Uma mulher de 53 anos cai em um golpe de estelionato ao atender, na tarde de 21 de junho, uma ligação de um falso funcionário de banco em Ivaté. Em menos de uma hora, o criminoso convence a cliente a contratar um empréstimo, usar todo o limite de crédito e transferir o dinheiro para uma conta indicada por ele.
Golpe começa com telefonema na Avenida Minas Gerais
O ataque acontece por volta das 15h, na região da Avenida Minas Gerais, onde a vítima está quando recebe a ligação. Do outro lado da linha, um homem se apresenta como colaborador do banco em que ela mantém conta corrente. Ele fala com segurança, cita supostos dados da conta e diz que liga para protegê-la.
O fraudador afirma que o aplicativo bancário dela foi clonado e que há uma movimentação suspeita em andamento. Usa frases de urgência, insiste que é preciso agir rápido para evitar um prejuízo maior e se coloca como único canal capaz de resolver o problema naquele momento.
A mulher, assustada, acredita na narrativa e passa a seguir cada orientação que ouve. O golpista transforma o próprio celular da vítima na principal ferramenta do crime e se aproveita da confiança construída em poucos minutos.
Empréstimo, limite de crédito e transferência para conta fraudulenta
Orientada pelo criminoso, a correntista acessa o aplicativo bancário e contrata um empréstimo no próprio nome. Em seguida, utiliza o limite de crédito disponível na conta, sempre sob a promessa de que se trata de uma manobra técnica para “bloquear” a movimentação suspeita.
O homem passa, passo a passo, os dados de uma conta que ele apresenta como supostamente vinculada ao setor de segurança do banco. A vítima transfere todo o valor liberado, somando empréstimo e crédito, para essa conta fraudulenta. Do ponto de vista bancário, ela aparece como quem voluntariamente contrata dívidas e faz transferências regulares.
O discurso do falso funcionário segue um roteiro conhecido por investigadores. Primeiro, cria o pânico com a ameaça de desfalque imediato. Depois, oferece uma solução simples e rápida, sempre dentro do aplicativo da própria cliente. O resultado é que o golpe aproveita os mesmos mecanismos de segurança criados para facilitar o uso do banco digital.
Agência corre para conter prejuízo após vítima perceber fraude
Depois de concluir as operações exigidas pelo suposto atendente, a mulher estranha a sequência de passos, encerra a ligação e decide procurar ajuda. Ela entra em contato com a gerência da agência em que mantém conta e relata, em detalhes, tudo o que acabou de fazer.
Os funcionários do banco identificam que se trata de um golpe de estelionato e acionam, internamente, os setores responsáveis por bloqueios e revisões de operações. Parte das transações ainda está em processamento, o que permite tentar o cancelamento imediato.
A instituição financeira cancela o que ainda é possível, mas parte do dinheiro já deixa a conta da cliente. A dívida assumida por meio do empréstimo e do uso do limite de crédito, porém, fica registrada no sistema, o que pode significar novo desgaste para a vítima, que passa a negociar com o banco a revisão das condições.
Em paralelo, a Polícia Militar é acionada e registra um boletim de ocorrência com o relato da cliente e as informações repassadas pela agência. O caso segue para a Polícia Civil, que passa a cuidar da investigação da autoria do golpe e do caminho percorrido pelo dinheiro desviado.
Polícia alerta para falsos funcionários e pressa por telefone
Ao comentar casos como o de Ivaté, a polícia reforça um ponto considerado básico na segurança financeira: “instituições financeiras não solicitam empréstimos, transferências ou movimentações bancárias por telefone para supostamente corrigir problemas na conta”. O alerta vale tanto para grandes bancos tradicionais, como Banco do Brasil, Bradesco e Santander, quanto para instituições digitais, como Nubank e Inter.
Segundo policiais ouvidos pela reportagem, a insistência, o tom de urgência e a oferta de solução imediata por telefone costumam ser sinal de golpe. Em muitos casos, o criminoso consegue dados simples do cliente, por vazamentos ou redes sociais, e os usa para parecer legítimo. A recomendação é sempre desconfiar, desligar e procurar o número oficial da agência bancária ou o canal do aplicativo para confirmar qualquer suspeita.
Mesmo quando o bandido diz ligar da agência específica onde o cliente costuma ser atendido, vale checar. Procurar o número da agência bancária pelo site oficial do banco, pelo verso do cartão ou pelos canais de atendimento do aplicativo é mais seguro do que confiar em telefonemas inesperados.
Impacto para clientes e pressão sobre bancos digitais e físicos
O episódio em Ivaté mostra como a popularização dos aplicativos bancários aumenta o alcance desses golpes. Clientes que antes dependiam de atendimento presencial agora fazem, sozinhos, operações complexas no celular. Sem orientação adequada, o risco cresce, especialmente entre pessoas menos familiarizadas com segurança digital.
Para a mulher de 53 anos, o prejuízo não é apenas financeiro. A dívida gerada pelo empréstimo e pelo uso do limite de crédito pode comprometer o orçamento por meses, além do dano emocional de ter sido enganada em um momento de pressão. A depender do valor envolvido, a renegociação com o banco pode virar um segundo capítulo delicado.
As instituições financeiras, por sua vez, enfrentam o desafio de reforçar a comunicação preventiva. Manuais de segurança, avisos no aplicativo e treinamentos de atendentes ganham peso diante de fraudes que começam fora dos sistemas, em simples ligações. A confiança em operações por telefone e aplicativo passa a depender de transparência e clareza sobre o que o banco nunca faz em contato com o cliente.
Investigadores lembram que, mesmo quando os golpistas usam contas de bancos diferentes — como agências do Banco do Brasil, Bradesco, Santander, Inter ou contas de pagamento ligadas a fintechs como Nubank — a cooperação entre instituições e polícia permite rastrear parte do dinheiro. Esse caminho, porém, é lento e nem sempre consegue reverter integralmente as perdas.
O que vem a seguir na investigação e na prevenção de fraudes
Com o boletim de ocorrência registrado e o caso encaminhado à Polícia Civil, o próximo passo é identificar o titular da conta que recebeu o dinheiro e os eventuais intermediários. As primeiras diligências costumam avançar sobre dados cadastrais, endereços e históricos de transações, o que exige apoio formal dos bancos envolvidos.
Autoridades de segurança e gerentes de agência ouvidos pela reportagem avaliam que casos como o de Ivaté tendem a impulsionar novas campanhas de conscientização. A expectativa é de que os bancos reforcem avisos em seus aplicativos e nos painéis das agências, explicando, em linguagem simples, que não pedem contratação de empréstimos ou transferências para “contas de segurança”.
A médio prazo, especialistas defendem protocolos mais rígidos para operações sensíveis iniciadas logo após ligações suspeitas, como períodos de espera e confirmações extras no aplicativo. Investimentos em tecnologia antifraude também ganham força, com sistemas capazes de identificar, em segundos, transferências atípicas e travar a saída do dinheiro até nova checagem.
Enquanto investigações correm e bancos ajustam procedimentos, a orientação unânime segue a mesma: diante de qualquer ligação que envolva senha, código, empréstimo emergencial ou transferência para outra conta, a melhor resposta é desligar e procurar o canal oficial do banco antes de tocar em qualquer botão.
Como identificar se um funcionário de agência bancária é falso?
Desconfie de ligações não solicitadas que pedem senha, código, empréstimo ou transferência. Desligue e ligue você mesmo para o número oficial da agência ou do banco, obtido no site, aplicativo ou verso do cartão. Funcionário verdadeiro não se ofende se você decidir confirmar a informação por outro canal.