Corpo em Angra pode ser de Berenice Ubatuba, desaparecida há 8 dias

Polícia investiga corpo encontrado em Angra dos Reis para confirmar identidade de cozinheira desaparecida há dias.
Redação NC News
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Um corpo feminino é encontrado na tarde desta sexta-feira em uma encosta de mata fechada em Angra dos Reis, e a Polícia Civil trabalha com a suspeita de que seja da cozinheira Berenice Ramos de Aguiar, desaparecida desde 30 de junho em Ubatuba. O cadáver está preso a uma árvore em um paredão de cerca de 30 metros de altura, às margens da Estrada de Lídice, na localidade de Serra d’Água, e a remoção exige o uso de rapel pelo Corpo de Bombeiros.

Busca em serra entre SP e RJ muda de desaparecimento para homicídio

O avanço das buscas transforma, na prática, um caso inicialmente tratado como desaparecimento em uma investigação de possível homicídio, que hoje concentra equipes de São Paulo e do Rio em uma faixa de serra cortada por rodovias turísticas. A localização do corpo, em área isolada e de difícil acesso, reforça a hipótese de ocultação de cadáver e pressiona as autoridades a dar uma resposta rápida à família da cozinheira e à opinião pública.

O delegado André Luiz Matera Costilhas, da Delegacia de Investigações Gerais de São Sebastião, afirma que a investigação se orienta para a identificação de Berenice. “A principal linha de trabalho da polícia é que o corpo seja o da cozinheira”, diz. A confirmação, porém, depende de exames periciais e de DNA, que só começam depois que os bombeiros conseguem içar o corpo do penhasco.

As equipes chegam ao ponto indicado no meio da tarde, após mais de duas horas de varredura de mata. Nove policiais do 3° Batalhão de Ações Especiais de Polícia (BAEP) e quatro investigadores paulistas participam da operação. Drones sobrevoam a encosta, guiados pelo trajeto reconstruído do carro da principal suspeita, enquanto agentes descem a pé por trilhas abertas na marra.

Patroa presa e versões em choque com as provas

No centro do inquérito está Eliane Alves dos Santos, de 46 anos, patroa de Berenice. Ela está presa temporariamente desde 10 de julho, suspeita de envolvimento no desaparecimento e na morte da funcionária. A investigação aponta contradições entre o que a empresária diz à polícia e o que mostram câmeras de segurança, radares e laudos periciais.

Eliane afirma que, após um acerto trabalhista de R$ 2,6 mil, deixa Berenice em um ponto de ônibus em Ubatuba para que a cozinheira siga para um novo emprego na Praia das Toninhas. Em áudio enviado ao filho da vítima, José Carlos de Faria, ela repete essa versão: “Ela não chegou ainda? Ela saiu daqui falando que ia para Toninhas. Ela tinha um trabalho lá”.

As imagens colhidas no inquérito contam outra história. Registros de câmeras e radares mostram a caminhonete da empresária deixando Ubatuba pela Estrada do Pasto Grande, cruzando a divisa em direção a Paraty e seguindo depois para a região de Angra dos Reis, no sentido da Estrada de Lídice, já no lado fluminense. O trajeto contraria frontalmente o relato de que ela teria voltado para casa após deixar a funcionária.

No carro de Eliane, peritos encontram mais uma peça-chave. Guiados por cães farejadores, eles aplicam luminol no interior da caminhonete e detectam vestígios de sangue concentrados no banco do carona, onde a polícia acredita que Berenice viaja no dia do sumiço. “Ao ser borrifado, caso haja sangue no local, o líquido fica com um brilho azul fluorescente”, explica a Polícia Científica, em referência ao reagente usado para revelar marcas invisíveis a olho nu. O material é recolhido para análise de DNA.

De Ubatuba à Serra d’Água: o rastro da cozinheira

Berenice, de 60 anos, desaparece em 30 de junho, depois de deixar o restaurante onde trabalha, no bairro Ubatumirim, em Ubatuba. Colegas relatam desentendimentos recentes no ambiente de trabalho, alimentados por acusações de que a cozinheira teria retirado mercadorias do estabelecimento, o que a família contesta. Investigadores tentam localizar uma testemunha que, segundo relatos, presencia uma agressão contra a funcionária pouco antes de ela sumir.

