Fachin indica Cármen Lúcia como relatora do Código de Conduta do STF

A indicação foi feita durante a sessão que marcou a abertura do ano judiciário de 2026
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, anunciou nesta segunda-feira (2) a ministra Cármen Lúcia como relatora da proposta de criação de um Código de Conduta para a Corte.

A indicação foi feita durante a sessão que marcou a abertura do ano judiciário de 2026.

Relatoria busca fortalecer integridade e transparência

Segundo Fachin, a elaboração do Código de Conduta faz parte de um esforço institucional para ampliar o debate interno sobre ética, integridade e transparência no Supremo.

O presidente destacou que a iniciativa pretende promover entendimento entre os ministros e consolidar práticas compatíveis com a responsabilidade pública da Corte.

A ministra Cármen Lúcia aceitou assumir a relatoria da proposta, que passa a ser conduzida no âmbito do colegiado.

Debate ocorre em meio a questionamentos sobre a atuação do STF

A discussão sobre regras de conduta ganha força em um momento de pressão institucional, após investigações relacionadas ao Banco Master, que tramitam no Supremo. O caso trouxe à tona questionamentos sobre a atuação de magistrados e reacendeu o debate público sobre conflitos de interesse no Judiciário.

Durante o discurso, Fachin ressaltou que eventuais dúvidas devem ser tratadas com clareza e transparência, reforçando a necessidade de preservar a confiança da sociedade nas instituições.

Código prevê divulgação de rendimentos e quarentena

Entre os principais pontos do texto em análise está a obrigatoriedade de divulgação de valores recebidos por ministros em palestras, eventos ou atividades semelhantes. A proposta também estabelece uma quarentena de um ano para que ministros aposentados possam atuar em consultorias ou emitir pareceres.

Outro item previsto é a vedação definitiva ao exercício da advocacia no STF após a aposentadoria.

Episódios recentes impulsionaram proposta

A defesa de maior autocontenção por parte do Supremo já havia sido mencionada por Fachin ao assumir a presidência da Corte. No entanto, o debate se intensificou após episódios recentes, como a viagem do ministro Dias Toffoli à final da Libertadores, no Peru, em aeronave utilizada por advogados ligados ao processo do Banco Master.

A ação que investiga supostas fraudes envolvendo o banco está sob relatoria de Toffoli, que já tomou decisões favoráveis à defesa.

Referências internacionais orientam o texto

A proposta do Código de Conduta do STF se inspira em modelos adotados por tribunais constitucionais internacionais, como o da Alemanha.

O texto prevê, por exemplo, critérios para aceitação de presentes ou benefícios, desde que não comprometam a independência, imparcialidade e credibilidade da Corte.

Carregar Comentários