O conflito entre Irã e Estados Unidos entrou em uma nova fase de tensão nesta sexta-feira (17), após Teerã ampliar sua resposta militar e anunciar ataques contra alvos ligados às forças americanas em sete países do Oriente Médio. As ações foram divulgadas pelo Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), que afirmou ter realizado uma série de ofensivas com mísseis e drones.
Entre os locais citados pelo Irã estão bases americanas na Síria, Catar, Bahrein, Kuwait e Jordânia, além de instalações de radar em Omã. Parte das alegações ainda não foi confirmada de forma independente, mas governos da região relataram explosões, interceptações de mísseis e ao menos um ferido durante os ataques.
A nova onda de ofensivas aumenta o risco de uma expansão regional da guerra, que até então vinha sendo marcada por ataques calculados entre os dois lados, com tentativa de evitar uma escalada ainda maior.
O que motivou a nova onda de ataques?
A escalada ocorre após uma sequência de ações militares entre Estados Unidos e Irã. Segundo as autoridades iranianas, os ataques desta semana são uma retaliação às ofensivas realizadas por Washington contra alvos no território iraniano.
Um acordo provisório que buscava interromper o conflito teria entrado em colapso no início de julho, após uma ação iraniana contra embarcações no Estreito de Ormuz e uma resposta militar americana com ataques aéreos.
Desde então, os dois países passaram a trocar ataques diariamente.
Apesar da intensidade dos confrontos, até agora os governos haviam evitado atingir áreas consideradas mais sensíveis, como grandes centros civis e estruturas econômicas estratégicas.
Agora, o Irã passou a sinalizar que pode ampliar ainda mais sua resposta caso os Estados Unidos ataquem pontos considerados essenciais dentro do território iraniano.
Quais países foram alvo dos ataques do Irã?
Segundo o IRGC, as ações ocorreram em sete países do Oriente Médio. Veja o que foi informado sobre cada local:
Síria
O Irã afirmou ter atacado uma base americana em al-Tanf, próxima à fronteira com o Iraque.
Segundo a Guarda Revolucionária, a ação seria uma resposta aos ataques considerados letais realizados pelos Estados Unidos.
A informação não foi confirmada de forma independente. Também houve relatos de que militares americanos haviam deixado a instalação anteriormente.
Omã
As forças iranianas afirmaram ter destruído radares de controle marítimo e aéreo em áreas estratégicas de Omã.
Segundo Teerã, os equipamentos atingidos estavam relacionados à presença militar americana na região.
Até o momento, autoridades de Omã não confirmaram danos ou ataques contra suas instalações.
Jordânia
A Guarda Revolucionária afirmou ter lançado mísseis balísticos e drones contra aeronaves americanas em uma base localizada no norte do país.
As Forças Armadas da Jordânia informaram que interceptaram três mísseis iranianos direcionados ao território jordaniano.
Segundo o governo local, não houve vítimas nem danos registrados.
Kuwait
O Irã declarou ter atingido posições militares americanas e destruído equipamentos de defesa aérea no Kuwait.
O governo kuwaitiano confirmou que um ataque provocou um incêndio em uma usina de energia e dessalinização de água, mas informou que o fogo foi controlado.
Catar
O Catar registrou explosões durante os ataques e informou que sistemas de defesa interceptaram projéteis lançados contra o país.
O Ministério do Interior confirmou que uma criança ficou ferida por estilhaços após uma interceptação.
O Irã afirmou ter atingido a base aérea americana de Al Udeid, uma das principais instalações militares dos Estados Unidos no Oriente Médio. A alegação ainda não foi confirmada.
Bahrein
O país, que abriga a Quinta Frota da Marinha dos Estados Unidos, também foi citado como alvo.
As forças iranianas afirmaram ter atacado instalações militares americanas no território.
O Ministério do Interior do Bahrein informou que sirenes de alerta foram acionadas duas vezes.
Iraque
No Iraque, um ataque com mísseis e drones matou nove integrantes de um grupo curdo-iraniano instalado no país, segundo um representante da organização.
A imprensa estatal iraniana confirmou o ataque, mas não detalhou a autoria atribuída à Guarda Revolucionária.
Por que o Estreito de Ormuz preocupa o mundo?
Além dos ataques militares, o Irã voltou a ameaçar uma possível interrupção de rotas estratégicas de transporte de petróleo.
Teerã indicou que poderia pressionar seus aliados Houthis, no Iêmen, a agir contra o Estreito de Bab el-Mandeb, uma passagem fundamental para o comércio internacional entre o Mar Vermelho e o Oceano Índico.
O movimento aumentaria a pressão sobre o mercado global de energia, já que o Oriente Médio concentra algumas das principais rotas de exportação de petróleo do planeta.
O conflito pode envolver outros países?
A principal preocupação dos governos da região é que os ataques deixem de ser restritos a Irã e Estados Unidos e passem a envolver diretamente países que possuem bases militares americanas.
A presença de tropas dos EUA em diferentes pontos do Oriente Médio faz com que países como Catar, Bahrein, Kuwait e Jordânia estejam no centro da disputa.
Até agora, as nações atingidas tentam evitar uma participação direta no conflito e afirmam atuar para proteger seus territórios.
Entenda o contexto
A crise entre Irã e Estados Unidos aumentou após uma sequência de ataques e respostas militares envolvendo os dois países.
O Irã possui influência sobre grupos aliados espalhados pelo Oriente Médio, enquanto os Estados Unidos mantêm uma ampla rede de bases militares estratégicas na região.
O temor internacional é que uma nova escalada atinja áreas além dos alvos militares e provoque impactos no comércio, no preço do petróleo e na segurança de países vizinhos.
O próximo passo dependerá da resposta americana aos ataques e de como Teerã irá conduzir suas próximas ações.