A Polícia Federal ampliou as investigações sobre a fraude contábil da Americanas e passou a apurar se executivos do Itaú e do Santander tiveram participação na ocultação de operações financeiras que ajudaram a esconder o verdadeiro tamanho da dívida da empresa. A nova frente da Operação Disclosure busca esclarecer se integrantes das instituições financeiras contribuíram para manter um esquema que teria enganado investidores, credores e o mercado financeiro.
Segundo as investigações, a suspeita envolve operações conhecidas como risco sacado, modalidade de crédito bastante utilizada por grandes empresas. A Justiça Federal apontou indícios de que representantes dos bancos podem ter atuado de forma coordenada para permitir que essas operações continuassem sendo registradas de maneira que não refletia a real situação financeira da varejista. As instituições negam qualquer irregularidade e afirmam colaborar com as apurações.
O que a Polícia Federal investiga?
O foco da investigação é descobrir se executivos dos bancos tiveram conhecimento ou participaram de procedimentos que ajudaram a manter fora dos balanços financeiros uma parte relevante das dívidas da Americanas.
Para os investigadores, essa possível atuação teria contribuído para prolongar um esquema de fraude contábil que permaneceu oculto por anos, permitindo que a empresa apresentasse ao mercado uma situação financeira mais favorável do que a real.
O que é o risco sacado?
O chamado risco sacado funciona quando um banco antecipa ao fornecedor o pagamento de uma compra realizada por uma empresa. Depois, a companhia passa a dever esse valor à instituição financeira.
Segundo a investigação, essas operações deveriam aparecer nos demonstrativos financeiros como dívida com bancos. No entanto, em diversos casos, eram registradas como obrigações com fornecedores, o que reduzia artificialmente o nível de endividamento apresentado ao mercado.
O que diz a decisão da Justiça?
Ao autorizar medidas da segunda fase da Operação Disclosure, a Justiça Federal afirmou haver indícios de que representantes das instituições financeiras podem ter colaborado para viabilizar e manter as manipulações investigadas.
A decisão ressalta que a apuração ainda está em andamento e busca esclarecer qual foi o nível de participação de cada investigado. Até o momento, não há condenações relacionadas a essa nova etapa da investigação.
O que dizem Itaú e Santander?
As instituições financeiras negam qualquer participação em irregularidades.
Os bancos afirmam que cumprem rigorosamente a legislação, colaboram com as autoridades e acompanham as investigações. Até o momento, não houve decisão judicial que reconheça responsabilidade das instituições ou de seus executivos pelos fatos investigados.