Crise nas rodovias de SP coloca Tarcísio sob pressão após alerta do TCE-SP

Fiscalização identificou problemas em cálculos de reequilíbrio de contratos após a pandemia; oposição fala em possível impacto de até R$ 2,5 bilhões, enquanto Artesp afirma que apresentou esclarecimentos ao tribunal
Redação NC News
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Uma fiscalização do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) identificou possíveis distorções nos cálculos usados para definir repasses a concessionárias de rodovias paulistas após impactos atribuídos à pandemia de Covid-19. O caso envolve valores de reequilíbrio econômico-financeiro dos contratos e abriu uma nova frente de críticas da oposição ao governo Tarcísio de Freitas (Republicanos).

A análise técnica do tribunal apontou que alguns critérios utilizados pela Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) poderiam ter aumentado os valores considerados para compensação às empresas. O processo, porém, acabou arquivado pelo conselheiro Wagner Rosário, ex-secretário da Controladoria Geral do Estado durante a gestão de Tarcísio.

A representação que deu origem ao caso foi apresentada pelo deputado estadual Antonio Donato (PT), que apontou um possível desequilíbrio financeiro de até R$ 2,5 bilhões nos contratos.

O que o TCE-SP encontrou nos cálculos?

Segundo a área técnica do tribunal, um dos principais questionamentos está relacionado ao período utilizado pela Artesp para calcular os impactos da pandemia sobre os contratos.

A agência considerou efeitos entre março de 2020 e dezembro de 2022. Para os técnicos do TCE-SP, esse intervalo pode ter ampliado os valores reconhecidos, já que incluiu períodos em que o movimento nas rodovias já apresentava recuperação.

A fiscalização comparou a metodologia paulista com a adotada pelo governo federal em contratos sob sua responsabilidade, que considerou principalmente os impactos registrados entre março e dezembro de 2020.

Por que a pandemia afetou os contratos das rodovias?

Durante o período mais crítico da Covid-19, houve redução na circulação de veículos, principalmente de carros de passeio, o que afetou a arrecadação de algumas concessionárias.

Nos contratos de concessão, existe previsão de reequilíbrio econômico-financeiro quando situações extraordinárias alteram as condições originalmente previstas.

Na prática, quando um evento considerado fora do controle das empresas causa prejuízo significativo, pode haver revisão dos valores para manter o equilíbrio do contrato.

O questionamento dos técnicos do TCE-SP é se os cálculos consideraram corretamente apenas os efeitos diretamente causados pela pandemia.

Qual foi o problema apontado na separação dos veículos?

Outro ponto levantado pela fiscalização envolve a forma como o impacto no tráfego foi calculado.

Segundo os técnicos, a Artesp teria considerado o movimento total das rodovias, sem separar veículos leves e pesados.

A avaliação do tribunal indica que caminhões e outros veículos de carga tiveram impacto menor durante a pandemia, enquanto carros de passeio sofreram uma redução mais significativa na circulação.

Para a fiscalização, misturar esses dados poderia gerar diferenças nos valores calculados para compensação às concessionárias.

TCE-SP também questionou taxas usadas nos contratos

A análise técnica também apontou dúvidas sobre o uso das chamadas Taxas Internas de Retorno (TIR) originais dos contratos.

Essas taxas representam a expectativa de retorno financeiro prevista quando a concessão foi assinada.

Segundo a fiscalização, utilizar os índices originais em um cenário completamente diferente, como o período da pandemia, poderia gerar distorções entre contratos.

O parecer aponta que o resultado final poderia depender não apenas do impacto real da crise sanitária, mas também das condições financeiras definidas originalmente em cada contrato.

O tribunal apontou valores pagos a mais?

A fiscalização identificou possíveis problemas nos critérios de cálculo, mas não determinou no processo arquivado um valor oficial considerado como pagamento irregular.

A oposição, porém, afirma que as distorções apontadas poderiam representar um impacto de até R$ 2,5 bilhões aos cofres públicos.

O deputado Antonio Donato, autor da representação, utiliza esse valor como referência para questionar os repasses feitos às concessionárias.

Por que o caso virou uma nova pressão sobre Tarcísio?

O tema se tornou mais um ponto de desgaste político para o governo paulista na área de transportes.

Além dos questionamentos sobre contratos de concessão, o governo Tarcísio já enfrenta críticas relacionadas à implantação dos pedágios eletrônicos no modelo chamado free flow, que substitui as tradicionais praças de cobrança.

A oposição afirma que o episódio reforça a necessidade de maior fiscalização sobre contratos envolvendo grandes valores públicos.

O governo, por outro lado, sustenta que os processos seguem regras técnicas e passam pelo acompanhamento dos órgãos de controle.

O que diz a Artesp?

Em nota, a Agência de Transporte do Estado de São Paulo afirmou que o TCE-SP não apontou pagamentos inflados no processo citado e disse que não recebeu notificação sobre irregularidades.

Segundo a Artesp, o procedimento teve origem em uma representação apresentada por um deputado estadual e a agência apresentou esclarecimentos e documentos solicitados durante a análise.

A agência afirmou ainda que o processo foi arquivado após a avaliação do tribunal.

“A Artesp reforça seu compromisso com a lisura e a transparência e permanece à disposição dos órgãos de controle para prestar informações e apresentar os documentos relacionados à fiscalização e ao acompanhamento das concessões rodoviárias do Estado de São Paulo”, informou a agência.

Entenda o contexto

Os contratos de concessão de rodovias possuem mecanismos para compensar mudanças que alterem o equilíbrio financeiro previsto inicialmente.

Durante a pandemia, a queda no movimento das estradas levou concessionárias a buscar revisões contratuais para compensar perdas.

O TCE-SP analisou uma representação que questionava os critérios usados pela Artesp nesses cálculos e encontrou pontos considerados questionáveis pela área técnica, como o período analisado, a separação dos tipos de veículos e as taxas utilizadas.

O processo acabou arquivado, mas o caso passou a ser usado politicamente pela oposição para questionar os valores envolvidos nos contratos de rodovias do estado.

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