Fim da farra? Prefeito de São Paulo confirma que vai proibir anúncios de “bets” na capital; entenda o impacto

Seguindo os passos de medida drástica adotada no Rio de Janeiro, nova legislação promete tirar propagandas de apostas online de espaços públicos na maior cidade do país
Redação NC News
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, confirmou publicamente que vai sancionar o projeto de lei que proíbe anúncios de casas de apostas online, as famosas “bets”, em bens e espaços públicos da capital paulista. A decisão do chefe do executivo paulistano ocorre logo após a prefeitura do Rio de Janeiro adotar uma medida semelhante por decreto, criando um forte movimento de restrição contra as propagandas dessas plataformas nas duas maiores capitais do Brasil.

A medida visa frear a exposição em massa das marcas de apostas esportivas e jogos de azar virtuais em locais controlados pelo município, como ônibus de transporte coletivo, abrigos de parada, relógios de rua e prédios públicos. A sanção do projeto deve ocorrer nos próximos dias e promete mexer diretamente com os contratos milionários de publicidade de concessionárias de serviços públicos e acender um debate urgente sobre o vício em jogos e o endividamento das famílias brasileiras.

O que muda na prática com a nova lei?

De acordo com o texto aprovado pela Câmara Municipal e que aguarda a sanção do prefeito Ricardo Nunes, fica terminantemente proibida qualquer ação publicitária de marcas de apostas online e “bets” em canais e concessões públicas municipais. Na prática, isso significa que as empresas de apostas não poderão mais estampar suas marcas em:

  • Laterais e traseiras de ônibus municipais (os famosos “busdoors”);
  • Painéis de publicidade em pontos de ônibus e terminais de transporte;
  • Relógios digitais espalhados pelas calçadas da cidade;
  • Uniforme de equipes, eventos e espaços esportivos geridos pela prefeitura;

Qualquer material físico ou digital patrocinado com recursos do município.

Como a história começou?

A discussão sobre o controle de anúncios de apostas ganhou força nacional após uma série de levantamentos apontarem que a febre das “bets” está impactando diretamente o orçamento das famílias, principalmente as de menor renda das classes C e D. O cenário se tornou ainda mais crítico no Rio de Janeiro, onde o prefeito Eduardo Paes assinou um decreto proibindo esse tipo de publicidade em locais sob administração da prefeitura. Em São Paulo, a pressão social e política levou os vereadores paulistanos a acelerarem a aprovação do projeto de lei, forçando um posicionamento rápido da prefeitura.

Quem está envolvido?

O caso envolve diretamente o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, os vereadores da capital que aprovaram a proposta, e as grandes empresas concessionárias que administram a publicidade das ruas e do transporte público de São Paulo. Do outro lado da balança estão as multinacionais donas dos sites de apostas, que investem anualmente bilhões de reais em campanhas publicitárias. No meio desse fogo cruzado, estão os cidadãos comuns e as famílias paulistanas, que são as principais vítimas do avanço desenfreado dos jogos de azar virtuais.

Durante debate ao vivo no programa NC News Acontece, exibido diretamente dos estúdios da Avenida Paulista, o apresentador e editor-chefe Alex Sampaio trouxe análises exclusivas de especialistas sobre as consequências econômicas e sociais dessa decisão para a maior metrópole do país.

O que dizem os defensores da proibição?

Segundo defensores do projeto de lei e psicólogos especialistas em comportamento, a publicidade ostensiva em locais públicos atua como um “gatilho” diário e inevitável, estimulando o consumo por impulso. A exposição massiva atinge crianças, adolescentes e pessoas que já estão lutando contra a ludopatia — que é o vício em jogos. Conforme as autoridades de saúde pública, as restrições são o primeiro passo necessário para tratar o problema como uma questão de saúde coletiva, de maneira semelhante ao que foi feito no passado com os anúncios de cigarro e bebidas alcoólicas.

O que acontece a partir de agora?

Com a sinalização positiva do prefeito Ricardo Nunes, o projeto deve ser assinado e publicado no Diário Oficial do Município nos próximos dias. A partir daí, haverá um prazo de transição para que as empresas concessionárias de ônibus e mobiliário urbano retirem de circulação todas as campanhas de apostas ativas. Há também uma grande expectativa nos bastidores do meio jurídico sobre possíveis ações judiciais por parte das marcas de “bets”, que tentarão contestar a autonomia municipal para legislar sobre publicidade comercial.

Entenda o Contexto

O mercado de apostas esportivas e jogos virtuais de azar explodiu no Brasil nos últimos anos sem uma regulamentação federal rígida e imediata, transformando o país em um dos principais mercados dessas plataformas no mundo. Com propagandas onipresentes no rádio, na televisão, na internet e nas ruas das grandes cidades, as marcas se tornaram parte do cotidiano do brasileiro. No entanto, o impacto social dessa “febre” começou a cobrar o seu preço: pesquisas recentes de mercado mostram que milhões de brasileiros comprometeram o sustento básico de suas casas com as apostas, gerando um efeito dominó de inadimplência no comércio de bairro e sérios problemas de saúde mental. A reação de prefeituras como as do Rio de Janeiro e de São Paulo reflete uma tentativa de conter o avanço desse problema a nível local, onde os impactos sociais são sentidos de forma mais urgente e direta.

Carregar Comentários