A nova pesquisa BTG/Nexus, divulgada nesta segunda-feira (13 de julho de 2026) expõe um dado revelador sobre o comportamento do eleitorado conservador: mais de um terço dos entrevistados (35%) afirma não ter conhecimento da guerra política travada entre Michelle e Flávio Bolsonaro pelo protagonismo na direita.
Desconexão entre as redes e as urnas
Os números da BTG/Nexus evidenciam um descompasso claro entre o noticiário político, os nichos hiperpolitizados de redes sociais e as reais preocupações do eleitorado médio. Enquanto os bastidores de Brasília fervem com a disputa familiar no PL, o eleitor na ponta segue focado em pautas como inflação, emprego e segurança.
- Impacto nulo do racha: O desconhecimento de 35% da base sobre o conflito interno alivia a pressão imediata sobre o PL. O embate familiar, por ora, não reorganiza o tabuleiro e não atua como critério de definição de voto.
- Oposição unificada na urna: A blindagem do eleitorado em relação às crises do clã permite que o bolsonarismo mantenha sua competitividade nacional intacta, consolidando a imagem da legenda como um bloco de oposição robusto.
Cautela no PT e motor de mobilização no PL
Nos cenários avaliados pela pesquisa, a distância entre os dois polos encolhe drasticamente em simulações de segundo turno, configurando um empate técnico no limite da margem de erro.
Nos bastidores do governo, a marca de 40% alcançada por Lula é vista como um “colchão importante”, mas não um salvo-conduto. A oscilação negativa de dois pontos em relação a junho acende um alerta na cúpula petista sobre a necessidade urgente de defender a atual gestão em áreas sensíveis, como a economia e a entrega de serviços públicos.
Do outro lado, a marca de 44% atribuída a Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno funciona como o principal motor de mobilização do PL. O partido aposta que a vitória em 2026 é matematicamente viável caso o campo conservador se unifique em torno de um único nome competitivo.
Metodologia da pesquisa
O levantamento fornece um retrato do atual humor do mercado e da sociedade brasileira sob um clima de incerteza moderada:
“Foram ouvidas 2.003 pessoas, em entrevistas telefônicas realizadas entre os dias 10 e 12 de julho. A pesquisa foi contratada pelo Banco BTG Pactual. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2 pontos percentuais”, detalham os relatórios técnicos do instituto Nexus.
O cenário eleitoral de 2026 começa a ganhar tração sob forte influência de um ambiente político global tensionado. Debates sobre o avanço da direita no mundo e os impactos econômicos de conflitos prolongados (como em Gaza, Irã e Ucrânia) acentuam o caráter plebiscitário da próxima eleição brasileira.
Até a oficialização das candidaturas, o movimento central dos dois blocos será de ajuste fino estratégico. O PT precisa ampliar sua base para além da esquerda sem perder o eleitor moderado de centro, enquanto o PL tem o desafio de provar que consegue romper a “bolha digital” sem que as fraturas expostas entre Michelle e Flávio Bolsonaro contaminem a viabilidade eleitoral de sua chapa.