O pré-candidato à Presidência da República pelo PSD e ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, afirmou nesta quinta-feira (9), durante agenda no Rio de Janeiro, que o Pix não pode fazer parte de negociações internacionais e criticou o governo federal ao abordar o potencial brasileiro na exploração de terras raras.
Na entrevista, Caiado classificou o sistema de pagamentos instantâneos como um tema “inegociável” e afirmou que o Brasil perdeu oportunidades de desenvolver uma cadeia produtiva voltada aos chamados minerais estratégicos.
“Isso é inegociável”: o que Caiado disse sobre o Pix?
Questionado sobre o sistema de pagamentos instantâneos, Caiado afirmou que o Pix não deve ser tratado como moeda de negociação em acordos internacionais.
“Em relação ao Pix, eu quero dizer que isso é inegociável. Ponto final. Isso é uma produção nossa, fomos nós que desenvolvemos. Realmente isso aí não tem por que sentar na mesa de negociação.”
Segundo o pré-candidato, por se tratar de uma tecnologia desenvolvida no Brasil, o sistema deve permanecer fora de qualquer discussão envolvendo acordos comerciais ou diplomáticos.
Caiado critica governo ao falar sobre terras raras
Ao abordar o tema das terras raras, Caiado afirmou que o governo federal demorou a compreender a importância estratégica desses minerais.
“O governo do PT e o próprio Lula souberam o que é terras raras pesadas o dia que eu fiz um memorando de entendimento com o governo americano e com o governo japonês. Ele nem sabia o que era isso.”
Durante a coletiva, o pré-candidato defendeu que o Brasil deveria investir em todas as etapas da cadeia produtiva, desde a exploração mineral até a fabricação de componentes de alta tecnologia.
O que são terras raras?
As chamadas terras raras são um grupo de minerais utilizados na fabricação de produtos de alta tecnologia, como: baterias; semicondutores; turbinas eólicas; equipamentos médicos; veículos elétricos; sistemas de defesa; inteligência artificial.
Embora recebam esse nome, muitos desses minerais não são necessariamente escassos, mas exigem processos complexos para extração e separação.
Caiado defende industrialização no Brasil
Durante a coletiva, o pré-candidato afirmou que o país precisa deixar de exportar apenas matérias-primas e avançar na produção de itens de maior valor agregado.
Segundo ele, o Brasil deveria dominar todas as etapas da cadeia industrial ligada às terras raras. “O país precisa explorar, separar os minerais, fabricar as ligas metálicas e produzir semicondutores, baterias e equipamentos de alta tecnologia”, afirmou.
Crítica ao modelo econômico
Na avaliação de Caiado, o Brasil ainda é visto por outros países apenas como fornecedor de commodities.
“Os países enxergam o Brasil de forma colonial. O Brasil exporta soja, exporta minerais críticos e não sabe desenvolver o potencial que tem.” Ele também afirmou que o país perdeu oportunidades em áreas como inovação tecnológica e inteligência artificial.
Entenda o contexto
As declarações ocorreram durante agenda de Ronaldo Caiado no Rio de Janeiro, onde o pré-candidato respondeu a perguntas sobre economia, comércio internacional e desenvolvimento tecnológico.
Nos últimos meses, o debate sobre soberania tecnológica ganhou força diante das discussões envolvendo relações comerciais internacionais, enquanto as terras raras passaram a ocupar espaço estratégico nas disputas globais por cadeias produtivas ligadas à indústria de alta tecnologia, energia e defesa.