A história da última mulher que viveu com um pulmão de aço emociona e deixa um alerta sobre a pólio

Martha Ann Lillard passou mais de sete décadas dependente do equipamento para respirar e enfrentou, nos últimos anos de vida, um desafio que parecia impossível de superar.
Redação NC News
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A morte de Martha Ann Lillard, aos 78 anos, encerra um dos capítulos mais marcantes da história da medicina moderna. Considerada a última mulher conhecida nos Estados Unidos a depender de um pulmão de aço para respirar, ela viveu por mais de 70 anos com o equipamento após contrair poliomielite ainda na infância.

Segundo familiares, Martha morreu em 26 de junho em decorrência de complicações da covid longa. Nos últimos anos, ela também enfrentava um problema que simbolizava o fim de uma tecnologia histórica: a dificuldade de encontrar peças de reposição e profissionais capazes de fazer a manutenção do pulmão de aço.

O que era o pulmão de aço?
Criado durante as grandes epidemias de poliomielite do século passado, o pulmão de aço é um respirador mecânico que utiliza pressão negativa para ajudar pacientes que perderam a capacidade de respirar sozinhos.

Diferentemente dos ventiladores modernos, o equipamento envolve praticamente todo o corpo do paciente, deixando apenas a cabeça para fora. A variação de pressão faz com que os pulmões expandam e se contraiam, permitindo a respiração.

Como a poliomielite mudou a vida de Martha
Martha contraiu poliomielite em 1953, quando tinha apenas cinco anos, dois anos antes do início da vacinação em larga escala nos Estados Unidos. A doença comprometeu permanentemente os músculos responsáveis pela respiração.

Após cerca de seis meses de internação, ela passou a viver com o pulmão de aço em casa e permaneceu dependente do equipamento durante toda a vida. Apesar das limitações, manteve uma rotina ativa, dedicando-se à pintura, aos filmes clássicos e aos cuidados com seus cães.

O problema que se agravou nos últimos anos
Além das complicações provocadas pela síndrome pós-pólio e pela covid longa, Martha passou a enfrentar outro desafio: manter um equipamento fabricado há décadas funcionando.

Como o pulmão de aço deixou de ser produzido há muitos anos, encontrar peças de reposição e pessoas especializadas em repará-lo tornou-se cada vez mais difícil. Durante quedas de energia causadas por tempestades, a família precisava recorrer a geradores para garantir o funcionamento da máquina.

O legado para a medicina
A história de Martha também simboliza o impacto das campanhas de vacinação contra a poliomielite.

Antes da chegada das vacinas, milhares de pessoas desenvolveram formas graves da doença e dependiam de equipamentos como o pulmão de aço para sobreviver. Com a imunização em massa e o avanço da ventilação mecânica moderna, esses aparelhos praticamente desapareceram dos hospitais.

Entenda o contexto
A poliomielite é uma doença viral que pode provocar paralisias permanentes e, nos casos mais graves, atingir os músculos responsáveis pela respiração. Durante as grandes epidemias do século XX, o pulmão de aço tornou-se um equipamento essencial para manter pacientes vivos.

Com o avanço da vacinação, a doença foi controlada em grande parte do mundo e os modernos ventiladores mecânicos substituíram essa tecnologia. A morte de Martha Ann Lillard representa o fim de uma era marcada por um equipamento que salvou milhares de vidas e reforça a importância da vacinação como uma das maiores conquistas da saúde pública.

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