Quem é Thiago Miranda, publicitário alvo da PF por suposta ligação com Daniel Vorcaro e ataques ao Banco Central

Dono da agência MiThi é apontado pelos investigadores como possível articulador de uma estratégia que teria envolvido influenciadores e jornalistas em ações para defender o Banco Master e pressionar a imagem do BC
Redação NC News
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A Polícia Federal colocou o publicitário Thiago Miranda no centro da 10ª fase da Operação Compliance Zero, investigação que apura uma suposta estrutura criada para influenciar o debate público, atacar a credibilidade do Banco Central e intimidar jornalistas que investigavam negócios ligados ao Banco Master.

Miranda, dono da agência MiThi e ligado ao empresário Daniel Vorcaro, é apontado pelos investigadores como um dos principais articuladores de uma estratégia que teria usado contratos milionários, influenciadores digitais e ações coordenadas nas redes sociais. Ele nega ter contratado pessoas para atacar autoridades ou instituições públicas.

Quem é Thiago Miranda?

Thiago Miranda é publicitário e empresário do setor de comunicação. Ele é fundador da Miranda Comunicação, conhecida no mercado como Agência MiThi, empresa especializada em estratégias digitais, relacionamento e gestão de imagem.

Nas redes sociais, Miranda também se apresenta como fundador e sócio do portal de notícias Léo Dias.

O empresário ganhou destaque nas investigações envolvendo o Banco Master após a Polícia Federal identificar suspeitas sobre uma estrutura de comunicação criada para atuar no ambiente digital durante o período de crise envolvendo a instituição financeira.

Segundo os investigadores, a estratégia teria como objetivo melhorar a imagem do banco e de seus principais representantes, ao mesmo tempo em que buscava enfraquecer críticas relacionadas à atuação do Banco Central.

Qual é a ligação de Thiago Miranda com Daniel Vorcaro?

A investigação da Polícia Federal aponta uma ligação entre Miranda e Daniel Vorcaro, empresário relacionado ao Banco Master.

Segundo os investigadores, Miranda teria atuado na construção de uma estratégia de comunicação para defender a reputação de Vorcaro e da instituição financeira diante de questionamentos públicos.

Foto: Redes Sociais

A apuração busca esclarecer se contratos firmados com influenciadores digitais faziam parte de uma operação organizada para produzir conteúdos favoráveis ao banco e críticas direcionadas ao Banco Central.

Miranda afirmou em depoimento à Polícia Federal que seu trabalho tinha como objetivo uma “reconstrução reputacional da imagem” de Daniel Vorcaro e negou qualquer atuação para atacar autoridades ou órgãos públicos.

O que a Polícia Federal investiga?

A 10ª fase da Operação Compliance Zero investiga suspeitas de que um grupo teria utilizado estratégias digitais para interferir no debate público sobre o Banco Master e sobre decisões envolvendo o sistema financeiro.

De acordo com a PF, a investigação apura uma possível organização dedicada a:

produzir ações coordenadas nas redes sociais;
comprometer a credibilidade de instituições públicas;
monitorar pessoas ligadas a autoridades;
intimidar jornalistas;
obter informações sigilosas de forma ilegal.
Os investigadores afirmam que dados pessoais, financeiros e cadastrais de pessoas consideradas adversárias ou críticas ao grupo podem ter sido acessados de maneira irregular.

Como funcionava a contratação de influenciadores?

A investigação aponta que influenciadores digitais teriam sido contratados para publicar conteúdos relacionados ao Banco Master e críticas ao Banco Central.

Um criador de conteúdo de São Paulo relatou ter recebido R$ 7,8 mil por uma publicação com críticas ao BC. O pagamento, segundo ele, teria sido feito pela empresa de Thiago Miranda.

Ainda segundo o relato, depois dessa publicação teria sido apresentada uma proposta de contrato de três meses, com produção de oito vídeos por mês.

O acordo, conforme a investigação, poderia representar um pagamento total de aproximadamente R$ 188 mil ao influenciador após descontos de comissão.

Os contratos analisados pelos investigadores também teriam cláusulas de confidencialidade.

O que Thiago Miranda disse à Polícia Federal?

Em depoimento prestado em março, Thiago Miranda negou ter contratado influenciadores para atacar autoridades, instituições públicas ou integrantes do governo.

Segundo o publicitário, o trabalho realizado tinha como finalidade melhorar a imagem de Daniel Vorcaro e reconstruir a reputação do empresário diante da crise envolvendo o Banco Master.

A defesa de Miranda afirma que as atividades realizadas estavam dentro da atuação profissional de comunicação e gerenciamento de imagem.

O que aconteceu na nova fase da Operação Compliance Zero?

Na 10ª fase da operação, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão autorizados pelo Supremo Tribunal Federal.

A decisão judicial autorizou a apreensão de: documentos, computadores, celulares, dispositivos eletrônicos, mídias digitais, bens de alto valor, dinheiro em espécie acima de R$ 20 mil. A investigação também apura se houve tentativa de interferência em investigações criminais.

Quais crimes são investigados?
Segundo a Polícia Federal, os fatos analisados podem configurar, em tese:

  • crimes contra o sistema financeiro nacional;
  • organização criminosa;
  • embaraço à investigação;
  • possíveis violações de dados;
  • possíveis crimes envolvendo dispositivos informáticos.

Até o momento, os investigados não foram condenados e as apurações seguem em andamento.

Quem é Daniel Vorcaro?

Daniel Vorcaro é empresário ligado ao Banco Master e aparece como uma das figuras centrais da investigação. A Polícia Federal apura se houve uma estrutura organizada para proteger a imagem do empresário e da instituição financeira durante uma fase de forte pressão pública.

A investigação ainda busca esclarecer a participação de cada envolvido e quais ações teriam sido realizadas.

Entenda o contexto

A Operação Compliance Zero investiga uma suposta rede de atuação digital envolvendo empresários, profissionais de comunicação e influenciadores.

O caso ganhou repercussão porque envolve suspeitas de uso de estratégias de comunicação para influenciar a opinião pública, pressionar críticos e atingir a imagem de uma instituição responsável pela fiscalização do sistema financeiro brasileiro.

A Polícia Federal ainda trabalha na análise do material apreendido e na identificação de possíveis responsabilidades. O avanço das investigações deverá indicar se as suspeitas apresentadas possuem ligação com uma estrutura organizada ou se as ações estavam restritas a atividades legítimas de comunicação e defesa de imagem.

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