Um paciente de 39 anos, vítima de um grave acidente de trânsito, recebeu uma aplicação de polilaminina, substância experimental brasileira estudada para ajudar na recuperação de lesões da medula espinhal. O procedimento foi realizado no Hospital de Urgência e Emergência Regional de Cacoal (Heuro), em Rondônia.
O homem sofreu uma lesão grave na coluna após o acidente e passou por cirurgia antes de ser incluído no protocolo de pesquisa. Ele se tornou o primeiro paciente atendido pelo SUS em Rondônia a receber a aplicação da substância.
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Entenda o que aconteceu
O paciente deu entrada no atendimento de emergência após sofrer um acidente de trânsito na BR-364. Por causa da gravidade do trauma na coluna torácica, ele precisou ser transferido para o Hospital Regional de Cacoal, onde passou por uma cirurgia.
Após o procedimento, uma nova avaliação médica indicou que o paciente preenchia os critérios necessários para participar do protocolo experimental com a polilaminina.
A aplicação foi realizada no Heuro, com acompanhamento da equipe de pesquisadores responsável pelo estudo.
Paciente sofreu grave lesão na coluna
Segundo as informações divulgadas sobre o caso, o acidente provocou uma lesão grave na medula espinhal, estrutura responsável por transmitir informações entre o cérebro e diferentes regiões do corpo.
Traumas nessa região podem provocar alterações na sensibilidade e nos movimentos. Quando a lesão compromete os membros inferiores, uma das possíveis consequências é a paraplegia.
O neurocirurgião Edilton Oliveira, que acompanha o caso, explicou que o paciente passou pela cirurgia e, por preencher os critérios estabelecidos, pôde ser incluído no protocolo de pesquisa.
O que é a polilaminina
A polilaminina é uma substância desenvolvida a partir de pesquisas brasileiras e estudada pelo potencial de favorecer processos relacionados à regeneração do tecido nervoso.
O trabalho é liderado pela professora Tatiana Lobo Coelho de Sampaio, pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que há mais de duas décadas desenvolve pesquisas relacionadas à laminina e à regeneração do tecido nervoso.
A substância vem sendo estudada como uma possível alternativa para pacientes que sofreram traumas na medula espinhal.
Pesquisa ainda está em fase experimental
Apesar da expectativa em torno da aplicação, a polilaminina ainda não é um tratamento comprovadamente eficaz para recuperar lesões da medula.
A Anvisa autorizou, em janeiro de 2026, um estudo clínico de fase 1 para avaliar a segurança da aplicação da substância em pacientes com lesão medular aguda.
Nesta etapa, os pesquisadores acompanham principalmente a segurança do procedimento e a evolução dos pacientes. Resultados de pesquisas anteriores podem indicar sinais de evolução neurológica, mas são necessários estudos clínicos mais amplos para determinar a eficácia da substância.
Primeiro caso na rede pública de Rondônia
A aplicação realizada em Cacoal representa o primeiro caso de um paciente da rede pública de Rondônia incluído nesse protocolo experimental.
A participação da equipe de pesquisa da UFRJ e dos profissionais de saúde de Rondônia integra uma etapa da pesquisa brasileira voltada à busca de novas alternativas para lesões da medula espinhal.
O procedimento também permite que os pesquisadores acompanhem a evolução do paciente dentro dos critérios estabelecidos pelo estudo.
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Não há garantia de recuperação
A aplicação da polilaminina não significa que o paciente terá recuperação dos movimentos. Como o procedimento faz parte de uma pesquisa clínica, a evolução será acompanhada pelos profissionais e pesquisadores de acordo com os protocolos científicos.
O objetivo do estudo é produzir dados que permitam avaliar a segurança da substância e, posteriormente, verificar se ela pode contribuir efetivamente para o tratamento de lesões medulares.
Por isso, os resultados desse primeiro procedimento em Rondônia ainda precisam ser acompanhados antes de qualquer conclusão sobre os efeitos da polilaminina.
Entenda o contexto
Lesões na medula espinhal podem causar consequências permanentes dependendo da região atingida e da gravidade do trauma. Atualmente, a recuperação depende de diferentes fatores e do acompanhamento médico e de reabilitação.
A polilaminina surge dentro de uma linha de pesquisa brasileira que tenta encontrar novas possibilidades para esses casos. A substância está sendo estudada por seu potencial de atuar em processos relacionados à regeneração do tecido nervoso.
O caso de Cacoal é considerado inédito na rede pública de Rondônia, mas a pesquisa ainda está em fase inicial. O acompanhamento dos pacientes será fundamental para determinar se a substância é segura e se poderá, no futuro, demonstrar eficácia no tratamento de lesões da medula.
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