Briga entre vizinhos termina em morte e passado do suspeito chama atenção da polícia

Homem de 61 anos morreu após ser baleado durante confronto em Betim; ex-sargento da Marinha alegou legítima defesa, enquanto documentos revelam histórico psiquiátrico e um homicídio registrado em 2014
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

Uma discussão entre vizinhos terminou de forma trágica na tarde desta terça-feira (14), em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O confronto aconteceu na Rua das Flores, na região conhecida como Fazenda Saraiva, na zona rural do município, e deixou um homem de 61 anos morto após ser atingido por disparos de arma de fogo.

A vítima foi identificada como Carlos Alberto dos Santos, conhecido na comunidade como “Carlins Gaiola”. O principal suspeito é um ex-sargento da Marinha, de 34 anos, preso em flagrante logo após o crime.

Enquanto a investigação busca esclarecer exatamente como a briga aconteceu, um detalhe chamou a atenção: documentos médicos apontam que o suspeito possui histórico de transtornos psiquiátricos e já respondeu por outro homicídio no Distrito Federal.

Como aconteceu a briga entre os vizinhos em Betim?

Segundo o boletim de ocorrência da Polícia Militar, o suspeito afirmou que agiu em legítima defesa. Ele disse aos policiais que Carlos Alberto invadiu sua residência armado com uma faca e que efetuou os disparos para se defender.

No entanto, imagens de câmeras de segurança instaladas na casa da vítima indicariam uma dinâmica diferente da apresentada pelo ex-militar. De acordo com a PM, as gravações mostram o momento em que Carlos Alberto sai de casa em um carro e encontra o vizinho na rua. Em seguida, o suspeito se aproxima do veículo, a vítima desce do automóvel e os dois entram em luta corporal. Os disparos aconteceriam durante esse confronto, conforme a interpretação inicial da polícia.

Carlos Alberto foi socorrido por vizinhos e levado ao Hospital Regional de Betim, mas não resistiu aos ferimentos. Segundo o registro policial, ele sofreu quatro perfurações provocadas por disparos de arma de fogo.

Esposa relatou histórico de conflitos entre moradores
À Polícia Militar, a esposa da vítima contou que o suspeito mantinha desentendimentos frequentes com outros moradores da região. Após o crime, o ex-sargento foi preso em flagrante, encaminhado ao 33º Batalhão da Polícia Militar e, posteriormente, apresentado à Polícia Civil de Minas Gerais, que conduz a investigação.

Documentos revelam histórico psiquiátrico do suspeito
Documentos mostram que o ex-militar possui um histórico de acompanhamento psiquiátrico. Em um exame médico pericial emitido em 2021, elaborado durante um processo em que um familiar solicitava a interdição do autor, uma médica informou que o militar ingressou na Marinha aos 19 anos, mas acabou afastado e posteriormente desligado da corporação após sofrer um surto psicótico.

O laudo descreve diagnósticos de síndrome de burnout, psicose, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e esquizofrenia.

Ex-sargento também teria cometido outro homicídio
O mesmo documento informa que, em 2014, quando tinha 23 anos, o então sargento teria matado um pastor de 40 anos utilizando uma espada após uma discussão relacionada a um assento de ônibus, no Distrito Federal. Ainda conforme o histórico médico, ele permaneceu preso por um ano no Complexo Penitenciário da Papuda e passou outros quatro anos internado em um sanatório psiquiátrico.

Polícia Civil investiga o caso
A Polícia Civil seguirá investigando as circunstâncias da morte de Carlos Alberto dos Santos. Entre os pontos que deverão ser analisados estão as imagens das câmeras de segurança, os depoimentos das testemunhas e a alegação de legítima defesa apresentada pelo suspeito.

As informações reunidas durante o inquérito serão fundamentais para esclarecer a dinâmica do crime e definir a eventual responsabilização do ex-sargento.

Carregar Comentários