O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, criticou neste sábado (11) a condução das investigações que tiveram como alvos os senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Jaques Wagner (PT-BA). Em entrevista ao vivo à CNN, o dirigente partidário afirmou que ambos deveriam ter sido chamados para prestar esclarecimentos antes das ações da Polícia Federal (PF).
Segundo Valdemar, a forma como as investigações foram conduzidas acaba atingindo não apenas os parlamentares, mas também os partidos e as pessoas que eles representam.
“Eu fui contra o que fizeram com o Ciro. Eles tinham que chamar ele e falar: explica tudo isso aqui. Até com o Jaques Wagner, porque essas pessoas representam muita gente”, afirmou.
O presidente do PL argumentou ainda que as medidas desse tipo provocam reflexos sobre parlamentares e apoiadores ligados aos dois senadores. Ele afirmou que uma ação contra Ciro Nogueira também acaba atingindo deputados do PP que, segundo ele, são sérios e não querem se envolver em problemas.
Ao comentar o caso de Jaques Wagner, Valdemar voltou a defender que o senador deveria ter sido ouvido antes das medidas adotadas pela investigação.
Investigação envolvendo Ciro Nogueira
Ciro Nogueira foi alvo da quinta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em maio deste ano. A investigação aponta o senador como suposto destinatário de vantagens indevidas e suspeita que ele tenha utilizado o mandato para beneficiar interesses ligados ao Banco Master.
De acordo com a Polícia Federal, foram identificadas mensagens que indicariam pagamentos mensais entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, supostamente coordenados por Daniel Vorcaro, ex-controlador do banco, com a participação de seu primo, Felipe Cançado Vorcaro.
Após a operação, Ciro Nogueira negou qualquer irregularidade. Em vídeo publicado nas redes sociais, o senador afirmou que não recebeu recursos ilícitos nem praticou atos em benefício do Banco Master.
Caso Jaques Wagner
Em junho, Jaques Wagner passou a ser investigado na nona fase da operação Compliance Zero. Na decisão que autorizou a operação, a Polícia Federal afirmou ter identificado indícios de que o parlamentar teria recebido vantagens econômicas, direta ou indiretamente, por meio de familiares, pessoas de confiança e empresas ligadas ao grupo investigado.
Segundo a decisão, entre os benefícios apurados estão o uso gratuito de aeronaves, a estruturação de pagamentos e aquisições patrimoniais. Wagner nega as acusações.