As compras de pequeno valor realizadas por brasileiros em plataformas internacionais atingiram um novo recorde em junho. Segundo dados da Receita Federal, o volume de encomendas dentro do programa Remessa Conforme movimentou R$ 2,6 bilhões, o maior valor já registrado em um único mês desde a criação do sistema.
O resultado veio logo após o governo federal anunciar, em maio, a isenção do imposto de importação para compras de até US$ 50, medida que reduziu o custo das encomendas e estimulou o consumo em sites estrangeiros.

Os números mostram que o impacto foi imediato. Em maio, o volume de compras internacionais cresceu quase 30% em comparação com o período anterior. Em junho, o ritmo acelerou ainda mais, alcançando uma alta de aproximadamente 37%, consolidando o melhor desempenho da série histórica do programa.
Criado para dar mais transparência às compras internacionais, o Remessa Conforme permite que os tributos sejam pagos no momento da compra. Com isso, as encomendas chegam ao Brasil já com a documentação fiscal regularizada, reduzindo o tempo de análise pela Receita Federal e tornando a entrega mais rápida para os consumidores.
Consumidores comemoram, varejo critica
A decisão do governo, no entanto, voltou a dividir opiniões. Enquanto consumidores comemoram a possibilidade de comprar produtos importados por preços mais baixos, representantes do comércio brasileiro afirmam que a medida amplia a diferença competitiva entre empresas nacionais e plataformas internacionais.
Entidades do setor varejista argumentam que empresas instaladas no Brasil continuam enfrentando uma carga tributária mais elevada e custos operacionais maiores, o que dificulta a concorrência com grandes marketplaces estrangeiros.
Já para os consumidores, a redução dos custos representa maior acesso a produtos de tecnologia, eletrônicos, vestuário, acessórios e itens domésticos, muitos deles vendidos por valores inferiores aos praticados no mercado nacional.
Debate deve continuar
Especialistas avaliam que o recorde registrado em junho reforça a influência da política tributária sobre o comportamento do consumidor brasileiro. O crescimento das compras internacionais deverá continuar sendo acompanhado de perto pelo governo, pela Receita Federal e pelo setor varejista, que defendem diferentes modelos para equilibrar a competitividade entre empresas nacionais e estrangeiras.
Com o novo recorde de R$ 2,6 bilhões em apenas um mês, o comércio eletrônico internacional ganha ainda mais relevância na economia brasileira, enquanto o debate sobre tributação e concorrência promete permanecer em pauta nos próximos meses.