crise geopolítica no Oriente Médio atingiu um novo patamar de gravidade nesta quinta-feira (9). Após o presidente Donald Trump declarar o fim do cessar-fogo, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) do Irã realizou ataques diretos com mísseis contra instalações dos Estados Unidos na região e ameaçou travar completamente o fluxo marítimo no Estreito de Ormuz. Paralelamente, o governo iraniano acusou as forças americanas de bombardearem o perímetro de uma de suas usinas nucleares.

O Ministério da Saúde do Irã informou que os ataques dos EUA nos últimos dois dias deixaram pelo menos 14 mortos e 78 feridos. O Pentágono informou ter atingido 90 alvos na região em bombardeios noturnos, mas não relatou novas investidas ao longo do dia.

Ataque com mísseis balísticos na Jordânia

Em uma retaliação direta aos bombardeios norte-americanos, a Guarda Revolucionária do Irã anunciou uma ofensiva em larga escala contra uma base militar estratégica na Jordânia:

Foram disparados dez mísseis balísticos contra a Base Aérea Muwaffaq Salti, em Azraq, no norte da Jordânia, onde os EUA mantêm uma presença militar significativa.
Ameaça de Expansão: O comando militar iraniano foi categórico ao afirmar que a ação é um aviso. “Se as Forças Armadas dos EUA repetirem sua agressão, outras bases americanas na região não serão poupadas de ataques pesados”, declarou o IRGC em nota.

Projétil atinge perímetro de usina nuclear em Bushehr

Outro ponto de extrema fricção envolveu as instalações atômicas iranianas. O vice-governador da província de Bushehr afirmou à mídia estatal que projéteis disparados pelos Estados Unidos atingiram a região costeira, incluindo a área do perímetro da usina nuclear de Bushehr.

Até o momento, as autoridades locais informaram que a instalação principal não sofreu danos estruturais e que os sistemas de monitoramento não registraram nenhuma alteração nos níveis de radiação da área. Um píer voltado para barcos de pesca no litoral da cidade também foi destruído pelos impactos.

Bloqueio no Estreito de Ormuz e exigência de autorização

No campo econômico e logístico, a Marinha da Guarda Revolucionária do Irã frustrou as expectativas do mercado financeiro ao alertar que a intervenção dos EUA interromperá o processo de reabertura gradual do Estreito de Ormuz. O braço militar impôs condições severas para a circulação de navios comerciais pela via, que concentra 20% do comércio global de petróleo:

O Irã declarou que qualquer interferência externa na definição das rotas de navegação receberá uma resposta contundente. O comunicado oficial destaca que, a partir de agora, as embarcações comerciais que desejarem cruzar a região devem obrigatoriamente “obter autorização da Marinha da Guarda Revolucionária mediante o cumprimento rigoroso dos protocolos de segurança”.

Os militares iranianos reforçaram que “estrangeiros não têm qualquer interesse no Estreito de Ormuz” e que novas movimentações da Marinha americana provocarão uma “resposta esmagadora”.

Diplomacia de bastidores tenta conter o conflito

Enquanto as armas operam na região, canais diplomáticos tentam evitar uma guerra total. Fontes regionais confirmaram que governos do Paquistão e do Catar lideram uma força-tarefa de mediação de emergência para tentar trazer os representantes dos Estados Unidos e do Irã de volta à mesa de negociações.

Os dois países, que contam com o apoio logístico de Omã nas rodadas de conversas, foram os principais responsáveis por intermediar as reuniões na Suíça que culminaram no acordo provisório assinado em meados de junho — tratado que acabou implodido após a nova sequência de bombardeios e declarações oficiais nesta semana.

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