Polícia desmantela rede de empresas de fachada e investiga fraude de R$ 80 milhões; entenda como vítimas eram atraídas

Operação cumpriu mais de 20 mandados em São Paulo e mira grupo suspeito de criar mais de 100 empresas fictícias para aplicar golpes com falsas plataformas de investimento e promessas de lucro fácil.
Redação NC News
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A Polícia Civil de São Paulo deflagrou, nesta terça-feira (15), uma operação contra uma organização criminosa suspeita de montar uma rede com mais de 100 empresas de fachada para aplicar golpes financeiros pela internet. Segundo a investigação, o esquema teria movimentado cerca de R$ 80 milhões e utilizava falsas plataformas de investimento para convencer vítimas a fazer depósitos sucessivos.

Batizada de Operação Summit, a ação foi conduzida por policiais do 10º Distrito Policial (Penha), que cumpriram mais de 20 mandados de busca e apreensão em diferentes cidades paulistas e prenderam um dos principais investigados. A Polícia Civil afirma que o grupo estruturou um sistema sofisticado para criar empresas em série, usando “laranjas” como responsáveis pelos CNPJs.

Quem é o principal alvo da investigação?

Segundo a Polícia Civil, o principal investigado é Fábio Czerkes Santana, preso durante a operação. Os investigadores apontam que ele teria migrado de fraudes tributárias para crimes virtuais, mantendo uma estrutura baseada em contadores e pessoas usadas como laranjas para registrar empresas.

A defesa do investigado não havia sido localizada até a publicação desta reportagem. O espaço permanece aberto para manifestação.

Como funcionava o esquema?

De acordo com a investigação, a organização criava empresas com nomes semelhantes, normalmente utilizando o prefixo “Summit” ou expressões ligadas ao mercado financeiro para transmitir credibilidade.

As empresas eram registradas em sequência e todas apresentavam um capital social declarado de R$ 5 milhões, embora esse valor, segundo a polícia, fosse fictício.

Depois de abertas, essas empresas eram usadas para operar golpes em plataformas digitais.

Como as vítimas eram enganadas?

As vítimas eram abordadas principalmente pelo Instagram e pelo WhatsApp.

Segundo a investigação, pessoas que se apresentavam como professores, especialistas ou analistas de investimentos prometiam ganhos elevados em pouco tempo.

Após convencer o investidor, o grupo direcionava a vítima para plataformas falsas que simulavam operações financeiras reais.

Os sistemas exibiam gráficos, extratos e saldos manipulados por especialistas em tecnologia da informação, dando a impressão de que os investimentos estavam rendendo.

O caso que chamou a atenção da polícia

Um dos episódios investigados envolve uma vítima que acreditou estar investindo por meio da empresa Summitrise Financial Partners Ltda.

Durante dez dias, em fevereiro de 2025, ela realizou cinco depósitos que somaram mais de R$ 250 mil.

Enquanto isso, os criminosos enviavam imagens mostrando um saldo fictício que teria ultrapassado R$ 4,7 milhões, estimulando novos investimentos.

Para aumentar a confiança da vítima, os suspeitos autorizaram inicialmente um saque de pouco mais de R$ 30 mil.

Quando ela tentou retirar o restante do dinheiro, passou a receber exigências de novos pagamentos, sob justificativas como taxas de encerramento, diferenças cambiais e custos para liberar o suposto saldo.

A fraude só foi percebida quando as cobranças se tornaram constantes e impediram qualquer novo saque.

Santa Bárbara d’Oeste era apontada como base da organização

As investigações identificaram o município de Santa Bárbara d’Oeste, no interior paulista, como uma espécie de centro administrativo da organização.

Segundo a Polícia Civil, era nesse local que pessoas em situação de vulnerabilidade eram recrutadas para aparecer formalmente como proprietárias das empresas utilizadas no esquema.

Polícia investiga possível ligação com ataque hacker

Além dos golpes financeiros, a Polícia Civil também apura uma possível ligação do grupo com o ataque hacker sofrido pela empresa de tecnologia financeira Sinqia, em agosto de 2025.

Na ocasião, o prejuízo estimado chegou a aproximadamente R$ 710 milhões.

Até o momento, a investigação sobre essa possível conexão ainda está em andamento e não há conclusão oficial sobre o envolvimento do grupo.

O que acontece agora?

Com a prisão de um dos principais investigados e o cumprimento dos mandados, a Polícia Civil deve aprofundar a análise dos documentos, equipamentos eletrônicos e movimentações financeiras apreendidos durante a operação.

As investigações continuam para identificar outros integrantes da organização, rastrear o destino dos recursos desviados e localizar novas vítimas do esquema.

Entenda o contexto

Segundo a Polícia Civil, o grupo investigado teria criado mais de uma centena de empresas de fachada para aplicar golpes financeiros utilizando falsas plataformas de investimento. A estrutura permitia abrir rapidamente novos CNPJs sempre que uma empresa era alvo de denúncias ou bloqueios, dificultando o rastreamento das operações. Agora, com a Operação Summit, os investigadores buscam responsabilizar os envolvidos, identificar todos os participantes da organização e recuperar parte dos valores desviados das vítimas.

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