Os filhos de Berenice iniciam por conta própria as buscas e aciona a polícia. Em um áudio dirigido à patroa, José Carlos deixa explícita a angústia da família. “O que aconteceu? Porque minha mãe sumiu”, questiona. Ao longo da conversa, ele descreve a falta de notícias desde a terça-feira do desaparecimento e lembra que a mãe sempre dava um jeito de avisar quando tinha qualquer problema de comunicação.

As investigações se ampliam pela região de Ubatuba, avançam para estradas secundárias rumo a Cunha e Paraty e, com o cruzamento de dados de tráfego, chegam aos arredores de Angra dos Reis. Equipes especializadas em busca em área de mata são mobilizadas e passam a usar cães farejadores, drones e mapas de relevo. O ponto em Serra d’Água, às margens da Estrada de Lídice, entra no radar a partir de coordenadas compatíveis com o percurso do veículo de Eliane.

Quando os policiais finalmente avistam o corpo, ele está preso por vegetação em uma árvore, cerca de 30 metros abaixo do nível da estrada, em um paredão íngreme que despenca para o vale. A cena sugere que o cadáver possa ter sido lançado da via, hipótese que a perícia ainda precisa confirmar.

Pressão por respostas e impacto além da investigação

O encontro do corpo muda de patamar a pressão sobre a segurança pública em um corredor turístico que liga o litoral norte paulista à Costa Verde fluminense. Delegacias da região de Ubatuba, Vale do Paraíba, Cunha, Paraty e Angra reforçam equipes e dedicam investigadores ao caso, que ganha repercussão nacional e expõe, mais uma vez, a vulnerabilidade de trabalhadores domésticos e informais em relações de emprego pouco fiscalizadas.

Entre os focos da apuração estão a dinâmica da morte, o local exato do crime, a possível participação de cúmplices e a checagem de relatos de agressão prévia. A polícia trabalha com a hipótese de que Eliane não tenha agido sozinha para transportar o corpo até a encosta serrana. Armas de fogo apreendidas na casa da suspeita e marcas de reparo na caminhonete, compatíveis com disparos, também entram na análise técnica.

A eventual confirmação de que o corpo é de Berenice pode levar à conversão da prisão temporária de Eliane em prisão preventiva, medida que manteria a empresária na cadeia por tempo indeterminado enquanto o inquérito é concluído. A defesa da suspeita ainda não apresenta publicamente sua versão detalhada e afirma que só se manifesta após acesso integral aos autos.

Enquanto peritos trabalham em silêncio, o caso alimenta debates sobre desaparecimentos em áreas turísticas, protocolos de investigação interestadual e proteção de trabalhadores domésticos, muitas vezes sem vínculos formais e dependentes de relações de confiança. A família da cozinheira cobra celeridade e transparência. A polícia promete “justiça para todos os envolvidos”, expressão que, neste momento, se apoia em um corpo ainda sem nome confirmado em um laudo, mas já carregado de uma história que o país inteiro acompanha.

Os próximos dias serão decisivos: a identificação genética, os laudos sobre o sangue na caminhonete e a reconstituição do trajeto entre Ubatuba e Serra d’Água tendem a definir se o caso se encaminha para denúncia formal por homicídio qualificado ou se novas peças surgem para recontar, de forma ainda mais dura, os últimos passos de Berenice.

O corpo encontrado em Angra já é oficialmente de Berenice?

Não. A polícia trata a suspeita como principal linha de trabalho, mas a identidade só será confirmada após exames periciais e de DNA no corpo e nos vestígios coletados.

Qual é a situação atual da patroa de Berenice?

Eliane Alves dos Santos, de 46 anos, está presa temporariamente desde 10 de julho, suspeita de envolvimento no desaparecimento e possível homicídio da cozinheira.

Onde Berenice foi vista pela última vez?

Ela é vista pela última vez em 30 de junho, no bairro Ubatumirim, em Ubatuba, depois de deixar o restaurante onde trabalhava como cozinheira.

Por que o sangue encontrado na caminhonete é importante?

Os vestígios, revelados com luminol no banco do carona, podem comprovar, via DNA, se Berenice sangrou dentro do veículo da patroa, fortalecendo a tese de crime.


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