Charles De Ketelaere assume o protagonismo da Bélgica no Mundial de Seleções de 2026. Aos 25 anos, o atacante marca dois gols nesta sexta-feira, 10 de julho, na vitória por 4 a 1 sobre os Estados Unidos, pelas oitavas de final, e leva a seleção às quartas, quando enfrenta a Espanha.
Dois gols, novo status e um duelo com a Espanha
O jogo em solo americano consolida De Ketelaere como referência ofensiva belga. Diante dos Estados Unidos, ele aparece nos momentos decisivos, transforma em gol as chances criadas e alimenta a confiança de um time em transição após o fim da chamada geração de ouro.
A Bélgica volta a campo ainda nesta sexta-feira, às 16h (horário de Brasília), contra a Espanha, no SoFi Stadium, em Los Angeles. O estádio californiano vira o centro do Mundial por algumas horas, com a promessa de um duelo entre estilos. De um lado, a posse de bola espanhola. Do outro, um ataque belga que encontra em De Ketelaere seu ponto de equilíbrio.
A criança do tênis que escolhe o vestiário do futebol
A trajetória do atacante belga começa longe dos grandes estádios. Na infância, ele divide o tempo entre o futebol e o tênis e é tratado como promessa nas quadras. Aos 10 anos, conquista um campeonato local e alimenta o sonho de seguir a carreira individual.
O caminho muda quando a pressão das derrotas pesa demais. Em entrevista ao jornal Het Nieuwsblad, ele explica o ponto de ruptura. “No tênis, eu não conseguia lidar com minhas derrotas e também ficava muito nervoso com as atitudes de alguns meninos contra quem eu jogava. No futebol, é mais fácil achar desculpas para as derrotas, enquanto no tênis é você com você mesmo”, diz De Ketelaere.
A escolha pelo futebol é também uma escolha de ambiente. O vestiário, os companheiros, a responsabilidade dividida. Essa mudança psicológica sustenta o jogador que hoje decide mata-mata de Mundial diante de mais de 60 mil pessoas.
Club Brugge, estreia precoce e a aposta cara do Milan
Formado no Club Brugge, De Ketelaere estreia como profissional em 2019, aos 18 anos. Em pouco tempo, vira uma das principais promessas do futebol belga e passa a ser monitorado pelos principais centros europeus. A combinação de estatura, técnica e leitura de jogo atrai olheiros e analistas de dados, de sites como Sofascore, Sofifa e plataformas de estatísticas usadas por clubes e torcedores.
O Milan decide apostar alto. Em 2022, paga 32 milhões de euros para tirá-lo da Bélgica. O valor, registrado em bases como o Transfermarkt, coloca o jovem entre as contratações mais caras do clube naquele momento e alimenta a expectativa de que ele se firme de imediato em uma posição híbrida, entre ponta e meia-atacante.
O casamento não funciona. Em sua única temporada pelo time italiano, De Ketelaere disputa 40 partidas, distribui apenas 1 assistência e não marca gols. Os números derrubam sua avaliação em simuladores como o FC 26 e em plataformas de desempenho, e o situam como um exemplo de talento mal aproveitado em grande clube europeu.
Reinvenção em Bérgamo e salto de confiança
A retomada acontece longe de Milão, mas ainda na Itália. Emprestado à Atalanta, ele encontra um contexto mais favorável. O técnico o coloca em zonas do campo onde pode pisar mais na área, receber em velocidade e chegar de frente para o gol.
O resultado aparece rápido. Na temporada de empréstimo, são 14 gols e 11 assistências em 50 jogos. A produção devolve ao atacante a confiança perdida, melhora seus índices em sites de estatísticas e obriga a Atalanta a agir. O clube decide exercer a opção de compra e o transforma em pilar do projeto esportivo.
Na temporada seguinte, já como jogador definitivo de Bérgamo, De Ketelaere mantém consistência. Fecha o ano anterior ao Mundial com 5 gols e 7 assistências. Não são números estrondosos, mas confirmam maturidade e regularidade em uma liga de alto nível. A evolução técnica se mistura à evolução mental, fruto de um ambiente em que há paciência para erros e espaço para adaptação.
A Bélgica que se reconstrói encontra seu novo protagonista
O bom momento em Bérgamo abre a porta da seleção. Em 2026, com Bélgica e Estados Unidos em campo no Mundial, De Ketelaere assume um papel que parecia reservado a outros nomes há alguns anos. Contra os americanos, ele não apenas marca dois gols. Ele simboliza uma nova fase da equipe nacional, que tenta se afastar da frustração das campanhas recentes.
O impacto vai além do campo. Para a Bélgica, o atacante oferece solução imediata em uma posição sensível e amplia as chances de ir além das quartas de final. Para o mercado europeu, sua trajetória vira estudo de caso. O Milan acumula um prejuízo esportivo ao perder a chance de desenvolver um ativo de 32 milhões de euros. A Atalanta, ao contrário, capitaliza a aposta, melhora desempenho competitivo e vê o valor de mercado do jogador se multiplicar.
Entre empresários, dirigentes e analistas, a história reacende discussões sobre o risco de grandes clubes acelerarem processos de jovens estrangeiros e sobre a importância do contexto tático e emocional na consolidação de talentos. A forma como De Ketelaere lida com a pressão, depois de fugir do tênis justamente por causa dela, vira argumento em debates sobre saúde mental no alto rendimento.
Quartas contra a Espanha e o que vem depois
O duelo contra a Espanha, às 16h em Los Angeles, é o próximo capítulo dessa curva ascendente. De Ketelaere chega ao jogo como termômetro da Bélgica. Se ele repete o nível de atuação das oitavas, a seleção belga ganha peso ofensivo para enfrentar uma das escolas mais fortes do torneio.
Independentemente do resultado, o Mundial já redesenha o lugar do atacante no mapa do futebol europeu. Um bom desempenho nas quartas e, eventualmente, em uma semifinal pode elevar seu prestígio a outro patamar, abrir conversas futuras no mercado de transferências e reforçar o modelo de formação adotado pela Atalanta.
A médio prazo, a continuidade da ascensão depende de fatores conhecidos no futebol de elite: capacidade de manter o rendimento, evitar lesões e sustentar o equilíbrio emocional em cenários de alta pressão. A escolha feita pelo adolescente que não aguentava as derrotas no tênis agora é testada diante do planeta, em jogos eliminatórios que não admitem margem para erro. A resposta, por enquanto, é um atacante decisivo, que troca a solidão da raquete pelo ruído de um estádio lotado e, com isso, empurra a Bélgica cada vez mais longe no Mundial.
Qual a posição de Charles De Ketelaere em campo?
De Ketelaere atua principalmente como atacante, alternando entre centroavante móvel e meia-atacante, com facilidade para cair pelos lados e chegar na área para finalizar.
Qual a idade de Charles De Ketelaere em 2026?
Nascido em 2001, Charles De Ketelaere tem 25 anos durante o Mundial de Seleções de 2026.
Como foi a passagem de De Ketelaere pelo Milan?
No Milan, entre 2022 e 2023, ele disputa 40 partidas oficiais, registra apenas 1 assistência e não marca gols, sem conseguir se firmar no time.
Quais são as principais estatísticas recentes de De Ketelaere na Atalanta?
Na temporada de empréstimo, ele soma 14 gols e 11 assistências em 50 jogos. Na temporada seguinte, antes do Mundial, marca 5 gols e dá 7 assistências.