Artur Jorge adia definição do time titular do Cruzeiro

Treinador mantém mistério sobre a formação oficial que será usada na estreia contra o Internacional.
Redação NC News
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O técnico Artur Jorge afirmou que o Cruzeiro visto nos amistosos contra Defensor e Grêmio ainda não é o time titular. A primeira escalação oficial para o segundo semestre, diz ele, só aparece no reencontro com o Internacional, no retorno dos jogos oficiais após a pausa do Mundial de Seleções.

Cruzeiro em teste durante a pausa

O Cruzeiro usa a intertemporada para reorganizar o elenco, rever hierarquias internas e mexer no mercado. A ideia é chegar ao segundo semestre com uma equipe mais competitiva no Campeonato Brasileiro e nas demais competições, mesmo que isso custe alguma incerteza para jogadores e torcida neste momento.

No último dia 4, no Independência, em Belo Horizonte, o time venceu o Defensor, do Uruguai, por 2 a 0. O amistoso serviu para dar minutos a quem vinha jogando menos e observar novos encaixes. Em 12 de julho, no Mané Garrincha, em Brasília, a equipe perde por 3 a 1 para o Grêmio, mas o técnico mantém o discurso: os testes importam mais que o placar.

“Hoje não temos e não podemos falar em titulares no Cruzeiro. Nós vamos ter o primeiro 11 inicial no jogo contra o Internacional. Aí sim vamos ter um 11 titular que eu vou escolher”, afirma Artur Jorge, ao ser questionado sobre um time-base.

Igualdade interna e disputa por posição

O treinador tenta equilibrar discurso e prática. Sabe que, internamente, alguns jogadores largam na frente, mas evita carimbar nomes publicamente. Prefere reforçar a ideia de que todos têm chance de convencer a comissão técnica nos treinos e amistosos.

“Não vou ser hipócrita, secretamente há jogadores titulares e suplentes. Mas neste momento quero que todos possam se sentir em pé de igualdade”, diz. A fala revela a estratégia: aumentar a competitividade dentro do vestiário, adiar rótulos e manter o grupo em alerta até o duelo com o Internacional.

Os testes, explica ele, vão além do que aparece nas partidas abertas. “Vamos testando soluções, mais internamente do que o foi público para vocês, para as posições que acreditamos que há jogadores que possam se potencializar e potencializar a equipe”, aponta o português.

Na prática, a indefinição abre espaço sobretudo nos setores mexidos na janela. A lateral-esquerda ganha novo dono em potencial com a chegada de Gabriel Rojas, mas perde Kaiki, negociado com o Como, da Itália, e Kauã Prates, vendido ao Borussia Dortmund, da Alemanha. O ataque se reorganiza após a saída de Christian para o Krasnodar, da Rússia, e a contratação de Gabriel Pec, ex-Los Angeles Galaxy, dos Estados Unidos.

Mercado aquecido e pressão por reforços

Enquanto testa o que tem em mãos, Artur Jorge acompanha uma diretoria ativa, porém cautelosa, na janela de transferências. O treinador admite que o clube já mapeia alvos, mas evita criar expectativa por um novo reforço imediato.

“O mercado está aberto. Enquanto ele estiver aberto, estamos sujeitos a entradas e saídas. Nós temos identificadas as posições, os jogadores e as possibilidades. Temos também a consciência de que teremos que fazer esforço para manter alguns jogadores, para resistir a propostas que possam chegar”, afirma.

O Cruzeiro, até aqui, promove ajustes cirúrgicos. Rojas e Pec chegam para setores específicos, enquanto a volta do goleiro Léo Aragão, emprestado pelo Avaí, aumenta a concorrência com Otávio e Matheus Cunha. O clube, porém, não tem um terceiro reforço encaminhado e trata qualquer novo movimento como decisão “muito interna”, nas palavras do técnico.

Essa postura casa com a lógica de transição. A diretoria tenta equilibrar renovação de elenco e responsabilidade financeira, após vender três jogadores em meio à pausa do calendário. Artur Jorge entende que, se por um lado ganha fôlego para reforços pontuais, por outro precisa se preparar para eventuais perdas de atletas valorizados.

O que muda para elenco e torcida

Dentro do vestiário, o discurso de igualdade agrada parte dos jogadores, que enxergam chance real de ganhar espaço. Quem vinha como reserva sente que disputa em condições mais próximas das de um titular consolidado. O preço é a ansiedade de quem busca estabilidade e ainda não sabe se estará na primeira escalação contra o Internacional.

Na arquibancada, a leitura tende à compreensão, pelo menos neste momento. O torcedor acompanha a transparência do técnico, mas segue sem um time-base claro para projetar o restante da temporada. Cada amistoso vira amostra parcial, nunca versão definitiva.

O duelo com o Internacional, ainda sem data detalhada anunciada pelo clube neste contexto, se torna um divisor de águas. Marca o fim da fase de experimentos públicos e o início de uma configuração mais fixa, ainda que ajustes sigam ocorrendo jogo a jogo.

Passada a intertemporada, o Cruzeiro volta a ser cobrado por desempenho imediato. Amistoso deixa de ser laboratório para virar medida de competitividade. A forma como Artur Jorge administra a transição, segura peças importantes e encaixa os recém-chegados ajuda a determinar até onde o time pode ir no segundo semestre.

O técnico insiste que o plano está traçado “internamente” e que as decisões sobre entradas e saídas dependem de fatores externos, como propostas de outros clubes, e internos, como desempenho nos treinos. O compromisso, reforça, é chegar ao reencontro com o Brasileiro com um 11 inicial escolhido por critério esportivo, não por status prévio.

Entre mercado aberto, indefinição de titulares e amistosos com resultados distintos — 2 a 0 sobre o Defensor e 3 a 1 sofrido diante do Grêmio —, o Cruzeiro percorre uma espécie de linha de montagem. O produto final, pelo que promete o treinador, só se revela de fato quando a bola voltar a rolar para valer contra o Internacional.

 

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