Esquema de perfis fantasmas gasta R$ 3 milhões para atacar Flávio Bolsonaro

Denúncia levada ao TSE aponta estrutura criminosa com anúncios pagos até em dólar. Rede ilegal usava páginas falsas que sumiam da internet para esconder dinheiro obscuro.
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O Partido Liberal (PL) acionou formalmente o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) após reunir provas contundentes que revelam a existência de uma sofisticada e bilionária rede digital criminosa. O esquema utiliza dezenas de páginas fantasmas impulsionadas com milhões de reais nas redes sociais para promover ataques sistemáticos e mentirosos contra o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República, e outros nomes de destaque da direita.

A representação jurídica detalha uma estrutura ilegal desenhada estrategicamente para burlar as ferramentas de fiscalização da Justiça. O grupo por trás da rede criava perfis falsos, injetava altos valores em dinheiro para espalhar conteúdos falsos em massa e, logo em seguida, desativava as páginas, substituindo-as por novos perfis idênticos para apagar os rastros financeiros.

A estratégia da rede fantasma

O levantamento técnico realizado pela equipe jurídica do partido identificou um padrão idêntico na criação de mais de 50 páginas falsas operando de forma coordenada na internet. O monitoramento minucioso desmascarou o modus operandi da organização criminosa virtual.

Os perfis fake apresentavam características idênticas de programação e gerenciamento:

  • Dados Cruzados: Data de criação muito próxima entre as páginas e utilização de números de telefone com o mesmo DDD;
  • Mesma Estrutura: Sites hospedados na mesma plataforma digital e com registros de domínios extremamente parecidos;
  • Camuflagem: Uso de legendas genéricas nas postagens para dificultar a identificação automática dos algoritmos de moderação;
  • Sumiço Planejado: Desativação rápida dos perfis após o impulsionamento para dificultar o rastreamento técnico de autoria e dos financiadores do esquema.

Números assustadores e anúncios em dólar

A dimensão da investida digital impressiona pelos valores envolvidos e pelo alcance do público-alvo, desenhada para influenciar o eleitorado de forma artificial. A auditoria identificou mais de 4,6 mil anúncios pagos com dinheiro de origem desconhecida, gerando um alcance massivo estimado em quase 250 milhões de visualizações em todo o país.

“Estamos diante de uma situação gravíssima e inédita. São fortes os indícios de uma verdadeira organização criminosa digital complexa, sofisticada e ilegal.”

A suspeita de interferência internacional ou lavagem de dinheiro ganhou força após o levantamento encontrar notas fiscais de patrocínio pagas em moedas estrangeiras, incluindo pesos colombianos e dólares americanos. No total, a estimativa do investimento ilegal para difamar o parlamentar já soma quase R$ 3 milhões de reais.

Pedido de quebra de sigilo no TSE

A ação judicial, encabeçada pela renomada advogada eleitoral Maria Claudia Bucchianeri, exige uma resposta dura e imediata da Corte Eleitoral. A equipe de defesa da pré-campanha de Flávio Bolsonaro pede o rastreamento completo da rota do dinheiro e a quebra do sigilo telemático e bancário dos envolvidos.

O objetivo da representação é identificar os verdadeiros CPF e CNPJ dos patrocinadores ocultos, dos administradores da rede e dos responsáveis pela montagem da infraestrutura técnica.

Caso a denúncia seja acatada pelo TSE, os envolvidos podem responder por crimes que vão desde propaganda eleitoral irregular e abuso de poder econômico até formação de organização criminosa, com potencial para cassação de registros e inelegibilidade dos mandantes.

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