O governo dos Estados Unidos confirmou ao Palácio do Planalto que a recomendação final para a aplicação de um novo “tarifaço” sobre produtos brasileiros já foi entregue ao presidente Donald Trump. O aviso foi dado pelo chefe do Escritório do Representante Comercial da Casa Branca (USTR), Jamieson Greer, em reunião virtual realizada nesta terça-feira (14 de julho de 2026).
No encontro, que Greer deu por encerrado o ciclo de negociações, o secretário americano reclamou da suposta falta de empenho da diplomacia brasileira. A postura foi imediatamente rebatida por uma comitiva de peso do governo Lula, composta pelo ministro em exercício do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, pelo embaixador Mauricio Lyrio (um dos principais negociadores do Itamaraty) e por Audo Faleiro (assessor internacional da Presidência).
O embate técnico e a queda de braço comercial
Durante a reunião, a delegação brasileira confrontou a argumentação dos Estados Unidos, apontando a fragilidade técnica dos motivos que sustentam a investigação americana sob a Seção 301 (mecanismo que permite retaliações comerciais):
- Questão ambiental: As autoridades brasileiras refutaram as acusações de aumento do desmatamento no Brasil, apresentando dados consolidados que apontam, na verdade, para a redução dos índices na Amazônia.
- Recusa de acordos: Os representantes do Itamaraty lembraram que o governo brasileiro tentou construir um meio-termo, oferecendo a redução da tarifa de importação sobre o etanol americano em troca de maior acesso para o açúcar brasileiro no mercado dos EUA — proposta que foi descartada de imediato pelo USTR.
Expectativa por ampliação de exceções
Apesar da postura rígida, Jamieson Greer sinalizou que o governo americano pode ampliar a lista de produtos brasileiros isentos das novas taxas antes da publicação oficial da medida.
A delegação brasileira detalhou o perfil do comércio bilateral, destacando que boa parte das exportações nacionais é composta por peças e componentes produzidos por subsidiárias de multinacionais americanas instaladas no Brasil (“made in Brazil”) enviadas para suas respectivas matrizes nos EUA.
O impacto em jogo
Atualmente, estima-se que o tarifaço planejado pela gestão Trump possa atingir 21% de todas as exportações brasileiras para o mercado americano (em valores). Com a boa aceitação da tese das subsidiárias pelo USTR, o governo Lula trabalha com forte otimismo para que mais produtos industrializados escapem das novas alíquotas.
Ainda de acordo com fontes diplomáticas, Greer pontuou que não haverá uma “lista dinâmica” de exceções. O posicionamento foi interpretado em Brasília como um alerta de que, diferentemente do que ocorreu em 2025, não haverá a inclusão gradual de novos produtos isentos após a publicação do decreto. O que for poupado precisará ser definido agora, no anúncio do pacote.
Ao final do encontro virtual, o chefe do USTR demonstrou disposição em manter os canais de diálogo abertos para futuras tratativas com o Brasil. Diante da sinalização, a comitiva brasileira encerrou a videoconferência com um recado direto: “Nós estamos aqui”.